ESCRITOS

Autor:
E.Valdes

Email:
helewidis@gmail.com

!!! Ler antes de explorar !!!


www.helewidis.deviantart.com/gallery


AVISOs:

1) O que aqui está escrito é da minha autoria. qualquer cópia e passagem de excertos ou textos integrais sem deixar bem claro que o texto é meu é plágio e, como tal, punível por lei!!!

2) Mais aviso que o que aqui escrevo não é um reflexo do que eu sou ou penso, mas apenas das personagens que crio!
03-06-2006 18:10:00


alguns poemas de Jan-Fev.2006 de Eloísa Valdes

Ameaças-me.
Levantas o olhar e pousa-lo, com força, nos meus olhos.
Eles começam a arder. Ardem como se a fixação do teu olhar os prostrasse e me fizesse tua...

12 de Janeiro




O "coração de papelão" reinventa-se nas suas mãos: usa pacotes de açucar e plástico de maços de tabaco para o efeito!

6 de Fevereiro



Como são as gaivotas, o mar e os seus beijos?
O dia aproveita-se limpo ou o impulso liberta-se do freio?

Como o vento, que oferece cócegas embrulhadas e papel de rebuçado,
como os búzios, que arrastam o som das ondas para fora da costa,
como os outros, com os seus pensamentos esquivos à Razão?

- Não se perderá na Noite?
- Não...

A lua acende-se trazendo a devoção, que ele inala, em silêncio...
Mas, se formos atentos, descobrimos que as flores possuem pétalas, e que as pétalas largam aroma; que os cães abanam a cauda e esta pêlos; que as pessoas nos seguem e que o eco dos seus passos ainda ressoam nos nossos ouvidos...

Na esquina, brincam com as sirenes e deitam a língua para fora ao passar dos velhos. Querem mais, são crianças!
Enquanto isso, na baixa, as castanhas assadas continuam a dançar de bicos de pés e a bufar pelos olhos quando se sentem quentes; tudo isto debaixo da luz de Coimbra...

À medida que os Ruídos da manhã se dissipam junto com o nevoeiro, os nossos olhos e a nossa boca fundem-se.
Então, subornamos o Sol para que finja ausentar-se e possamos ser apenas tu e eu, cúmplices no desejos daqueles beijos em falta, donos da cor do céu!

Coimbra, 7 de Fevereiro.
03-06-2006 18:08:00


3 novos poemas - 28 de abril de 2005
Gil, o “louco” do Samambaia


O movimento incitava o homem
mas a sala estava vazia,
nem o silêncio assentara.

Para o homem,
passos, vozes, acto-contínuo ruídos existiam.
Caminhava nesse silêncio ausente,
pausava-o com o seu nome,
Gil.

28 | Abril | 2005




Incapacitados


O açúcar,
o menino e o seu corpo.

O anoitecer convida os incapacitados
e o seu olhar ainda afasta os outros.

O menino traz o amanhecer no seu corpo,
quando o açúcar não tem sabor.

(As paredes são açucaradas com silêncio.)

- Porque não me dás a mão?
Gosto dela,
ao senti-la ouço um repicar de sinos.

Fica exangue.

28 | Abril | 2005












Embriaguez


Percorridas,
as noites cansavam-se.

A lua transpirava álcool,
quando me abraçaste.

Beijas-me pela última vez e repetes:
- A cegueira invade-me o corpo

E morremos naquele corredor.

28 | Abril | 2005

20-05-2005 22:36:00


O 1º capítulo de um possível livro!
Título: Num sussurro ela acorda


Subtítulo: Cada palavra vinda de ti é sorvida por mim, como se de uma gota de orvalho se tratasse. Refresco-me, sempre que as evoco através da memória. Amo-te e, embora nunca o tenha dito, sabe-lo… Sente-lo!
Eloísa Valdes



Dedicado a: Carlos, a Rael e a todas as Mães.



Capítulo 1















- No ventre do mundo –








Nos versos de uma flor a amizade colhe uma vontade pura. Toma vida e poliniza-a. A sua relação com o mundo – um lugar que tem tanto de inóspito como de belo – floresce. O seu leito é feito de madeira, terra e água. Acolhida pelos amantes da forma dual, ela encontra um lar.
Apaixona-se na madrugada de um beijo e, desde então, tem vindo a semear a loucura por montes, ventos e mares. Comanda corações através de uma guerra que não possui e, balanceando no tempo – inexistente – fica prisioneira de si... conhecendo-se treva e luz.
[-] Vagueando na noite os gatos conhecem-na, na procura de uma manhã. Encontram apenas loucura. E seiva. Eu sei. Sempre? Não, as suas veias não eram claras, antes obscuras como os sonhos e as filosofias – inexistentes – de um guardador de rebanhos. Sim, a sua rugosidade é insondável, como um cálice talvez sagrado e, talvez, profano... A sua inclinação é racionalmente irregular, vem da exalação do medo sobre a liberdade. O que é a liberdade? Um azul-contínuo infinito. O espelho reflecte-se no diálogo deste monólogo, amiga. Eu sei. Sempre? Não sei...
As estrelas divagaram entre ventos de discussão, através de cidades cobertas de insónia – embriagadas – e as pérolas enfeitavam-nas, escondendo a vingança do tempo. Procuravam – cansadas – o néctar, a seiva e a poção que lhes oferecessem a realidade. E a verdade? Não, essa não existe. Nunca? Nunca! E a poesia? Distraiu-se quando perseguia um enxame de búzios na praia inventada – na infância – de uma musa que morreu ontem. E as vestes, que pensas delas? Inúteis, escravizam a transparência e tornam impossível a entrega e o amor. E os deuses? Esqueceram-se de nós, pequena.
Perdizes azuis romperam, entrelaçadas com as estrelas, mas o néctar que encontraram era pagão e perverteu-as. Hoje dançam nuas nos eclipses. São feiticeiras? Não, enlouqueceram. E correm despenteadas nas ruas de uma escultura, simulando suicídios e orgasmos. O que é um suicídio? Uma desistência pura.
Os murmúrios estendem-se na montra de uma planície onde aguçam a adaga da mentira devorando gelo. E não ardem? Apenas quando te beijam o ouvido. Sempre? Sempre!
Os candeeiros são pálidos, vítreos e exangues. E são felizes? Não, minha amiga, anseiam sempre por vingança das suas primaveras estranguladas, invocando o clarim da dúvida. E que conseguem com isso? Semear nuvens, pudor, transes e desconfiança... Só? Não, inventaram também o descaminho ajudadas pela bruma, que escondia melodias. Sempre? Não, a bruma nem sempre foi vingativa. Um dia, cansada de ser ignorada, revoltou-se e levou um Rei do meu país. Ainda hoje temos esperança do seu arrependimento. E não fazem nada? Esperamos!
Alvoroçada, a voz perdeu-se. Encontramo-la junto ao mar, quando escutamos os búzios. O mar é enorme, não é? Sim, é imenso. Aí, recortes de memórias embalam os sentidos e ecoam valsas marítimas que traduzem o incesto do sol e da lua. Escuta-se ainda uma súplica – caiada de imperfeição – de amor, descerrando o mistério dos dias onde os tambores formavam miríades, absorvendo a explosão da mentira. A mentira, o que é? Uma tangerina amarga. Causa vertigens, tem cuidado! Ao longo dos séculos, os governantes do meu país perseguiram-na e hoje vivem com delírios de noctívagos, naufragados no seu cultivo. O que é perseguir? É perder-se e permanecer fora de si para sempre. Para sempre? Sim!
A lua parece ter desaparecido. Hostes angélicas brincam connosco, querida. Brincam? Sim, querem que acreditemos na ilusão de que ela já não existe. Mas existe? Sim, mesmo oculta a lua permanece. Como o amor? Exactamente!
Repara, as heras crescem em demasia, dando a imagem – ilusória, falsa e decadente – de que houve um divórcio entre ternura e temporais. Divórcio? Sim, o desmembramento da Unidade. Não compreendo... Nem eu, querida, nem eu!
Porque me abraças? Porque te amo e temo pelo teu futuro. Não precisas, já o tenho planeado! Sim? E como vai ser? Vou ser uma multidão. Vou reagrupar os deuses nos seus templos e organizar uma revolução no teu mundo. E vou adorar-te, como uma filha. É isso que temo. Porquê? Um dia explico! Quando? No dia do teu nascimento. E se eu nascer numa noite? Explico, também, mas só aí! Mas, porquê? Porque as tulipas gritam o vermelho do teu Ser no correr etéreo das colinas da vida, narrando estórias de encantar a própria História deste mundo que me ostraciza. Só isso? E porque te amo viver com pinceladas de alegria raiada, oferecendo-te a existência num sorriso. Porque as nebulosas surgem durante a minha sonolência, para te atacar. Elas formam-se no teu interior também, se duvidares de mim – como um deus que houve – e olhares para trás. Aí, elas levam-te para um outro mundo, e lá não te posso proteger do olvido, pequena. Quem é o olvido? É a tua morte. E, com ela, o sinal de uma nova Era – de desencanto e de lucidez – na qual a poesia não terá lugar. Nem para se distrair? Não, nem para se distrair. Não quero nascer, não quero morrer! Tens de nascer e cumprir a tua missão, és o elemento primordial para a nossa sobrevivência! Mas eu tenho medo... Não temas, o medo rapta e assassina. Menina, o teu caminho está escondido, apenas tens que o procurar e continuar nele. Escolhe-o, sempre que acordares. Sê fiel e nada terás a temer. Sê fiel e os homens erguer-te-ão um pedestal. Mas eu não quero um pedestal, antes quero a terra, a sujidade e a volúpia! E o cárcere, a tortura e a morte, se tiver de ser... Shhh, dorme pequena, dorme...




24-07-2004 19:46:00


Confissões
Confissões

Confesso a subversão do meu ódio e do meu amor:
Amo os contrários, a dualidade, a controvérsia, os antagonismos e a polémica.
Amo amar. Amo odiar. Amo, amo, amo...
A minha confissão não exige penitência; não existe!
Não existe a verdade, a mentira, a arte, a poesia, o amor, o ódio, a perfeição, a imperfeição...
Não existe o meu amor pela discussão, pelo grito, pelo sexo, nem pelo arvorar de uma nova madrugada.
Existe!!!
Existe o meu ódio pelo medo, pela cautela e precaução e, sobretudo, pelo anonimato.
- Não tenho nome! -
A confissão de mim não exige penitência; não abarca pecado!
É pecado assumir-se Eu em toda a sua plenitude, num lugar onde todo o Eu tem plenitude, mas não o assume...
E eu confesso: Sou aquela que um dia amarás e odiarás... E à noite, quando me deito, não tenho a certeza de nada... E choro!
26-06-2004 16:52:00


Diálogos de um monólogo
Imagino-te Lisboa, assim te crio… Assim te quero!
Muito para além do anonimato que, tal como todas as outras, esta cidade nos propõe viver, Lisboa transpira caos, reflectindo-se a sua poluição na do nosso amor.
A atracção exercida pela gravidade (que cobre a distância que nos separa) é imensa mas, se para sempre assim o será, não sabemos. É inútil resistir, portanto.
A desordem. A nossa sensibilidade encontrou um albergue e, daí, pressiona-nos.
Quando acordares hei-de beijar-te o rosto com a futilidade das minhas preces.
Já não me preocupa o tempo, nem o mundo, nem a vida. Acordei e decidi-o. Hoje o dia é nosso e de mais ninguém, amor.
Sempre que abandono o sono lembro-me da minha decisão e reforço-a.
Escolho-nos, todos os dias.
Acredito: acredito em ti e acredito em nós. Mas não acredito num deus que nunca vi.
Rapta-me, viola-me, mata-me… Ama-me! Tece em mim a malha do teu desejo mais obscuro e profundo. Não vale a pena viver sem intensidade. O que quer que faças, fá-lo com fervor e, em êxtase, tempera o sentimento com força!
O teu corpo é um emaranhado de ruas, ruelas e becos. Quero-te. Ajuda-me a conhecer-te. Não. Pára. Não me ajudes. Quero antes perder-me em ti para nunca mais voltar, talvez…

