Comentário ao artigo - "CALAMIDADE" de Fernando Madrinha
BORRIFANDO AS CINZAS (Ver "EXPRESSO ON-LINE")
Há já algum tempo que li o artigo que agora, sumariamente, decidi comentar. Não o fiz antes porque não me mereceu, como muitos outros, especial atenção na medida em que mais uma vez, se deixou deambular a emoção no teatro da razão, fazendo-se afirmações que só se compreendem porque feitas em ambiente de impotência, de consternação e de desespero, não fruto de um pragmatismo ou de uma experiência que o conhecimento, quer empírico quer científico, ajuda a engrandecer.
De facto, não estranharia se as afirmações que o autor deste artigo produziu, tivessem sido ditas por um qualquer cidadão deste país vítima de tão horrenda calamidade. Estranho sim que essas palavras, arquitectadas em juízos de valor, sob a forma de especialidade intrínseca, tenham sido emitidas por um jornalista com responsabilidades, que demonstrou e transmitiu insegurança, medo e sobretudo uma grande dose de perturbação, quer em termos de apresentação e descrição do cenário, quer em termos de apontamento de críticas e indicação de soluções.
Mais uma vez, cedeu-se à tentação de seguir o caminho mais curto, isto é, no borrifar das cinzas, criticou-se desmesuradamente, em detrimento do porquê das coisas, das análises frias e despretensiosas, no sentido de, racionalmente, alcançar, as causas próximas e remotas. Curiosamente, pouco se tem falado da parte criminal, exceptuando-se alguns ténues e mitigados apontamentos jornalísticos derivados de intervenções policiais, assim como do caduco e indisciplinado ordenamento florestal.
Vale a pena meditarmos nisto e interiorizarmos que as afirmações que todos somos livres de emitir, só serão credíveis e merecedoras da confiança de quem nos vê e ouve, quando fruto do real conhecimento das situações, no espaço e no tempo, e do entendimento dos seus aspectos nucleares e colaterais.
Enfim, importa, sobretudo, consciencializarmo-nos de que, é preciso invertermos o rumo da nossa mentalidade – criticar construindo, criar planeando e executando, alcançar os objectivos obtendo resultados.
O improviso que tem alimentado certas formas de imobilismo e de inércia, jamais poderá continuar a ser apanágio e ex-líbris da forma de estar de um povo, mas tão somente um mero reflexo de alguns ambientes condicionados.
26-08-2003 17:14:00 |
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