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segunda-feira, 17 de Março de 2008 | 20:59
Durão Barroso defende aproximação comercial entre Brasil e UE

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, defendeu hoje, em São Paulo, uma maior aproximação comercial entre o Brasil e a União Europeia.

«O mundo globalizado em que vivemos é um mundo multilateral, um mundo de parcerias e de integração regional e que nenhum país, por maior que seja, pode vencer isoladamente desafios globais como as alterações climáticas, a segurança energética ou o terrorismo internacional», disse.

«Para desafios globais, precisamos de respostas globais», afirmou Durão Barroso, durante uma cerimónia em que recebeu o título de «doutor honoris causa» da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

«Nesse mundo cada vez mais interdependente, a cooperação entre um líder regional como o Brasil e a União Europeia, muitas vezes referida como modelo de integração regional, seria por si só desejável e benéfica para todas as partes e para o desenvolvimento em geral», acrescentou.

Durão Barroso destacou a parceria estratégica firmada entre Brasil e UE, na cimeira de Julho de 2007, em Lisboa, em resultado das «afinidades e reflexo da nova realidade geopolítica».

O presidente da CE avançou que, no final de 2008, será realizada uma segunda cimeira UE-Brasil, sendo agora anfitrião o Brasil.

«Nessa cimeira aprovaremos um ambicioso plano de acção para tirarmos partido da nossa parceria estratégica», disse Durão Barroso, ao lado do cardeal de São Paulo D. Odilo Scherer.

Em visita oficial ao Brasil, o presidente da Comissão Europeia participou também hoje da abertura da conferência «O Euro: Implicações globais e importância para a América Latina».

Hoje e terça-feira, a conferência abordará os impactos globais do euro nas economias dos países latino-americanos, em diversas mesas de debate com especialistas de vários países.

Na quarta-feira, Durão Barroso terá um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, para tratar da cooperação na área dos biocombustíveis.

Ainda na quarta-feira, o presidente da Comissão Europeia participará de um jantar de comemoração, no Rio de Janeiro, no âmbito dos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil.

No discurso na Universidade Católica, Durão Barroso salientou ainda que Brasil e UE acreditam que um mundo multipolar reflecte melhor a actual realidade geoestratégica e a necessidade de equilíbrio das relações internacionais.

«A UE constituiu um dos pólos dessa realidade e vemos que no Brasil o líder de um dos outros pólos na América do Sul», sublinhou.

O presidente da Comissão Europeia disse que Brasil e UE são signatários do Protocolo de Kioto, sendo agora «vital o empenhamento» mundial para a obtenção de um acordo global sobre o clima em 2009.

«As consequências da inércia ou do desentendimento seriam potencialmente catastróficas, especialmente para os países menos desenvolvidos e mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas», afirmou.

Durão Barroso sublinhou que Brasil e UE têm «especial responsabilidade» pela conclusão das negociações da Ronda e Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), «que se encontram numa fase crítica».

«O êxito dessas negociações marcaria um ponto de viragem na história do comércio mundial e lançaria uma mensagem positiva de confiança na economia mundial», ressaltou.

O presidente da Comissão Europeia afirmou igualmente que a UE apoia os esforços de integração do Mercosul e o empenhamento do Brasil na cooperação com a África, «uma das peças centrais da diplomacia brasileira».

No âmbito da parceria estratégica entre Brasil e UE, Barroso disse existir «muitas outras áreas de cooperação extremamente promissoras e mutuamente vantajosa».

A cooperação e o intercâmbio nos domínios do ensino superior, da ciência e da tecnologia são, precisamente, um dos pilares da cooperação entre a UE e o Brasil, afirmou.

«Machado de Assis dizia que as ideias são como as nozes: não existe melhor processo para saber o que têm dentro senão quebrá-las», citou Durão Barroso.

«Não faltarão ocasiões nem instrumentos para o fazermos em conjunto! Que não nos falte também confiança no futuro», conclui.

Diário Digital / Lusa

 

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