Finge comigo:
- Sim, meu amor…
Sussurrarias, enquanto nos embrenharíamos num abraço em pleno Rossio para, de seguida, entrelaçarem-se os dedos das nossas mãos e unirem-se os nossos olhares num instante de cumplicidade…
- Mergulhemos. – Diria o teu olhar demorando-se na entrada de um hotel onde, imaginamos, se entretêm as putas com os seus cabrões.
Sim, meu amor… Mergulharemos na fantasia. Ali, dentro de um quarto repleto de pó, memórias esquecidas e seiva de uma profissão secular. Mergulharemos num cenário dos contos do Marquês de Sade e, encarnando algumas das suas personagens principais, teríamos prazer, sendo a sua fonte deveras bizarra, mas verdadeira e com força.
E ao sair, continuemos a imaginar, depararmo-nos-íamos com uma manifestação na rua.
Se Hoje fosse Ontem eu estaria ali, não sendo Eu, mas Eles… – diria eu, quase em surdina. De nada me iria valer o secretismo: O marulhar de pregões dos manifestantes nunca iria permitir a seiva intermitente das minhas palavras fluir… No entanto tu, meu amor, sorveste-me-as.
O Sol despedir-se-ia do nosso encontro à medida que rasgaríamos o nosso “Véu de Maya”.
Quando acordámos estávamos noutra cidade e eu soube da Unidade existente entre o Sagrado e o Profano. Soube do nosso ímpeto pagão. Soube que a minha pele exigia uma multidão. Soube como tu me proporcionaste o seu bálsamo. Soube como acordou a natureza com os gritos que me assolavam e com as fúrias que te ofereci. Soube da rugosidade de um certo templo, talvez de Diana, contra a suavidade de outro templo, do qual talvez tu saberás um dia o nome. Soube do sacrifício da harmonia perante o Altar do prazer e soube também o peso da ponta dos teus dedos sobre a minha pele… Soube que me professara tua escrava e que nada, nem ninguém, o poderia ou poderá, alguma vez, o alterar.
Eloísa Valdes, 10 de Junho, 2004

26-06-2004 16:45:00


Poemas a 25 de Abril
Bebo-me na amargura de não possuir.
O amargor de não possuir alastra-se:
Desejo os círculos, os cubos e os prismas,
E até mesmo os triângulos e os seus vértices!
Desejo os rolos, os tripés e as máquinas; os perfumes, os lápis e as telas; a fama, as estradas, os precipícios, as curvas e as contra-curvas…
Desejo até as constelações e o domínio do universo.
Desistia disso tudo, se me possuísse.

25 de Abril, 2004-04-25



Possuis o corpo num reflexo do Nada
Vislumbras a tua inexistência
O mundo espalha-se em ti e choras
Lamentas as noites de África e o seu calor: Não o sentes!
Anseias pela aliteração do verbo Amar
Desdobras-te em acordes de torturas, gritos e violações
Tens saudade de ti
Sentes a dor do Outro na página branca da tua Bíblia
E choras.


25 de Abril, 2004-04-25




A promessa de ti habita um sonho de poeta:
Viver o deslize das palavras,
Alimentar a Esperança,
Beber a poesia de um rio,
Embebedar-se com ela
E ter um segredo!

25 de Abril, 2004-04-25



Lembras-te de quando nos conhecíamos? Sonhávamos!
Hoje Não. Hoje não existimos.
Ainda sinto: A minha pele impregnada de ti. A última recordação. A absolvição Negada. A nossa Existência profanada pelo Outro…
Restou o Nada com que me cubro.
No suicídio dos Dias apenas a Noite permanece
E Ela envolvia o teu olhar…
Hoje não existimos: Tu não existes!
E a Noite que te habitava encontrou Refúgio em mim!

25 de Abril, 2004-04-25


No campo a vida acaricia-nos
A terra oferece o seu perfume
A melodia e a melopeia habitam-na
Por vezes uma brisa cumprimenta-nos
Existem mil e um ruídos: Todos diferentes!
Fundem-se com a voz do filho do lavrador.
Ele conversa com as borboletas e as borboletas respondem-lhe com sonhos.
O tractor geme e fecunda a terra
Os pássaros entoam cânticos sexuais e o sino repica...
No campo eu conheço-te!

26-06-2004 16:40:00


Monólogos
Monólogo de uma suicida

Nunca pensei. A minha vida não foi um palco. Todavia, os meus actos foram sentidos como didascálias. Reconheço-o.
À medida que o azulejo se inunda de sémen encarnado, sonho o desaparecimento da minha ansiedade. Observo-te. Embora uma seiva cristalina jorre dos teus olhos, o teu olhar permanece o mesmo. Tu permaneces. Escuta, não me comprazo em saber do teu lamento. Aliás, não desejo que me lamentes. Toda eu fui lamento. Basta!
Aproximas-te. Ainda consigo ouvir. Ouço as manchas e os abutres, assim como o abrandar do teu passo. Uma névoa persegue-me. As tuas formas deixam de me aparecer delineadas. Por momentos, fico cega. Sinto o teu medo ao abraçares este cenário. A tua rendição é serena. Descansa. Não tiveste culpa. A culpa foi dos abutres.
A minha nudez existe. A tua face trai-te as palavras. Ela não te agrada. Não te agrado…. Entristeço-me. Desequilibras a minha morte. Vai, desaparece! GRITO.
Ouço o rumor dos teus lábios. Sinto-o: reúnem-se junto à minha pele, como lhe chamaste um dia. Murmuram mentiras de amor e esperança. Sorrio e finjo acreditar. Não é minha intenção desiludir-te. Saber do teu desencanto deixar-me-ia órfã de descanso. Desassossegada, repito que desapareças.
Mas, desta vez, não me obedeceste…
Agradeço o teu gesto com um sorriso. O meu último.




Monólogo de um necrófilo - dedicado ao meu amigo Fernando, que me colocou o desafio de investigar e escrever algo envolvendo necrofilia. A ti, querido amigo, o meu muito obrigado, pois aprendi muito nessa pesquisa... Especialmente a ser ainda menos preconceituosa!

“Arrependimento” é um verso que não consta do meu poema. Todo eu fui noite. A madrugada, se existiu em mim, foi sonâmbula. Sorrio. Sei que a minha existência nunca foi desejada. No âmago do meu pensar descubro nunca a ter conhecido. Nunca se conhece. Apenas se pensa. Pensei-me eu, quando ninguém o fazia. Planeei o meu sentir até ao mais ínfimo pormenor. Nada falhou. O meu palco fora a vida. No entanto, nunca estive na ribalta. Resguardei-me nos bastidores. Sempre me pareceram confortáveis: forneciam-me o anonimato.
Tudo isso mudou quando te conheci. O dia tornara-se cinzento, como o meu pensar. O teu olhar cativou a minha curiosidade. Era nublado, evitava a vida e o meu toque. O meu toque era frio. A condensação fruía da nossa poesia.
Afastaste-te. Desejei-te. Nunca me permitiste possuir-te. Terias medo? Nunca o saberei. Hoje estás morto, e eu profano a segurança da distância que houve entre nós. Esta noite, é teu o toque que revela a composição do Árctico. Agora não podes gritar. Agora não podes chorar. Agora não podes ter prazer.
Observo a calidez do teu corpo. Admiro-a. Sempre a quis minha. Hoje, penetrando-te, vou possuí-la. Por segundos, apenas. Mas vou possuí-la!
Esta noite, como todas, está frio. A tua imobilidade excita-me. O arroxear da união dos teus lábios clama por mim. Aproximo-me lentamente de ti. Invoco o silêncio do teu estado e rogo-te perdão. Violo a virgindade de ti. Apodero-me dela. Bebo-ta como um abutre.
No dia seguinte acordo. Deitado a teu lado. Estás nu. Contemplo as provas do meu crime. A seiva branca permanece na tua pele. Distante, não me ouves. Prenderam-me, por te amar. Na prisão disseram que é crime amar para além da morte. Na cadeira perguntaram-me se tinha algo a confessar. Gritei-lhes o meu crime bem alto, na esperança de que me ouças: Amo-te!




Monólogo de uma prostituta

Esta tarde acordei de um sonho. Alimento-o desde que encontrei lençóis tingidos do meu sémen encarnado. Nele fui virgem.
Um dia vi-me expulsa da minha infância. A mulher que tanto amor me dera morrera. Órfã de casa e apoio vi-me obrigada a vaguear pela vida. No início reinava a simplicidade. Passeava o meu corpo na rua, de norte a sul. Se me distraía e o meu olhar saltava da estrada para as montras perdia um jantar em potência.
Entrei na prostituição por necessidade. A alternativa era mendigar.
Exuberante. Nessa noite estava exuberante. Comprara um conjunto de corpete, calções e botas de vinil. Tinha-o vestido no w.c. de um bar heavy-metal, onde uma mulher me maquilhara. Na troca, arranjei-lhe um acompanhante. Era um antigo cliente, mas decente. Essa raridade provocou-me um mal-estar. Num segundo, toda a dor que sentira até àquela noite, violara-me: o agarrado que me tomara à força; o poeta que me ludibriara; o chulo que me explorava; as vidas que abortei; o teste que dera positivo…
Afastei-me. Deixei-os conhecerem-se. Com sorte a mulher ser-me-ia grata e, num tempo futuro, talvez possa ter onde dormir.
Nessa noite estava exuberante. O meu aspecto deu lucros. O primeiro que me abordou era um tarado. Pediu-me que o espancasse. E eu espanquei-o. Não foi fácil: Ensinaram-me a não magoar e a não me defender. Custa-me quando compram dor.
Nessa noite estava exuberante. No entanto, o sonho de qualquer meretriz não se concretizou. Não conheci nenhum homem decente. Nem mesmo um que não tivesse problemas com o meu passado.
Amanhã repito o ritual: Na vida real não há finais felizes.




Monólogo de um pedófilo

A minha memória divide-se em estações. Cada estação corresponde a um fragmento. Cada fragmento encontra-se estilhaçado, num baú. Hoje encontrei um estilhaço de verão: um beijo!
Recordei Raquel com a ternura dos seus sete anos. Os seus toques eram de cariz doce e ingénuo. A sua inocência provocara o acordar das minhas pulsões. Num arrebatamento cometi uma loucura: devorei-a. Não gritou nem resistiu.
Nunca mais foi a mesma. Hoje passeia-se nas ruas, quase nua. Vende prazer e fantasias, enquanto entoa lágrimas e versos de dor.
Giro a chávena de café no seu pires. Com o olhar procuro na face das empregadas o seu semblante. A esperança de a encontrar nelas logo morre. Suspiro. Sei que vou ter de a encarar no caminho de casa. A vergonha e o remorso são demais para mim. O olhar de cada mulher na rua penetra-me. Sinto-o frio.
Arrepio-me. Ela vem ter comigo e não me reconhece.






1 de Maio, 2004




Eloísa Valdes
08-05-2004 10:09:00


Concepção pseudo-nihilista da arte
Concepção pseudo-nihilista da arte




Um dia quis sorver Arte e fui a Serralves. A razão de existir do relógio desvanecia-se à medida que me embrenhava naquele jardim…
Tempo e espaço evaporavam-se:
Num jardim fui infanta, herdeira de trono, palácio e reino e noutro fui criança, manipulando sonhos, desejos e deuses.
Fui também arrumadora de emoções e baú de pensamentos. Fui um estranho invocando a futilidade da vida, no meio da rua, em pleno suicídio. Fui prostituta; fui violada e assassinada tendo o bosque como cúmplice e água como testemunha. Fui família de refugiados da dor na clareira das ilusões. Fui poeta, filósofo, aventureiro e eremita… Fui tudo isso e muito mais!
Fui distracção de um amante, de um cientista e de um porteiro… Causei dor, morte e amor!
Fui condenada à felicidade e morri mil vezes. Fui azul, amarelo e vermelho. Fui um poema, um ponto de fuga e um beijo. Fui o lugar onde todas as rectas paralelas se unem. Fui uma informação…
Fui um ditador e um censor. Fui um pontapé, uma falta, um penalty! Fui um desejo, uma moeda perdida e uma árvore sozinha. Fui tudo isso, sozinha!
Fui sombra, liberdade e argumento. Fui paixão, ciúme e mentira. Fui crime, falácia e verdade. Fui um cão, de verdade!
Fui ainda a sedução propositada de Lolita a um balde de água e loucura de uma deusa. Fui sede de um rio e ardor de um casal.
Fui saudade de um futuro…
Fui atentado de Al-Quaeda e tempero de discussão. Fui orgasmo de uma virgem. Fui carreiro de formigas. Fui um postal atrasado e um beijo molhado. Fui, fui, fui…
Fui tudo e isso e muito mais, mas sozinha…

2004/04/03

07-04-2004 21:55:00


novos escritos
Sem nome


Sou dormência na ponta dos dedos da vida
Incomodo a existência por existir apenas
Atendo à sua prece e morro.


