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sábado, 23 de Maio de 2009 | 19:25
Festival Tonalidades, 1º dia: As novas cores de Portugal
Eugénia Azevedo

Acontece pela segunda vez, reclamando o seu espaço no contexto dos festivais de música temáticos. Chama-se Tonalidades, pretende apresentar novos caminhos para a música portuguesa e decorre em Espinho. Na noite de ontem, Dead Combo e Mandrágora mostraram as habilidades que os consagram como craques da selecção nacional de esperanças, no que à música diz respeito. Hoje tocam Norberto Lobo e Azevedo Silva.

Em noite de reciclagens, os portuenses Mandrágora e os irresistíveis Dead Combo provaram ser ainda possível trilhar novos e diversificados caminhos na música portuguesa, inclusive explorando as suas raízes tradicionais. Partilham a opção pela via exclusivamente instrumental e o gosto pela reinvenção sofisticada de cânones estabelecidos como a tradição do fado e o folclore.

Os Mandrágora vieram revelar a sua apetência em conjugar a folk com standards folclóricos e a validade da proposta apresentada demonstra que este colectivo não pode ficar na rectaguarda do que tem sido feito actualmente na música portuguesa. Chegam a Espinho com «Escarpa» na bagagem, aquele que é já o segundo registo de originais deste grupo de cinco elementos. Os mais desprevenidos terão ficado surpreendidos com os apontamentos tirados à gaita de foles de Filipa Santos ou o contrabaixo de Martim Torres, mas há muito mais neste festim de tradições musicais reinventadas. À passagem por temas como «Mija Velhas» ou «Odelouca» pairaram no ar evocações díspares, desde ambientes medievais a fluxos jazzísticos aqui e além. E, se faixas como «O Aranganho» resvalaram para um pós-rock embrulhado em folk, não é de estranhar. É mesmo a imprevisibilidade da música desta banda do Porto.

Tó Trips e Pedro Gonçalves não podiam encaixar melhor num certame desta ordem. Não vêm defender nenhum projecto novo, continuam a revelar ao público o inclassificável universo dos Dead Combo. A música que concebem não é passível de caracterizações estanques, mas tudo deve à portugalidade. No início do concerto, são uma guitarra e um contrabaixo. «Sopa de Cavalo Cansado» abre o alinhamento e funciona nessa dicotomia entre o desajeitado Trips e o absorto Pedro Gonçalves. Com o ex-Lulu Blind (Trips) a explorar constantemente o burlesco nas suas explicações acerca dos temas interpretados, a actuação foi seduzindo o público em crescendo. O seu evoluir leva sempre os Dead Combo a outras soluções instrumentais, nomeadamente ao diálogo entre duas guitarras em temas como «Cuba 1970» e «A Menina Dança?» ou o acrescento da harmónica em «A Rodada». O resultado é sempre desarmante. Os Dead Combo detêm essa patente que facilmente os conduzirá a um lugar de relevo na música portuguesa.

eugenia.azevedo@gmail.com

 


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