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| sexta-feira, 20 de Novembro de 2009 | 14:33 |
«Virou!», Diabo na Cruz
Davide Pinheiro
«Virou!» mas não tanto como em «Dona Ligeirinha». Há roque a mais e folclore a menos no álbum de estreia do Diabo na Cruz.
Enquanto a Flor Caveira se mantiver activa, não haverá seca de produtividade. É ver os discos a brotar como filhos de uma família feliz, sensível à diferença mas escrupulosa na defesa da qualidade. E se há poucos meses, o Diabo na Cruz se estreou com um EP brilhante, agora é chegado o tempo álbum.
O que este «supergrupo» tinha de melhor - a relação entre tradição e modernidade - perde-se, em parte, salvo o belíssimo «Bico de um Prego» e a recuperação das canções de «Dona Ligeirinha». O álbum sofre de excesso de convenções pop/rock em contraponto com as poucas viagens à ruralidade.
A presença de Vitorino tem um peso simbólico maior do que uma singela «abertura» de disco sugere mas é pena que o caminho seguido esteja mais próximo dos Humanos do que de um Fausto. De resto, «Virou!» impunha menos precipitação na hora do parto.
O futuro maior que «Dona Ligeirinha» anunciava não está, definitivamente, comprometido nem nada que se pareça. No entanto, o processo a marcação de território iniciado ainda este ano conhece um travão que deixa o Diabo ainda distante da Cruz.
Diabo na Cruz
«Virou!»
Mbari/Flor Caveira
davidevasconcelos@gmail.com
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