9, Março. 2004








Contadores de Histórias


Lembro-me de um velho. Contava-me histórias da História. Hoje a sua lembrança decidiu povoar-me. Interrogo-me até quando. Lembrar-me dele é lembrar a infância. Plena de curiosidade implorava-lhe mais lendas e, atrás delas, conhecimento. Sei hoje que sem ele não seria Eu, seria Outra… Seria feliz se fosse outra?
Ele é o culpado da minha infelicidade: instituiu-me a ânsia de querer…
Lembro-me desse velho contador de histórias e sorrio: um dia também eu serei velha. Um dia serei uma contadora de histórias semeando infelicidade numa criança… que não existe!



10, Março. 2004

O edifício 111



Aproxima-se lentamente como uma leoa fixando o seu olhar na presa com um instrumento delicado e debilitado por marcas de histórias jamais narradas.
Com o cuidado de um manipulador de sonhos e memórias agarra na chave e abre a porta do edifício 111 à inquilina: A morena de olhar cândido e ingénuo agradece-lhe com um sorriso capaz de abraçar fantasias-mil. A sua beleza ilumina o rosto dos transeuntes e tem um poder quase mágico sobre eles, o seu efeito é Serenidade.
CLICK! ZUM… CLACK!
Zeloso, ele encerra a porta completando, mais uma vez, o ciclo do seu dever de porteiro.



15 , Fevereiro. 2004

12-03-2004 19:47:00


tertúlias de destruição
Tertúlia


A inocência usufrui da iluminação das objectivas desfalecidas
O suspiro de um anjo distribui-se a retalho com sorrisos
Enquanto uma existência lança um véu de perigo sobre o amor!
Uma tangerina amarga ânsias, desejos e sonhos…
Cala-se a voz do filho pródigo!!!
O Tempo disserta sobre o pacto de invasão do medo sobre a terra:
O medo vence!


28 de Janeiro de 2004





Casulo

Hoje queria ser abraçada pela serenidade da ignorância
O trânsito marca o ritmo da minha respiração
Sou embrulhada por lençóis de silêncio, a solidão é o meu casulo!
As formas reflectem-se no semblante de um espreguiçar
Um sorriso agreste semeia a incerteza do Ser
O amor é servido e as conversas esmorecem, longe de mim…
As ranhuras de um pássaro metálico ficam gastas pelo voo
A aridez de uma trivialidade funde-se contigo no deserto
E eu, aqui, a desejar ser Outro!!!

30/01/2004



Circo

As dobradiças do meu Ser acendem um sonho colorido
Os jograis cantam divertimentos falsos
A estátua de mármore chora um amor partido
Enquanto pétalas de solidão te dedilham os passos!

30/01/2004





O canto do Ódio

Não existes, no entanto sonhei-te a noite passada
Sonhar contigo é como estender a mão a um mendigo!!!
Canto a novidade do ódio a um pardal sôfrego, esfomeado e sedento do teu sangue!
As notas amargas com que o envolvo fazem-no vibrar
A palha na qual o estendo contorce-se com um rasgo de prazer:
Ele vai matar, ele vai matar!
Os seus olhos minúsculos abarcam o mundo, a dor e o crime,
Ele quer-te, ele quer-te!
Sente o teu cheiro de arrogância, sabe que és de carne!
Tempero o seu pensamento com sal e cortes agudos,
Está pronto, devora-o, minha máquina de destruição!
E ela devora-te…
Rasga-te a cara com o seu bico afiado
Debicando regala-se com a acidez dos teus olhos
Pia! Pia! Pia!
Já não existes, ao final do dia!

31/01/2004

02-02-2004 19:49:00


Escritos num ensaio e num café
Ensaio

As sombras dos pensamentos renegam-se no aglutinar da União
O corpo do Tempo soletra a imobilidade da Luz = L U Z
Amantes confessam o refúgio da estratificação da Mitologia
Dedilhadas, as estátuas enlouquecem os transeuntes entoando pétalas de solidão…
A textura do teu corpo sonhado torna-se áspera
Perante o reflexo de uma paixão maldita a essência da arte mortifica-se!

24 de Janeiro de 2004


O verde suporta-se e às restantes cores quando na horizontal
A luz declama o jogo
Buracos negros engolem-na e às cores, mas o verde permanece!
A extensão corpórea das sinestesias regula a biosfera
Na sala um ser estranho deambula rodeado de clones sociais
Trava! Fuma! Bebe!
A diferença escancara-se no ventre da multidão…
Desprezo! Ignorância! Medo!
O vermelho disfarça a vergonha na extravagância duma aliteração
Caos, confusão, assimilação!
A paixão é «Rouge» na sua inexistência…
Uma mentira nunca vem só,
Apenas a verdade é solitária!!!

24 de Janeiro de 2004

29-01-2004 15:38:00


O poema mais recente
Aqui, onde um fio de bondade morre
A cor da noite torna-se mais fria...
Aqui, onde um mar de cinzas se reflecte
Revela-se a paixão de um louco...
Aqui, onde jaz a Felicidade
- é o berço da Loucura!!! -
Aqui, onde um véu esconde a vida
Desmaia a beleza de um pássaro morto...
Aqui, onde me professei tua
"Na riqueza e na pobreza..."
Aqui, onde a virgindade renasceu
Cai a pétala de uma mentira...
Aqui, onde nunca te amei
- é o jazigo da Serenidade!!! -
Aqui, onde me esconjuro da eternidade
Sou demónio esquecido de o Ser!

24/12/2003

Ass: Eloísa Valdez
29-12-2003 17:56:00


Arquipélagos: Ilhas e Ilhéus - editado
Arquipélagos: Ilhas e Ilhéus

o meu primeiro livro, dedicado a ti, Carlos!

Capítulo I:


Na rua de Josefina havia uma discoteca. Josefina saía de casa todas as noites. Abria a janela do quarto e saltava para o jardim. Caminhava pela sombra. Tinha medo. Temia ser reconhecida. Temia o olhar reprovador daquela população. Temia a denúncia.
Na terra de Josefina quem frequentasse discotecas era uma puta ou drogada. Josefina entra na discoteca. usava sempre a porta das traseiras.
Para os estrangeiros o ambiente da discoteca era pesado. Os estranhos eram olhados de lado. Suspeitava-se da própria sombra: podia manchar a honra e a imagem.
As paredes eram negras. o chão era um moseico: Quadrados multicoloridos acendiam-se ao ritmo da música. A bateria impunha um compasso progressivo. A guitarra chorava desgostos de amor. O baixo inventava nomes de guerra. As pessoas dançavam. A dança era sensual, estonteante. A primeira impressão era de caos. A pista de dança estava repleta.
Jovens enérgicos e desinibidos davam encontrões em Josefina: Queriam a sua atenção!
Caminha em direcção ao bar.
Estaca. Trava. Pára!!!
Um homem olha-a fixamente. Parado, no meio da pista, chama-a com o seu olhar.
Ela estava deslumbrante. vestia um vestido preto, justo, que lhe realçava as formas curvilíneas do corpo. O cabelo longo e encaracolado caia-lhe pelos ombros. Parecia duas cascatas: Uma moldura para os seus olhos.
Ela nunca o vira. Ele era um mistério, um estranho. Ele podia raptá-la. Ele podia violá-la. Ele podia matá-la. Ele podia até amá-la!
"A ser", pensa Josefina, "que seja uma morte proveitosa e feliz!".
Hipnotizada decide arriscar e aproxima-se daquele homem.
Um em frente do outro: Não se movem. Não se falam. Beijam-se!!!

13/09/2003





Capítulo II


Josefina acorda com a luz da lua no rosto. Não havia tecto: Em vez dele uma clarabóia gigante! Olha à sua volta. Sente calor. Muito calor. Calor demais! Ao seu lado, Orquídeas de porte altivo sussurravam entre si. Eram palavras e gestos de desprezo. Por outro lado, Girassóis nomearam-na seu Sol. Não paravam de a observar, pendidos sobre ela. As Magnólias ainda dormiam. Percebe que está numa estufa. Josefina começa a sentir-se maldisposta. O medo acorda. A respiração de Josefina torna-se aflitiva: Cada vez mais ofegante! O medo começara a apoderar-se dela! Tenta levantar-se. Não consegue. Algo a mantém presa. Sente-se diferente. Sente-se pesada. – Ah, nunca pensei que o peso da consciência fosse tão grande!” – pensa Josefina. O homem não estava ali. Josefina duvida da sua existência. Josefina questiona o verbo existir. Levanta-se. Procura a saída daquele lugar.
Flashes do que lhe acontecera vêm-lhe à mente: A discoteca; o homem; o beijo; a saída daquele local…
Saíram os dois juntos sem uma só palavra. Passearam a noite. Como dois morcegos sobrevoaram a mentalidade tacanha. Foram presa e caçador. Reinventaram a palavra amor!
A certa altura perguntou-lhe o nome! Ele olhou-a nos olhos. Ela pôde ver a dor no seu olhar, a desilusão! Maldito devia ser o seu nome: deixou-a!
Ali, só e sozinha… Josefina chorou de arrependimento até adormecer!



Capítulo III – A obsessão



A estufa era análoga à vida de Josefina: pedaços de madeira esquecidos um canto. Entulho ostracizado contrastando com a beleza de “status” e aparato das Flores. Outra vez o caos!
Josefina não encontrava a saída. Não havia porta. Josefina começa a andar em círculos. Delira! Aquele lugar era labiríntico: um pesadelo!
Aquele lugar tornara-se insuportável. De repente, algo obscuro, demoníaco, observava Josefina. Tinha intenções de a possuir, mesmo que à força... aquele lugar apaixonara-se por ela: sua semelhante!
“Para todo o sempre” era algo curto demais para aquele lugar... A estufa desejava Josefina: queria-a! Queria tomá-la como se fosse um elixir de vida eterna! Tragar Josefina. Tornar-se Josefina. A estufa desvendava o seu segredo mais secreto: Amar Josefina!

14/09/2003


Capítulo IV – A metamorfose


Josefina deixa-se vencer: Cai com vagar contra uma parede da Estufa. As lágrimas escorrem-lhe do rosto enquanto o seu olhar fixa um pormenor na terra. Busca algo que prove a sua existência no silêncio. Só, encontra palavras de tristeza e desencanto. Josefina revela um espírito revoltado. As suas lágrimas foram génese de vida na estufa que a mantém em si e para si. Josefina encarcera-se: Encolhida, deixa de ouvir… Já não ouve a voz da Razão. Já não ouve a voz da Emoção. Já não ouve a Estufa. Já não ouve. Josefina petrificou os seus sentidos na sua desistência.
A Estufa, desolada, compreende que não pode possuir Josefina assim. Confessa a sua dependência mais uma vez. A sua paixão. A liberdade de Josefina. O seu Amor. A Estufa planeia libertar Josefina que, centrada em si, completa a sua metamorfose. Inutilidade. As palavras da estufa foram inúteis. O seu acto de abdicação do objecto amado foi inválido. A estufa auto-flagelou-se de modo a abrir uma possibilidade de fuga. Josefina, mesmo que disso se tivesse apercebido, não pode fugir. Josefina É, agora prisioneira de si mesma!



Capítulo V – Outono Fatídico


A Estufa chora até adormecer de cansaço. Adormece ao pôr-do-sol. A luz escorria pelo cerrado ajuntamento de arbustos. As folhas prestavam vénias à sua passagem. Aquela luz banhou uma fonte de mármore de dourado. A fonte era o centro da Estufa, o seu coração. O rio de luz confluiu como os reflexos da água que se atirava dos braços de uma mulher para o precipício. A água transbordou. Findou na formação de uma poça reluzente.
Aquando da morte do Sol naquele Oeste, a poça revelou a sua verdadeira identidade: Lama!!!
As Orquídeas ficaram escandalizadas. Os Girassóis declararam luto. As Magnólias proclamaram a sua independência enquanto as Margaridas iniciaram uma greve nacional. As folhas desmaiaram e os arbustos choraram a sua queda até terem ficado nus. A Lua veio prestar homenagem e ofereceu aos arbustos um lenço de raiar enquanto as flores embalaram a noite com cantos gregorianos. E assim a Estufa morreu.


