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| sábado, 31 de Julho de 2010 | 15:33 |
Paredes de Coura (Dia 3): O futuro é agora!
Gonçalo Branco
Grande dia de música, com valentes concertos de Paus, Peter Hook e The Tallest Man on Earth, mas a noite foi mesmo dos Klaxons.
Num dia em que o público presente, 19 mil segundo a organização, se entregou mais aos
concertos, as bandas não desiludiram e até houve várias agradáveis surpresas. Os Klaxons
vieram no final e deram um espectáculo de arromba!
Se este era um dia em que até era difícil definir o cabeça de cartaz, foi bom comprovar que
havia vários, mas no final do dia foram mesmo os londrinos Klaxons a levar a taça para casa. Com um concerto mais enérgico musicalmente, do que fisicamente (não lhes fazia mal nenhum aprender um passo ou dois com os Enter Shikari), levaram o muito público presente ao delírio e, da primeira à última fila, não se via uma pessoa parada.
Inteligentemente, foram alternando as canções do novo álbum, por editar, com os temas mais fortes do disco de estreia. A táctica permitiu-lhes manter o público sempre atento e em permanente alvorço. O final, com «Atlantis to Interzone», terá sido dos momentos mais intensos de sempre na história de Paredes de Coura. Resta saber se, hoje, os The Prodigy vão conseguir passar a fasquia, que já está bem elevada.
A grande surpresa da noite terá mesmo sido Peter Hook. Não que seja difícil reconhecer talento ao músico de Manchester (não é mesmo nada!), mas havia qualquer coisa que não soava bem na ideia de ouvir Hook cantar Joy Division. Puro engano. Sem se cingir a «Unknown Pleasures», deu um grande concerto rock e conseguiu conquistar miúdos e
graúdos. A alegria estampada na cara de Hook quando abandonou o palco era visível.
O dia já tinha começado bem com The Tallest Man on Earth, o projecto do sueco Kristian Matsson, sozinho com a sua voz e viola, a levar-nos de volta a 1969 e a Woodstock (onde nunca estivemos). Seguiram-se os Paus. Recebidos com amor pelo muito público que já estava no recinto para os ver, retribuiram com um concerto à altura.
O palco principal de Paredes de Coura foi ainda vistado pelos White Lies, uma banda com tudo para se tornar caso sério em Portugal, rock ligeiramente negro, ligeiramente lamechas, com um vocalista a fazer lembrar Paul Banks (Interpol). Quem também esteve de passagem foram os The Courteeners, com um concerto bastante desinteressante. Se o palco principal foi cheio de motivos de interesse, não se pode dizer que o After-Hours lhe tenha ficado atrás. Primeiro com os inclassificáveis e caóticos portugueses Plus Ultra, que quase destruiam o palco, e depois com os primeiros verdadeiros DJs do festival, os Mega Bass, que mantiveram o público a dançar até ao sol já estar bem alto.
gm.branco@yahoo.com
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