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| sexta-feira, 11 de Março de 2005 | 01:42 |
Keane e Rufus Wainwright em Lisboa: Destinos díspares
Filipe Rodrigues da Silva
O destino tem destas coisas. Rufus Wainwright não vende tantos discos como os Keane, pelo menos em Portugal. Mas é claramente de uma divisão maior. Possui um talento ímpar. Mas o espectáculo de quinta-feira à noite no Coliseu de Lisboa não era o seu concerto. Aplaudido e desconhecido qb, ainda ganhou alguns fãs. Por seu lado, a banda britânica caiu no goto do mainstream. Não havia mal nenhum nisso se ao vivo os Keane não parecessem uma imitação do que «Hopes & Fears» sugere. Tiveram momentos sofríveis. Mas o público adorou. Os portugueses são fáceis.
Rufus Wainwright
Foi uma mini actuação, mas cheia de brilho, a deixar água na boca para o regresso a Portugal agendado para 24 e 25 de Abril, em Lisboa e Porto.
Rufus é um compositor e cantor de uma qualidade extrema. Fica-se apaixonado ao primeiro toque. Ao talento e à genialidade junta um refinado sentido de humor. Dedicar «Gay Messiah» ao Papa e atribuir-lhe uma mensagem especial e assumir sem complexos a sua homossexualidade com pormenores de glamour não é para todos.
A apresentação de temas do novo disco «Want Two» despertou natural curiosidade. E correspondeu às expectativas. Ficaram de fora algumas das suas grandes canções, como «Movies Of Myself». Mas tivemos um excelente «Cigarrettes And Chocolate Milk» e um carisma natural que encheu o palco, mesmo quando a meio de um tema presta tributo a Philip Glass. Operetas pop de luxo. Razão tem Tom Chaplin: Rufus Wainwright é uma inspiração.
Keane
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