22/12/2003


23-12-2003 14:36:00


Réstias de inspiração
O ventre de ti emerge no meu jardim
Acácias insistem no embalar do cortinado
Enquanto uma guitarra declarava o amor
Uma poeta vagueava no silêncio dum soneto.

22 / 11 / 2003


O rastilho emoldura um olhar
Desolado
Perante o deserto do teu Ser.
22/11/03


O lento esvaziar de uma vida compreende a desolação de uma tampa indesejada.
26/11/03

03-12-2003 19:29:00


Bacos e Companhias
Bacos inventaram Bebedeiras. A noite consumiu mil bebedeiras numa só existência. Homeros idealizavam Odisseias. As nuvens tinham ciúmes da tristeza da noite. As nuvens empurraram a noite. A noite caiu do pedestal. A noite caiu sem amparo. As nuvens ficaram com remorsos. Cristos suportaram A Cruz. A terra empurrou o abismo para a noite. A noite e o abismo entreviram-se numa gota de orvalho. Judas limitaram-se a serem Judas. Do seu encontro restaram mil embrulhos de látex: Fizeram amor! Mozarts tocavam Sinfonias. Micróbios de luz engalfinhavam-se. A terra ficou com remorsos. A noite levantou-se. Emmanuelles ensinavam mulheres a terem Orgasmos. O abismo voltou para o seu negrume. A vida continuou.



Úteros engalfinhados uns nos outros
Iludem o sémen perdido no seu Ser
Labiríntico soneto de erecção forte e duradoira
Ilusão paga com trocas de olhares
Encontram-se no templo de Diana
Traços formando o triângulo das bermudas
- Onde desapareci?

Enquanto chovia nas sandálias da minh’alma
Aquele som repetia-se: Ah!, Ahh, Ahhh… Ahhhhh!!!
Consistente na sua coreografia
A Puta do quarto alugado não desistia
Até ter o fruto do seu suor:
- O prazer!

Desapareci naquele orgasmo
Enlevada pelo gosto agridoce
Vagueei naquele sexo durante vidas
Insubstituíveis promessas pagãs
Encarceraram-me na maternidade
Onde aprendi a desmamar um veado
E a abortar Ideias de mães estéreis
Incapazes de sentimento despojado de Razão!

31/10/2003

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“Uma suicida na banheira”

Um fio de cabelo embebido de noite cai
Desamparado de tudo
O teu olhar abarca a solidão
Dá-lhe amor que não sara
.
Descobres mais uma ruga na vida
Triste e cansada de o ser
.
O licor escorre das tuas veias
Lento, sem expressão e frio
Tinge a banheira de morte
.
A mão que tantas vezes me segurou
Enérgica, carinhosa e quente
Pende para o teu lado melhor
Abandonando gotas desse sémen estranho – como tu!

2003/10/31



Tarados centrados sobre si mesmos
Encontram-se na ejaculação-mor
Dobrados e lívidos da cintura para cima
O seu corpo está morto
O seu ódio está morto
O seu pensamento foi um aborto
Com um olhar esgazeado procuram a próxima
Que lhes proporcione prazer ilusório
Em troca de um elogio ou um sorriso
Ela acede ao seu desejo
Desligada de si, autómata sem tomada
Maquinalmente abre-lhe a braguilha
Dum só movimento saca-lhe da varinha de condão
Mil esticões que se ouvem, entrecortados
Enquanto se banha naquela miscelânea dele:
Lágrimas, suor e esperma!
Consumida pelo hábito veste a cara de Senhora
Enquanto se afasta do mato e do putanheiro
Aproxima-se da fachada,
Daquilo a que chama o faît-divers!


1/11/2003

03-11-2003 19:48:00


Nova fornada de escritos: I'm changing my style, look closer!
Era uma vez…

Era uma vez uma rapariga. Era uma vez um rapaz. Era uma vez um par. Era uma vez uma desilusão. Era uma vez o ciúme. Era uma vez a mentira. Era uma vez o orgulho. Era uma vez a humildade. Era uma vez o desalento. Era uma vez o desencanto. Era uma vez uma segunda tentativa. Era uma vez o falhar. Era uma vez a depressão. Era uma vez o vazio. Era uma vez o Não-sentir. Era uma vez a separação. Era uma vez… Era, já não É!

18/10/2003


Rapunzel na Torre de Marfim

Sentada à janela
Esperei pelo cavaleiro andante
Anos de solidão
Décadas de tristeza
Séculos de depressão
Entrançando o cabelo cada vez mais longo
Tão longo quanto os milénios de melancolia por que passei
Esperando…
- A esperança morria à fome! -
Acesa por ele
Estava a tocha da minha torre de marfim!

12/10/2003



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13

O 13 não existe!
É um espaço entre o 12 e o 14…
Mas não, não existe!
Nem sequer um espaço é, porque a sê-lo, Seria… e o 13 não É!

18/10/2003



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“Lara”


Trilho o pensamento procurando um motivo:
Anseiam pela justificação do teu acto, não o percebem!
Tento explicar-lhes que não precisas de um porquê,
Que não és Razão, mas Sentimento!
Que não és Ciência, mas Arte!
Que não és Organização, mas Caos!
Que não és como eles, mas Tu!
Mas não são palavras que me saem da boca
São fábulas!
E não são ouvidos o que têm na cabeça
São trancas!
Classificam-te cobarde, egoísta, inconsciente…
Dizem que não soubeste aproveitar a vida…
Mas tu conseguiste amar e eles não,
Perdoa-lhes, que não sabem o que fazem!



18/10/2003



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O que te ofereço!

Ofereço-te um ramo de serenidade que não tenho
Roubei-o à vizinha
Vai, já podes morrer em paz!


18/10/2003



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Não me devolvas o amor:
Antes envolve-o em carinhos de pano,
Dobra-o bem entre a amizade e o saber-ouvir
Que um dia há-de vir a inflação!!!


18/10/2003



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Com um gesto…


O meu olhar continua preso no teu
Agarra-se ao fio branco que escorre
De ti para ti
Incansável
Veste-se de tristeza
Quando me viras as costas
Um rio engole-me
E eu não sou mais nada senão o rio que tolhes
Com um gesto!
- Com um gesto consegues tudo
Até mesmo o Nada! -


18/10/2003



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Cavam abismos no teu quintal
E tu não lhes ligas
Semeiam injúrias no teu quintal
E tu não lhes ligas
Plantam rótulos no teu quintal
E tu não lhes ligas
Regam mágoas no teu quintal
E tu não lhes ligas
Colhem sabedoria no teu quintal
E tu não lhes ligas
Vendem no teu quintal
E tu não lhes ligas
Esquecem-se no teu quintal
E tu não lhes ligas
Lembram-se no teu quintal
E tu não lhes ligas
Constroem no teu quintal
E tu não lhes ligas
Sepultam-te no teu quintal
E tu não lhes ligas
Dão-te flores no teu quintal
E tu não lhes ligas
Rezam-te no teu quintal
E tu não lhes ligas
Choram-te no teu quintal
E tu não lhes ligas
Gritam no teu quintal
E se não lhes ligas nunca te deixarão em paz!


18/10/2003


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Desenho um hino
Através do ostracismo das madrugadas
O vermelho está pendente da clave de sol
Da tua canção
Construo melodias
Devassando a pauta com o licor das abelhas
Perseguidas por ti
Na noite em que morri
Nunca mais foram as mesmas
As palavras que proferi
Os sons de que me embebi
As ideias que eu pensava
Ficaram órfãs!

18/10/2003



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Outono suicida


Outono é a estação do suicídio de todas as folhas
Caindo,
Algumas castanhas amareladas
Outras laranjas avermelhadas
Todas elas chegam ao cinzento asfalto
Mas não páram:
Continuam a experimentar
Novas formas de aprender
Novos passos de dança
Novos modos de viver
Novas palavras de amor
E o vento sempre a ajudar!

18/10/2003

20-10-2003 19:58:00


Novos poemas - ler também o post em baixo, com o último capítulo de arquipélagos!
A queda de Humpty Dumpty

Sinto-me só no meu muro
De onde empurrei Humpty Dumpty
Para a eternidade incompleto
Desfeito,
Nem todos os cavalos do reino
Nem todos os cavaleiros do rei…
Ninguém o conseguiu montar!
Sinto-me só
E já não sei porque o empurrei!



20/09/2003

................


Ele não existe!

Sinto-me só no meu mundo
Abandonaram-me!
As personagens que criei
Abandonaram-me!
Uma a uma
Abandonaram-me!
Pé ante pé
Abandonaram-me!
Sinto-me só no mundo que imaginei
Abandonaram-me!
Subitamente tenho um flash:
Não me abandonaram!
Nunca existiram…
E um rasgo de lucidez:
Ele não existe!


20/09/2003



Sinto
Sinto-me
Sinto-me só
Sinto-me só na solidão
Sinto-me só na solidão que criei
Sinto-me só na solidão que criei no meu palco
Sinto-me só na solidão que criei no meu palco e destruí
Sinto-me só na solidão que criei no meu palco e destruí no meu Eu
Sinto-me só na solidão que criei no meu palco e destruí no meu Eu e no meu Não-Eu
Sinto-me só, apenas…
Só!



20/09/2003

..................



Pago os juros das noites que segurei
Através dos empréstimos dum banco de insónias
Acabando por ter lucro: tu!


23/09/2003

..............

Escrevo com uma caneta sem tinta
A história que nunca foi
Nas folhas]
Órfãs de pena e papel!


28/9/2003

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Dedico-o à Telma.

A Telma morreu na passada sexta-feira. A Telma tinha leucemia em estado crítico e não o sabia. A Telma morreu sem saber que tinha leucemia.
Soube disto na 2ª feira e não me lembro de quem é a Telma. Só sei que finalmente tinha completado o 12º. Ao dizer-me isto, a moça que me estava a contar até gracejou: "Já viste, até para morrer é preciso tirar o 12º!"... Sorri e fui a única. Eu não encaro a morte da forma que a maioria encara, de modo que sei apreciar este tipo de humor!




O relógio parou na hora da tua morte
Um minuto após a meia-noite
Tinhas de te destacar!]


29/09/2003

03-10-2003 18:13:00


Devaneios...

Entre Espécies V

Perante o meu olhar
Exclamativo após me ter pedido
Lumes e mortalhas
O jovem gato cinzento
Afirmando que todos Têm seu vício
Deixou-me especada
No meio da rua
E foi-se!


18/08/2003


................................
Voltou o gato malhado à humilde residência de minh’alma:
A varanda do meu quarto!

Preparava-me para fumar como de costume
Quando vejo um vulto
Entre a sombra das persianas...
Abro a janela e vejo-o:
Deitado como um Sultão
Na sombra de um carvalho
Espreguiçando-se como um rei
Não tendo com que se preocupar !
– para isso servem os ministros –
Entrei na varanda.
Não se moveu...
O malandro estava no meu lugar e não se moveu!!!
Sentei-me a seu lado.
Começou a contar-me histórias
Inventando-as à medida que o calor aumentava
No silêncio que nos unia
Confessou-me a sua impotência
Perante um mundo tão belo
O seu olhar dizia tudo – não era preciso falar –
Mesmo assim usou de um miado expressivo...
Toquei-lhe ao de leve
– Gostou! –
Continuei a acariciá-lo embriagada com a sua textura!
Apercebendo-se que uma simples plebeia lhe afagava
Travou-me o diálogo de carícias com a pata.
Soprei-lhe o meu amor
Tentando sossegá-lo...
– nada feito. –
Não me entendeu e foi-se, ofendido!!!

6/08/2003



................................
O Pardal

Acorda estremunhado de uma outra vida, de um sono semi-eterno para a morte!
Abre os olhos e mal pode com a luz que o aquece
Naquele ninho de folhas e pedaços de árvore carcomida.
Olha-se e não se entende
Não se consegue ver
Não entende o sentimento que o toma e arrebata cada vez mais...
Mais tarde veio a saber o seu nome: Fome!
Soube dar nome às cores, aos cheiros e às texturas,
Soube ainda dar nome às moscas e às minhocas que lhe traziam para o bico
Aqueles a quem aprendeu a chamar de pais
Mas nunca apreendeu o sentimento nem o sentido desses nomes...
Apenas a Fome tinha significado para ele:
O seu sentir era a Fome, o seu viver era a fome, o seu nome seria, portanto, Fome!

6/8/2003


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Orgasmo de uma lâmpada

A luz surge como uma estranha
Nas minhas entranhas sombrias
Acostumada ao negro da minh’alma
Condenada a divagar pelo meu corpo
Presa dos meus devaneios
Incautos movimentos do meu corpo [sobre ela]
Parecem fazê-la estremecer de excitação
.
Encantada pela memória
Emerge do seu sono profundo
Embaraçada no coral de um oceano
Desconhecido como um poeta vivo
Até morrer na satisfação da curiosidade [Esfomeada]
.
Sente a antecipação de um amor
Proibido pelo tempo
- Mas este não existe!-
Vivendo o sentimento na sua plenitude
[Apaga-se]
Tendo prazer na sua morte!

4/08/2003


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A morte prosta-se a meus pés
apresentando-se como minha serva
enquanto a abençoo com o ceptro
cravejado de momentos de amor!


2/08/2003

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Suspirando

O perfil dos nossos corpos unidos traça um instante de cumplicidade
Entre nós reina o amor,
Aquele estranho de duas cabeças, quatro mãos, três pés com um coração
Apenas para assegurar a harmonia neste mundo.
Ele, que nos segura, comanda-nos!
Estamos à sua mercê
Através da fragilidade humana
Sentimo-lo apoderar-se de nós
Sentimos o rubor nas nossas faces
Sentimos o orgasmo no corpo e na alma
E quando o sentimos na sua totalidade tornamo-nos Um,
Esse estranho que é todos e nenhum
Esse sentir o Amor como um estranho
Ansiando por amar e ser amado!!!



29/07/2003


Obrigada, António! =*



.......................

Já sei de cor quantos peixes habitam o mar
Quando tu fechas os olhos e contas até trinta
Jogando ao esconde-esconde dos sonhos!
A valsa que te compõe é maior que o dó
Que nos puxa para baixo,
Não conseguindo dominar-nos!
Há dias que parecemos marionetas
Revoltemo-nos,
Cortemos os fios que nos prendem à lucidez,
Soltemo-nos da realidade que arde quando nos toca
Fujamos, meu amor, da infelicidade!

29/07/2003


......................


António


Não sai, não desaparece esta memória do sentimento.
Suspiro desde então noites de amor e paixão.
Por ti.... eu respiro!!!
.
Não quero outro amante
Nem tornar-me bacamante
Quero-te, apenas!!!
.
Não passo um dia sem te lembrar
Um minuto sem suspirar
Um segundo sem te amar!!!
.
Tocaste-me na alma
Fiquei incompleta desde então
Quem te deu autorização para levar um pouco dela?
.
Não me renegues
Na hora que te chame
Antes vem ter comigo e ama-me!!!
.
Vem, não me fujas
“Foge da cidade”
Vem dormir para o pé de mim!!!
.
Estou assim
Como me deixaste:
Sem jeito!
.
Não me deixes nunca mais
Quero sentir-te comigo na eternidade
“Larga tudo e foge para o campo”!!!
.
Aqui, no campo
Tudo é mais belo, mais verdadeiro
Mais sensual...
.
Vivo em harmonia com o amor
Materializado no sexo
Praticado a toda a hora em qualquer lugar!!!
.
Aqui no campo é assim,
Uma enorme energia sexual paira no ar
Elevando o instinto à flor da pele!!!
.
Todos somos animais
Uns mais irracionais que outros
No campo somos todos iguais!!!


25/07/2003





......................................

i

Durante toda a minha vida sonhei mais do que vivi, escrevi mais do que senti e fingi mentir sobre o que deveras senti quando em mim me perdi e como um extraterrestre me vi viajando neste planeta tão estranho só por si, mas ao mesmo tempo tão belo, só por ti... A quem dedico este devaneio acabado em i!!!


27/07/2003




...................................

Clara sente-se uma estranha dentro do seu próprio corpo. Não se reconhece nos sentimentos que parece nutrir. Questiona-se sobre a possibilidade de algo existir em si, que não a confusão. Esta, a confusão, é rainha na pátria de Clara, o seu coração resiste aos remendos, aos retalhos de dor que insistem em se instituir padrão na sua bandeira.
Mas, de quando em quando surge sempre alguém disposto a abrir brechas na alma dela, a dar-lhe carinho e amor sem esperar nada em troca. Clara aceita e sorri, apesar de temer... Teme por si e pelo Outro que a ama. Clara tem medo de se tornar viciada nesse estranho e prazeroso sentimento que sabe ser efémero, que sabe ser apenas uma dádiva, que não pode tomar por garantida. Clara tem medo. Tem medo da dependência, tem medo de si, tem medo do que possa vir a sentir, tem medo de nunca mais o sentir... Clara tem medo do Amor. Clara teme Amar!


27 e 28 de Julho de 2003





................................

Naquela noite a Lua iluminou-nos brilhante como um foco de ribalta.
Hoje o foco apagou-se
E as sombras dos nossos corpos unidos
Desapareceram.

.......................


Ouvia o seu ranger através da noite
embalada no berço das dúvidas existenciais.
era um ramo.
contorcia-se.
de dor? de prazer? de ambos?
nao.
era um ramo a contorcer-se, apenas!
era um ramo a contorcer-se
tentando esconder as rugas e a querer ser delgado.
apercebi-me nesse momento
entre os ruídos do silêncio
entrecortados com o ranger do esforço do ramo
tentando corresponder aos cãnones de beleza
impérios de uma patria sem sangue
que descobri guardar no jardim
tamanho encanto de uma árvore... anorética!

17/07/2003

................

Aracnofobia


Aranhas.
Vejo-me rodeada de aranhas.
Sou perseguida por elas.
No meu quarto
Na minha cama
Nas paredes da minha vida
Tecem as suas teias sem respeito algum pela minha propriedade e muito menos pela minha privacidade.
Vigiam-me.
Observam-me desde que nasci
Todos os meus passos.
Sufocam-me com tamanho zelo
Metem-me medo
Tenho medo.
Medo delas
Medo de as matar durante o sono
Medo de as engolir sem saber
Medo de que me possuam a alma e o sexo
Medo de as matar, mesmo quando acordada.
Tenho ainda mais medo quando não as vejo
Temo quando não sei onde estão.
A minha imaginação não me deixa em paz.
Imagino uma conspiração da parte desses aracnídeos.
Afinal de contas foi o seu território que viemos colonizar com o nosso cimento e casas feitas de tijolo e etiqueta.
Respeito-as.
Respeito o poder hipnotizante das suas longas pernas.
Respeito a condição de rainhas despojadas de trono.
Respeito o seu instinto animal e a sua total ausência de tacto.
Aparecem-me nos momentos em que menos as quero ver.
Aparecem-me quando me estou quase a vir.
Quebram-me a tusa num instante.
Parece estúpido como pode uma simples aranha ter este efeito em mim, mas assim acontece!
As aranhas lembram-me a minha mãe na sua altivez.
As aranhas preparam um golpe de estado.
Planeiam a ocupação do meu quarto à meses.
Farão dele a sua Pátria!
Mato-as.
Tenho medo de o fazer.
Mato-as!
Tenho medo.
Invento que irão sobreviver ao meu ataque.
Penso que podem muito bem regressar para tomar o sabor do meu sangue como vingança.
Lembro-me que a Humanidade é mesmo assim.
É Humano ter medo.
É Humano odiar ao ponto de matar sem razão.
É Humano atacar antes de ser atacado, como prevenção.
É Humano ter fobias.


17/07/2003

....................

Anti-Messias

O mundo que te envolve o sono
É feito de pós de amor e alegria,

Mas tu, que recusas o embalo
Acordaste um dia
E, de mansinho, "como quem não quer a coisa"
Levantaste-te da cama de feno
Radiando luz, paz e esperança
No teu rosto embebido da Pátria de Belém
espelhada como mil sorrisos num amanhecer dourado!

Os teus olhos cantaram vida
O teu olhar dançava em ti,
como uma pluma no ar movendo-se ao sabor do vento... Voei!

18/07/2003

20-08-2003 17:11:00


A sedução de Lolita
A sedução de Lolita




Dois corpos unidos no silêncio isolam-se da multidão pela sua quietude.
Depressa não existe para eles. Encontram-se imersos numa lassidão de vontade desmesurável.
Devagar descobrem-se um no outro como aventureiros desbravando a floresta selvagem do seu encanto.
Dedilhando violinos de prazer arrancam-lhes melodias sublimes.
Doidos por chegar ao cume arrastam-se numa dança de sois e ventos de poeira cósmica.
Despidos estão como sempre estiveram e sentem-se bem.
Débil é o grito da multidão que se apercebe da sua não-existência.
Descobrem novos orgasmos, novos sexos, novos prazeres, novos corpos em si mesmos.
Desbravam a essência de Lolita perdida na sedução de si própria.
Dançam ao ritmo descompassado da vitória por merecer.
Dedicam a poesia à vida.
Despedem-se do Eu e do Não-Eu na União de dois corpos que foram em um que são.

12/7/2003

14-07-2003 10:20:00


desatinos
“Entre espécies”

Um gato cinzento de vida
Descia aquela rua negra
Deixando entrever uma luz
Distraída com o que tomava por rumo
.
Especou entre a encruzilhada
Fitando o olhar hipnotizado
No meu perplexo fascínio
Cúmplice que me embalava nos sonhos
.
Um veículo de medo e poluição
Assusta-o no seu espanto
Enfeitado de reconhecimento
Fugidio como a noite tardia
.
Embrenhou-se na sombra da estrada
Perdendo contacto com a visão
Plena de entendimento profundo
Entre espécies!

25/06/2003







“Os seus olhos”

Os seus olhos eram venenos
Na minha pele
Queimavam a Existência
No próprio Existir
Negando a não-existência
No não-existir!
.
Os seus olhos eram facas
No meu corpo
Cortavam a Ferida de mim
Juntando-a aos Recortes de ti
Brincando connosco
- como uma criança!
.
Os seus olhos eram Mortes
No meu Eu
Matando a minha Vontade
Levaram a Sede de Viver
Saciando-ma na Fonte Eterna!

25/06/2003







“Era(m)”

Eram gritos de terror que me atormentavam de cada vez que fechava os olhos e tentava dormir.
Era assim, não podia dormir sem que os ouvisse.
Não podia.
Caso pudesse perseguir-me-iam dentro dos sonhos
Transformando-os em pesadelos de não-dormir!
Eram umas vozes que me acompanhavam durante o dia
Revezando-se á noite com as visões de loucura
Embriagada de essência de si!
Era assim, não podia dar um passo sem que as visse
As alucinações encontravam-me mesmo no mais recôndito dos meus refúgios.
Não podia.
Nem mesmo nos inventados.
Não podia fugir!
Eram verdades que me assolavam as mentiras.
Era assim, tudo o que não queria!
Eram suspiros de sedução
Desconhecido encaminhando-me para o “caminho das pedras amarelas”
Reinventado por um Mago louco de tanto Foder!
Era assim, tudo o que não podia!
Eram murmúrios de gentes, de pequenos Elfos e Duendes
Atrás da minha orelha!
Segredam-me Tentação.
Não podia.
Não podia dormir.
Era assim, tudo o que me excitava!
Eram orgasmos de puro prazer assolando o meu corpo sempre que me arriscava a viver.
Não podia.
Não podia deixar de ter prazer.
Era assim, um inferno em tudo semelhante ao paraíso!
Eram banalidades de vidas por viver.
Vidas presas à imitação do Eu.
Não podia.
Não podia viver sem que me espreitassem.
Era assim, o estereotipo de Lolita!
Eram preconceitos que me rasgavam a pele.
Não podia.
Não podia viver!!!
Era assim, discriminação que aprendi a ignorar!
Eram choros de alma que se faziam meus camaradas.
Não podia.
Não podia chorar.
Chorar era mostrar a minha fragilidade, era dar-lhes razão para continuarem a ser minha companhia!
Eram assim, tudo o que sentia!
...
Um momento fotografado mostraria tanto mais do menos que fui e tanto menos do mais que sou.
Uma Fotografia é, mais nada!

26/06/2003






Cairão pedras do sol engolindo a religião do século enquanto o medo continuar a reinar
Precisamos dum hércules para engolir este ódio duma vez por todas
A extinção da nossa raça está anunciada para breve
A esperança está a morrer à fome
Assim como o amor
Perdoando
Pecados de almas
Perdidas no reflexo de Narciso
Condenado à perdição através da admiração do Eu
Apagado no tiro desse combate infrutífero que se vai desenrolando
Através do crescimento de uns à custa da diminuição de outros sem pensar na Humanidade
29/06/2003






O interruptor evita a sinceridade
Brotando dele como um rio
Respirando o dia
Tomando-o por certo desta vida
.
Às vezes vira-se para mim e diz:
Na rua não existo!
.
Veste-se de cacos
Tropeçando na não-rua
Perseguindo-o como um lobo
Vestindo-se de cordeiro num abraço sensual
.
Dele nascem crianças
Despidas de pudor e pundonor
Através da dor que os perseguia
.
O interruptor comanda
Sem juízo o ajuízado juíz da não-justiça das capitais do meu corpo!
...
A dormir na noite prenhe de ti
Encontro-me finalmente!
...
Salto para o elástico
Unindo um maço de cartas jamais escritas
Por ti enviadas no embalo
De um sorriso
.
Torno a vivê-las
Como se fora ironia vejo que já lá não estão
Nunca estiveram
Que me enganaram os sentidos e os sonhos!
.
Na incerteza de te amar
Descobri-me numa rede da qual não consigo fugir!


28/06/2003















Entre Espécies II

Decifrando o mistério do gato enigmático:
Noite passada voltei à varanda para fumar
Deparando-me com o gato cinzento
Presumi que a outra noite fora um encontro
Falhado entre este e o gato malhado que agora se encontravam
Apanhados em flagrante!
(erá que namoram aqueles dois? Serão gangsters? Ou mafiosos da droga a trocar impressões? O malhado tinha realmente uma pose de Padrinho)
Viram-me.
O gato cinzento sempre assustadiço
Tornou a fugir pela sombra, sempre pela sombra!
Escondi-me.
Na esperança de o voltar a ver espreitei
Fiquei pasmada de nem sequer o malhado ver!
Suspirei.
Preparando-me para entrar no meu quarto tenho uma surpresa
Deparo-me com o gato malhado à minha frente
Perscrutando-me com o olhar
Questionei-me para que estaria ali, seria para se certificar de que não haveriam testemunhas?
Subornar-me?
Nada disso!
Pediu-me lume, acendeu o charuto e foi-se!


29/06/2003



Manual das palavras


É tratá-las como pétalas
Prestes a gritarem Ipiranga
Voando
Da Flor para o Mundo!


01/07/2003



















Conjugo-te Verbo no sal da minha alma
Declino-te em todas as pessoas
Mas nelas não te acho!

2/07/2003























Era uma vez uma Lolita no país da Sony!

Ofuscou o Outrora com sua luz vinda da suavidade nívea da sua pele
Corando Vénus com a ingenuidade espelhada nos lábios virgens de encarnado
Vestia-se de sufoco feito invólucro
Admirando-se com o tratamento de Puta que lhe concediam...
Era uma vez,
Uma Gueixa feita objecto da secção de congelados num Pingo Doce qualquer...

2/07/2003


















Troca


Dou-te o meu deus Pagão em troca de Paz e Harmonia!
Pode ser ou ‘tá difícil, Jesus?

2/07/2003






















Pode alguém conhecer-se?


Pode alguém conhecer-se no resplendor de uma catarata do Niagára
Sendo apenas a queda sublime no seu ser
Essencialmente reflectido na clareza da água que o constitui?


4/07/2003



















Um ruído transfigurado pelo silêncio da noite
Amanhece no teu rosto
Inunda o mar de mim num lamento
Encrespado pela fragilidade
Afogada no teu Cabo das Tormentas
Senhor de mil-terrores-naufragados
Aquando da exploração do verbo Amar!

4/07/2003



















No dia em que a galinha cantar de galo
Virão discursos diferentes dos outros
Já vou!
Feitos há mês e meio
Por um preço de outro mundo
Ai!
Cá se vai andando com a cabeça pra vender
Filosofem os que sabem lá do assunto
Disseram-me um dia
Já vou!
E ainda aqui está quem falou
Dormi em bancos à chuva
Andei com homens de faca
Ai!
Morei com homens deitados e o coveiro que diga
A história verdadeira na retrospectiva do corpo ileso
Novo e inocente
Já vou!
Às suas ordens meu tenente!
O nosso sorriso acabou noutras camas
Viver é bom
Ai!
É saudade que baralha e volta a dar
No fogo assim te estreias
Chega-te a mim
Já vou!
Dá descanso aos detalhes atrás da cor do sangue
Saudade não vacila no meu baptismo de fogo
Matamos, chacinamos, violamos!
Ai!
Já conhece o Hugo
Triste quando tudo o que existe
Lábios murmuram a loucura dos bazares
Só depois do bip
Já vou!
Desce até à palavra da rua dentro da nossa voz
Eu vi a cidade, o fado e a revolta
Este livro que vos deixo
Muita gente fala e canta
Ai!
Já se vai soltando a rolha que nos tapava a garganta
Tinha marcado um encontro com um touro ali às voltas
Respondeu-me
Já vou!
Não há nenhum a festa que o pareça
Não há nenhum canto que encante a melodia
O dia inteiro por pouco dinheiro
Trazes nos braços força
Não me digas que não
Sentiste raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compreendes
Que só te mandam obedecer
Ai!
Não há-de ser nada!
Vive para lá da fronteira a lei dos papéis
Tratados, acordos e consentimentos mudos
Dancemos sem corpo se for possível
Se for é de circunstância
A noite é de horrores no mundo visível
Dois pares de sapatos
Já vou!
É bom que se insista sem sapatos

Senhora de preto no peito
Disse-me
Ai!
Tira a tua saia
Dá-me o teu corpo
Já vou!
Deixa-me ser a tua puta
Faz de mim a tua puta
Pode alguém fazer de mim uma puta?
Chorei.
Ai!
Cansei de esperar por uma carta em vão
Escrevendo então:
Já vou!



4/07/2003


Delineio a textura navegando por dentre Virgens
Vestidas de vermelho no toque do selvagem
Prenhes de luxúria
Despedem-se de si com orgasmos
Periclitantes na busca pelo prazer
Prisioneiro dos seus corpos de Lolita
Perseguida por laivos de terror
Quando se despia do pudor!


5/07/2003

















Clara

Clara é uma cantora que se despe entre a luz e a morte do seu espectáculo, diz Arma!
Clara é uma cantora despindo dúvidas antecipando a luz da sua morte, diz Erma!
Clara é uma cantora despindo existências na antecipação da sua morte, diz Irma!
Clara é uma cantora despida da vida ferindo dúvidas na luz do seu viver, diz Orma!
Clara É apenas, diz Urma!

5/07/2003



















Por alterar...

Num lanço de aventuras-mil encontrei sentido
Agastado com o que lhe acontecera
Laivos de loucura serena pintaram-me
Melodia de Jazz fazendo amor com o canto da Diva.






















Entre Espécies III

Embrenhada em si vi-a, Musa de aventuras-mil
Saltando do nocturno estar do seu Eu
Num miar enternecedor
Fixou-me na sua memória de virgem ensanguentada
Refugiando-se no guetto
Criado pela não-Essência verdadeira
Escuridão de horrores a que pertenço!

6/07/2003

















Um diálogo de luzes flui do contrabaixo como voz
Saltitando entre a vida e a morte
Ao passo do compasso compassado
Das notas de um piano solitário
Apaixonado por Pollyana
Chorando com o aplauso!

(Inspiração: Sax Jazz)




6/7/2003

07-07-2003 15:52:00


amor infinito
Beijo o sono na bruma da noite
Adormecida na névoa do teu gostar
Dissimulado na distância que nos Une
Encantando Divas no seu esplendor
Escorrendo seda na superfície da tua pele
Convoco a Deusa que há em ti
Invocando o Amor na sua graça
presto homenagem à Poesia de ti
Cantando invenções de sentimentos
Apoderando-se de nós
Como a alegria de uma criança
POr dentro da Terra prenhe de Vida
Celebrando a Morte como seu último acto
na paz do amor infinito!

20/06/2003




Uma luz acende-se!
O amor é um estranho
vivendo osctracizado
entre nós!
Como um grito a meio da noite
que fingimos não ouvir
Que nos incomoda o sono
Provocando o imaginário
Assim como os ruídos da noite não deixam dormir
Nem a mais sonolenta das criaturas!

21/06/2003



07-07-2003 15:49:00



“Algo está podre no Reino da Dinamarca!”

Não me governa o Eu
Governa-me o Outro
Inenarrável condição imposta pela natureza-arquipélago
Correndo no ambiente-veia: a Terra!
Alimentando-se de Nós
Serve o corpo-areia a água-moral da não-ilha
Através da família-canal
Estimulando a imitação de Si
Destruindo o Eu
Neste Dinheiro-Governo-Eles Tudo é Não-Eu
Tudo é Eles-Pensamento
Não há Eu-Pensamento no reino da Dinamarca
Só podridão!
Secando os rios e mares que nos rodeiam
Até à inexistência do arquipélago que somos
Transformamo-nos em continente-único
Através do pensamento que nos une
Tornando-se Nós!


15/06/2003






“Hoje o meu nome”


1. Hoje o meu nome nomeia o Tudo
O Mar, o Céu, a Terra, o Fogo

2. Hoje o meu nome nomeia o Nada
O Eu, o Tu, o Não-Eu, o Não-Tu

3. Hoje o meu nome É não-nome
O Tudo

4. Hoje o meu nome Não-É nome
O Nada

5. Hoje o meu nome É
O Mar, o Céu, a Terra, o Fogo

6. Hoje o meu nome É
O Eu, o Tu, o Não-Eu, o Não-Tu

7. Hoje o meu nome É
O Tudo e o Nada

8. Hoje o meu nome É
Jogo

Manipulo (haiku)

Manipulo sonhos e ideias até chegar à perfeição
Inútil para o Outro
Essencial para o Eu

15/06/2003





















Tocando-me Árias de Amor!

Sentada na varanda vagueio dentro dos mundos que insistem em existir (no Eu)
Acumulando sonhos, ideias e versos
Minh’alma queda-se muda e leda em Si
Procura a sua essência
Quando devia estar a criá-la
Fascinante olhar sombrio que adormece nas [mi]nh[as] mãos
...
Como um corvo atraído pelo brilho
Fui atrás de ti
Procurei-te em tua casa, mas não estavas
Procurei debaixo das pedras nos bosques da infância,
Mas também não estavas
Angustiada, procurei-te dentro dos cactos do deserto do Saara
E nem lá tu estavas
Em desespero matei-me e fui procurar-te na morte
Também lá não estavas
Chamei por ti
Mastiguei o teu nome nas entranhas da escuridão
E tu não vieste
Não me ouviste derreter entre a Antárctida e o núcleo da Terra
À tua espera?
...
Não me ouviste chamar-te!
Estavas demasiado ocupada a enfeitar os teus longos cabelos cor-de-sol
No acordar da manhã que te nomeia Glória
Adormeceste com os meus murmúrios na tua pele
Julgando-os serenata dos rouxinóis
Encantados com a tua beleza
Roubada às Ninfas, Sereias, Dianas e Musas de todo o Mundo
...
Inspirando o ar que me rodeia
Inspiro-te,
Deusa adormecida no meu seio
Aconchegando vitórias de estrelas-exército no teu peito de Guerreira Em Tempos De Paz
Tocando o meu Ser transformado num piano
Os teus dedos finos e claros
Deslizam sobre mim
Tocando-me Árias de Amor
...
Embriagada com a tua doçura
Encosto-me à parede de Ti
Fascinada com a intimidade crescente entre Nós
Afogando-nos em Amor Puro
Alada condição do nosso Sentimento
Voa nos Mil-paraísos que nos unem e separam ao mesmo tempo
Uma gaivota voa
Impregnando de esperança a própria Esperança
Desesperada de tanto esperar por ti
Torno-me Una contigo
Vagueando nos mundos que insistem em existir entre Nós!

15/06/2003


Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer explosão interior?

Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer Felicidade
Rodopiando partículas da minha explosão interior
Florescendo no bosque encantado da Ninfa
Aprisionada na tua beleza
...
Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer Serenidade
Descansando as partículas da minha explosão interior
Emaçando-as nas fitas enfeitadas da Ninfa
Extasiada na tua beleza
...
Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer Outra
Espalhando as partículas da minha explosão interior
Amando-as na incerteza da Ninfa
Amanhecendo na tua beleza
...
Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer Morte
Ressuscitando as partículas da minha explosão interior
Matando-as na ignominia da Ninfa
Adormecida na tua beleza
...
Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer Outro
Alterando as partículas da minha explosão interior
Gemendo no prazer da Ninfa
Embriagada na tua beleza
...
Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer Vida
Dando à luz partículas da minha explosão interior
Criando na dor da Ninfa
Atacada na tua beleza
...
Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer Corpo
Enfeitiçando as partículas da minha explosão interior
Magicando no poder da Ninfa
Acordada na tua beleza
...
Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer Oportunidade
Vivendo as partículas da minha explosão interior
Bebendo na fonte da Ninfa
Fluida na tua beleza
...
Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer Amor
Oferecendo as partículas da minha explosão interior
Relaxando na paixão da Ninfa
Amando a tua beleza
...
Que oportunidades perdi de no teu corpo me fazer Questão
Perguntando as partículas da minha explosão interior
Eternizando no perdão da Ninfa
Sacralizando a tua beleza
...
Que oportunidade perdi de no teu corpo me fazer Tua
Tornando tuas as partículas da minha explosão interior
Amando na Glória da Ninfa
Profanando a tua beleza!
“Sem fim”

Equilibro-me na corda bamba do Amor
Rasando na Terra qual ave de rapina
Ser do ar
Voando no meu imaginário
Desvio-me de fadas e elfos que encontro nas nuvens
Deitados num sono semi-eterno
Interrompo-lhes os sonhos para perguntar de que cor é o céu
-“Esta tarde é azul, mas ontem foi vermelho!”-
E prossigo viajando no teu corpo de mar
...
Infinito jubileu de paz
Incomoda a consciência dos senhores da guerra
Quezilentos de revolta
Partem para o Oriente pacífico
Provocando mais guerras
Sempre insatisfeitos com a vida que levam
Mas nada fazem para a melhorar
Condenando a Humanidade a este ciclo de violência
Sem fim


15/06/2003




“É só mais um dia”

É mais um dia daqueles em que acordo sem ter dormido sonhos de fadas Orianas.
É mais um dia que me fustiga a face com cicatrizes de Gula.
É mais um dia que vivo sem planos de realmente o viver.
É mais um dia que não aproveito.
É mais um dia à face da terra que nos irá engolir um dia.
“É só mais um dia”, mas porque pareço não o conseguir suportar?

15/06/2003


















“Não confesso a dúvida que me assalta”

Caminho neste troço que crio
Duvidando da própria dúvida
Assaltando-a por vezes com certezas
Alvejando a incerteza do meu sentir com a flecha do Amor que Amo
E não confesso os dias que vivi sem Amar
Não confesso que não sou capaz de me Amar
Não confesso a dúvida de existir
Não, não me confesso!

15/06/2003


















Atravessa uma porta escondida
Dentro de ti
Leva-te aos cantos da consciência
Esquecida pelos guerreiros revolucionários
Sonhando a liberdade na prisão
Criada por eles mesmos
Combatendo sem foice nem martelo
Transformando-se no facho de trigo!

16/06/2003















Cansaço


Um ser pesaroso apodera-se da minha vontade
Lançando-a aos lobos
Força a entrada no meu íntimo
Dedilhando gemidos e latidos de antecipação
Alimentada pelas carícias das pétalas dos teus dedos
Que são como estrelas numa noite de Verão
Abandonada
Beija a penúria e a desgraça suas irmãs
Renegadas pela solenidade da compaixão
Estátuas quedam-se num monólogo
Repetitivo viver da estupidificação
Inexacta
Solidão que abraça a sombra numa dança
Entre o abismo e a loucura
...
Um ser pesaroso apodera-se de mim
Assim como a Lua da Poesia
Sugando-me a vitalidade como se fora líquido-comum
Drena-me o sono
Ocultando a porta dos sonhos e dos delírios
Abre a janela da lassidão de vontade que me consome
Tornando-me nela!

17/06/2003

18-06-2003 19:00:00


Magia de Criar
Esta é a Magia do saborear a Vida
E seus diversos sabores, desde o Doce ao Amargo
Com o mesmo Sorriso Impertubável no Coração
Amar sem nada julgar ou Esperar...
Viver a vida tal como Ela É!!!
Esta Magia é o Exorcismo feito Escrita de tudo o que Somos,
Da Vida feita Anjo,
dentro dela todos somos pequenos Querubins do Amor
Que nada pede, que nada espera, que tudo Ama!

10-05-2003

















E sempre apaixonada...
pela sua própria loucura!
pela sua própria vida!
pela sua própria paixão!
e apaixonada ando ventos e mares,
viajou e conheceu e beijou montes e montanhas...
apaixonada viveu,
apaixonada se tornou paixão feita objecto!





















E comandas corações
numa guerra onde quem tem medo morre,
comandas corações através da perfídia e da ilusão
para alcançar a vitória de Ser na atmosfera do Não-Ser!























Caindo pró mundo perdido
que se acha e (des)acha e não quer achar...
que se perde para mim, que se perde...
mundo perdido para ele próprio, para a vida!
Caindo pró mundo perdido no meio da salvação























À espera que lhe dêem a mão
para não voltarem ao tornado
que os faz girar no espaço-tempo
como se este fosse um brinquedo
de uma criança egoísta
- como todas elas o são -
que o não empresta ao irmão...
Ficando eu balançando no tempo
à espera...
12/5/2003-06-02


















Preso ao teu olhar
límpido e cristalino feito inocência
num corpo de sedução...
preso ao teu olhar
sincero e seguro como uma teia
de uma paixão que me envolve...

14/5/03




















Trevas

Pouco a pouco fui levantando
o pano que me cobria
no dia em que a vaca morreu,
arranquei-o de vez,
para nunca mais me esconder
rasguei-o!

- Povo que te escondes, de que tens medo?
Do vírus altamente contagioso do conhecimento?

- Vai. Desce desse lago de calmaria...
Vai, vem juntar-te àquele rio inquieto!
Vai, sê o rio que se junta ao mar num turbilhão e aprecia a imensidade do teu poder!

- Não, povo... Não te enroles como uma lagarta por te tocarem... Intocáveis nem os pagãos o eram, e os que o são... São tristes, povo!
Tristes por não saberem o sentimento! Por viverem sempre no mesmo estado de luz, sendo luz e nada mais que luz e, mesmo na escuridão, luz!
Enquanto que tu, Ó povo... Tu conheces-te luz, mas também te conheces Trevas!

13.05.2003





Vai morrendo na lonjura do que se lembra
Vai morrendo para lá dos limites do esquecimento
Vai morrendo...
Vai ser esquecido!!!
Esquecido pelos gatos que vagueiam nos quelhos,
Esquecido pelos raios de luz que outrora o amavam,
Esquecido pelo próprio esquecimento...
17/05/2003
























Descobri o que não disseste
nas veias de um sonho em asfixia
vendi-me na corda do morto
e bebi a seiva da loucura...
19/05/2003



















Fustigo o meu ser com o chicote do medo
Sorvo a rugosidade da (minha) embriaguez de luz,
entre a loucura e a insanidade
o sonho comanda o exército da realidade esquizofrénica!
Hoje sou eu, apenas!
Sede de alegria,
fonte de prazer!!!
Deito a sacralidade num cálice profano que transborda,
cheio de energia nínfica.

23/05/2003


















Não te quero, amo-te!

I lost my love in the deep meaning of life!

Perdi o meu amor na profundidade do meu Eu!
Em ti me perdi e encontrei,
Mas quando te vi nunca mais me achei
Capaz de te amar...
24/05/2003



















Somos livres
A frota das delícias de um qualquer veneno decrépito,
Velho e a cair aos pedaços
É comandada pela manta de mentiras,
Dúvidas e incertezas voam,
Como setas disparam em “mil direcções contrárias”
Com a certeza inusitada de te amar
E não te desejar,
Com todo o amor do mundo que nutro por ti,
Mas “quem ama liberta” e somos livres,
Meu amor, somos livres!
24/05/03















Porque temes?
A inclinação irregular vinda da exalação de Mil-Fogos-Apagados
Suspira e estremece de terror...
Passo a passo, aproxima-se de ti... E tu foges, meu amor... Com medo!
Porque me temes, mundo?
24/05/03























Única
O espelho da repetição reflecte-se em inúmeras reflexões
Que se estendem até à cópia do meu não-eu
Repetindo-se no teu infinito...
Será que chegará à não-cópia do meu eu?
25/05/03
























São pérolas

Uma estrela adormece
Entre ventos de discussão
Indiferente à tristeza perece
No fundo do coração
Fez-se cidade inteira
Perdeu-se sono
Chegando à minha beira
Bela vestida de sonhos
Quebra-se o viver desmesurado
Dos pós de alegria no altar
Outrora pagão sacralizado
Silêncio ensurdecedor no ar...

Bebe, estrela, bebe!

Faz-te embriaguez de loucura
Sorve tudo até á última gota
Não deixes cair nenhuma
São pérolas, minha estrela,
São pérolas!

26/05/2003



Rompam-se! (I)

Rompam-se todas as raízes-explicações
Entrelaçadas
Em perdizes azuis
Fingindo
Voar o sopro-oculto
Do
Eclipse-sonâmbulo inerte
Iluminando a própria luz
Escondida nos limites-sombras
De esqueletos
Espumando por esmola
Consegue perverter o néctar
(das sereias, das nuvens, das musas, das ninfas, das deusas!!!)
Simples fluido corporal
Do corpo-chave de uma algema lúcida
Secretamente vestida de liberdade
Mordendo as três-grades da comédia-voada
Num despenteio-rouco e sensual
Coberto de obscena volúpia
Arranhada no simulacro de uma pira-olímpica
Ultrapassando as cinco chagas
Espiral de êxtase absurdo
Onde se cobre de escuridão-incompleta

26/05/03
Não!
Que não te saiam elogios
Dessa boca-relógio...
Hoje não quero ser panóplia
Verdades que não me conhecem
E ostracizo!
Não!
Que não te voem simpatias
Dessa boca-nuvem...
Hoje não quero ser hoje
Não!

27/05/03















Búzios
Já não ouço o cantar do não-búzio
Da praia inventada na bruma
Perseguindo a poesia
Cavalgando a brisa efémera
Carregada de vestes de uma Ninfa
Distraída entre a apreciação
Da vida e da morte!
Fugiu-se-me o não-cantar do búzio
Da praia real na lucidez
Fugindo da prosa não-lírica
Escravizando a terra eterna
Despida de um qualquer Deus
Compenetrado nos negócios
Do limbo e do purgatório

28/05/03






















Rompam-se II

Rompam-se todas as recusas-choradas
Expostas com sufoco
Montras de murmúrios que se estendem
Voando numa planície de complicações
Molhadas por sopros-pardos
Aguçando o mais gelado
Dos polares a sangrar
Fogo
Ardendo-se sujidade que devora o gelo
Ainda ontem calcado e apagado
Na esperança de abrir a porta
Da tua boca
Com a minha língua













Rompam-se III

Rompam-se todos os preconceitos
Que nos cobrem a carne
Semeadora de nuvens, bandeiras e transes
Disfarçados com vestes de andorinha
Inventando descaminhos voados
Através de tecido com cio
De candeeiros pálidos
Despidos de pudor
Do seu próprio corpo-emplumado
Divorciando-se e partindo
Descalço aos tombos pelo subterrâneo
Das emoções proibidas
Pelo clarim da inveja e da suspeita
Ansiando por vingar o estrangular-mecânico
Das suas primaveras
Protestando a destruição da ponte
Entre a pastora e seu rebanho-fantasma









Rompam-se IV

Rompam-se todas as fontes de cisma
Desdém laranja
Desviando o olhar da caveira
Coberta de musgo
Bruma-sonhada e melodia de violinos e violoncelos
Enfeites inventados
Do desespero vermelho e negro
Do jardim enforcado por amar
Uma árvore
Sonhada na inocência da concepcção
Dormida
Prolongada até à proibição da nudez
Ressequida da sede de invenção













Rompam-se V

Rompam-se todas as mãos-floresta
Dedos-árvore e cabelos-vento
Cuja voz ecoa nos búzios da insónia
Alvoroçada pelo rapto inútil da lua transparente
Fabricando arrancos de gozo desnudo
De ternura
E laivos
Vestidos de bebedeira infantil


















Rompam-se VI

Rompam-se todos os embalos virados do avesso
Incendiando lepra e tuberculose mental
Adormecendo a insónia-imóvel
Trôpega de véus-súbitos súbditos e quietos
Vítreos e indefinidos
No recorte de um sentido
Esmagado
Miríades de estrelas afogando a noite
Numa valsa-espanto de amor
Cheio de dúvidas, indecisões e incertezas
Enchendo a lentidão lenta de trovoada-paisagem

Enchê-la de batas vestidas de amargor derretido em rasgos de rastos
Gula que beijas na mania de ser sabor repelindo o princípio do final da salvação dos ecos alheios ao não-perigo de ser com asas de sereia-colar
Dispersando laivos nascidos nas lágrimas-mastros
Arrependendo-se de se arrepender do arrependimento arrependido









Rompam-se VII


Rompam-se todas as garras-ferozes que gerem
Olhos-febre húmidos de mistérios
Semeando faíscas-movediças nas cristas
Quadradas
Lutando pelo tecer
Duma não-arquitectura exígua
De ramos-flores feita buraco-comovido
Decifrando o incesto da Lua e do Sol
Herança-vaga caída pró descanso do deserto
Concreto perdido na abstracção
De um tambor descerrando súplicas-cativas
Enroladas no veludo
Caiado de musa-espanto
Desenhando bolas-majestade
Imperfeitas na sua não-perfeição
Intacta
Dispersando unhas-bala
Atingindo gumes decepados
Por uma ampulheta-pedestal
Abrindo alçapões-suor
Desabitando
O muro-habitado por seres místicos
Visíveis
Apenas ao olhar fortuito
De uma criança-ninfa feita lolita
Trespassando o calcetar das ruas
Trespassadas
Por simulacros de dor-entranhada prestes a rebentar
Apagando com a sua explosão
O archote-eterno que mora no centro do meu Não-Eu



Rompam-se VIII

Rompam-se todas as páginas-folha da minha vida-escrita
Antes de o ser
Fervilhando barbas-dançarinas
Numa fita de cinema rasco feito novela mexicana
Atrasando o som encafuado
Nos picos afobados de uma nova entrada
Borbulhando riso-demónio
No entendimento tecido no além-compreensão
Aclamando nova versão
Antiga visão
Vestida de azul-contínuo e infinito

30/05/2003













A minha princesa desalento

Vim do mundo dos sonhos destruídos
Toda princesa desalento
Propor a vertigem de mares reconstruídos
Toda sonhada ao vento
Reviver a magia de inventar tempos idos
Toda serena relento
Beber sabedoria em cálices vividos
Toda loucura no intento
Esbofetear todos os actos irreflectidos
Toda saudade encantamento
Volto para o mundo dos sonhos destruídos
Toda intenção de contentamento!

31/05/2003












“Ser ou Não Ser?”

Eis a definição do meu ser
Na escrita naufragada dos meus delírios noctívagos
Carregados de feminilidade felina e personalidade de estranho surrealismo
Preso ao fio da loucura
Perseguindo a crente e a descrente
Namorando a ambivalente
Dúvida do meu coração-investigador de mundos sem amor
Sem paixão, sem verdade, sem Ser
Indelével fastio
Farto de pairar na eternidade infinita
Navegando no vestir o Universo de Busca
Perfumando com essência de Magnólia
O quarto da freira
Cultivadora de flores da morte e da vida
Vestindo-se de lascívia
Pecando
Só contra si mesma
Negando Ser!

31/05/2003






Os anjos da guarda nunca te viram assim, musa!
Estrangulas toda e qualquer nuvem-hipótese de asas-felicidade que te apareça à frente…
Entre portas de estar não vou mais passar
Até te poder dizer que te amo amar!
Gemo ruídos de ilusão sonhando contigo a Ser – mais nada –
Abraço de eterno-fervor,
Passe de mágica com crises existenciais
- que todos nós temos –
Concha-onda que se abre dádiva
Oferecendo a sua pérola-amor sem pretensões!
A horas que nem todos os relógios da vida conseguem marcar
Hostes angélicas brincam connosco
Exagerando tudo ao expoente-mor da Loucura que nos persegue
Elogiando a nossa vontade Natural
De continuar a viver…
Amando!

31/05/2003
















Heras cresceram em demasia
Entre a ternura que há em ti
Loucura subentendida no peito
Elevado ao expoente máximo do Amor
Natural como a nossa sede:
Amemo-nos sem preconceito,
Helena!!!

Houve um divórcio de temporais
E tempestades no meu peito
Levantamento entrecortado e louco
Elevado à sede d’amor
Natural como a própria vida
Amar… sem preconceito!
Desaparecem a toda a hora
E a hora nenhuma

Esperanças de num dia
Viver a música sedenta de ternura
Ouvindo-te a Ser confundo-me
Relicário feito objecto imortal
Amando sua cruz de cristal

Anda uma luz a viajar
Murmurando delícias-surpresa
Espelhando a sua alegria divina
Maresia que brota dos búzios perdidos
Ostracizando-os para todo o sempre
- Na loucura de te saber tua –
Navegando-nos sem compaixão
O direito de amar quem queremos
Só por do mesmo sexo sermos!
31/05/2003























Só, sinto-me multidão!
Às vezes quando estou sozinha
Sei que não sou uma
Nem duas ou três…
Sou todos, sou muitos,
Sou UMA MULTIDÃO
Que abraça o Ser com toda a Força
Que possa haver neste Reino
E no do Além!

1/06/2003

















Serás minha, para sempre,
minha musa, minha deusa,
minha fantasia do teu ser
alado
levemente pairando como delícia
sobre o meu Eu fascinado contigo
arrepiando-se ao som dum suspiro
que traz consigo a alegria do amor

2/06/2003

















Tenho algo a confessar-te, minha querida Helena. Somos iguais! E, como igual te digo: Ama! Eu amo-me e amo-te... amemo-nos, então!

Tulipas gritam o vermelho do teu Ser
Etéreo correr nas colinas da vida
Narrando estórias de encantar a própria
História de mundo-flor
Ostracizado por nós!

Amo viver-te doce ternura
Lírio do campo-árvore da fantasia
Garrida de magnólias-luz
Obtidas pelo raio de morte-vivida

Amor que se pinta em ti, em si(!)

Com tinteiros de alegria raiada
Oferecendo-te a existência num sorriso
Naturalmente brilhando na tua alma
Florescendo pôr-do-sol que se esconde
Evitando a tua beleza envergonhado
Sofregamente formando raios-de-luz
Secretamente incompletos
Aspirando a tua beleza inocente
Recriar na ponta do seu brilho
- que baila cintilando nos teus olhos –
Tonto de bebedeira-infeliz
Embriagado de felicidade-património

Maravilhas surgem sonolentas na essência
Interior do teu Eu
Nebulosas-vivendas mais tarde
Horrorizam-se de preconceito subitamente
Alteradas ao vislumbrar a verdade

Qualquer que seja a sua velocidade
Úteros unem-se sonho-perfeição
Espelhando vibrações e estremecimentos
Revivem num mundo real
Imaginando o irreal
Duvidando da própria existência
Albergando certezas no coração

Heróis de cinema falharam a missão
Espantados com a própria admiração
Levaram-nos para um mundo
Eternamente povoado por seres
Naturalmente sobrenaturais e curiosos
Alcançando a dúvida-imortal

!!!

Saltemos deste mundo
Ostracizemos o nosso cosmo
Marejado de maresia a nosso custo
Olvidado de si próprio no esquecimento
Sinal da vinda de uma Nova Era

Iniciada com o som de uma guitarra
Gritando dores, lástimas, sofridos
Uivos de quem se dá astro
Altura de fome e suor
Infinito de alma e vida
Sangrando através da poesia

!!!

Entre nós, um mundo que nos une(!)

Consumidas pelo próprio canto
Ouvimos a nossa voz-passarinho
Maravilhadas pela sua cristalidade
Obscura que suavemente entorpece

Inicialmente com medo do mundo
Gritando fúrias de não-viver
Urge combater a inércia
Alecrim doirado da minha vida
Loucura inerente na minh’alma

Tua vontade de fugir
Enclausurares-te da solidão só(!)

Deusa, és uma deusa!!!
Indícios de saber-cócegas
Gostariam de te conhecer
Os caminhos tão bem escondidos

Âmago do teu ser
Mãe de todas as Ninfas
Ama-me nuvem que não se evapora

!!!

Estrela feita gaveta-noite
Unida por uma cómoda-luz

Ansiando por alguém que a acenda
Móvel querendo ser apreciado
Olá
- Te dizem as riscas-maravilha-deste-mundo –
Mundo azul que sem ti
É deserto amarelo sem sentido

Existencial qualquer

A viagem das nossas almas
Mantém-se no mesmo curso
Obcecada com a paixão
- Paixão, paixão, paixão... –
Tento escrever algo que te
Eleve ao pedestal de que és digna

.
.
.

Almejo beijar-te a alma
Mistificando o tempo perdido
Escondido nos relógios-distância
Mundanamente vívidos entre
Ósculos-paixão em flor
- Não a flor da morte, mas a da vida –
Navegar pelo teu corpo-montanha
O sonho de qualquer borboleta
Sonolenta no seu voo

Entretanto me despeço
Na esperança de te poder tornar
Templo-felicidade no altar da vida
Alegre e confusa me confesso Amor
Ou se “não”, pranto de dor

!!!


2/06/2003




A desditosa companhia da existência
Torna-se cúmplice da consciência
Estabiliza a ordem penetrante
Incitando a memória do tempo
Áureo dos corpos apaixonados.























Alado fugir da minha vida
Escondida nas árvores do teu corpo
Ressequido pela constante da existência
Nulidade que o não é!
Epítetos dignos de ti? – Nem um!!!
O teu ser borbulhante faz-me cócegas
Nos meus beijos-dedos...
(Penso-te pessoa, penso-te paixão, penso-te amor, penso-te minha!)
3/06/2003



















Hoje acordei com o teu cheiro na minh’alma
Relembrando-me que nunca estive assim
Contigo voo no céu-limite da minha paixão
Ignorando todo e qualquer preconceito
Atravessado na garganta dos Outros
“Ignóbeis, tísicos, míopes masturbadores!
De viagens entre o sim e o não
Foge, foge da sociedade cheia de medo
Tuberculosa de compaixão e inteligência
Amargura de não nos compreender,
Musa!
4/06/2003















Venenos queimando a tua pele de Nácar
Indignadamente revoltados contra mim
Musa enfeitada de ventos e maresias,
Tambores e tamborins,
Tamboretes que se recusam a tocar
Até tu lho pedires com esse olhar
Inebriante de desejo
Poder hipnotizante das Ninfas
Abandonadas
Faz-se um Carnaval de Mil-Sóis-Ardentes
Atravessando o Universo-distraído
Esquecendo-se das chaves da Porta da Vida-Eterna
Atrás da capa-mágica dos cogumelos
Na floresta do teu Ser Níveo
Embriagado de Mil-Luas-Bailarinas
No brilho cintilante dos teus olhos
Dançando a valsa dos amores e desamores
Através dos tempos e não-tempos
Que se fazem milagres de ingenuidade
Na inocência de um beijo roubado
Na alegria de te Amar
Possuindo-te nos Dias e nas Noites
Imaginárias do Real e do Não-Real
Acariciando mil vezes a tua essência
Digna de Mil-Adorações
Vestidas de Amor incondicional por ti,
Helena!
7/06/2003
Só Amor!

Liberta-se o casulo do meu estar
Alado que te corrompe
Fortalecendo o estado embrionário
Da loucura que nos persegue
Através dos tambores que ressoam
Lamentos de sobriedade
Lúcidos de bebedeira vestida de sanidade
Tocando o cume da vitória
Por vencer
Na expressão da mais alta generosidade
Oferecendo poesia
Na ponta dos beijos insanamente apaixonados
Aspirando por um momento
Para que possam sobreviver aos temporais
Incultos que nos tentam
Sem sucesso
Arrebatando-nos para um Amor Sublime
Sem limites, sem fronteiras, sem ciúmes,
Só Amor!

7/06/2003














Rios de lágrimas brotam dos teus seios insanos
Cordas saltam
Abrindo mundos de entendimento
Paladares caem
Fechando universos de desentendimento
Felicidade existe
Penetrando mais profundamente no Ser
Dança escorrega
Mordendo gotas desses rios cruéis
Mulher ama
Ansiando pela reciprocidade desse Amor
Plantação cresce
Metaforizando a nossa estranha relação
Feita rio de amor insano!

7/06/2003












O globo faz cócegas na sorte de um fantasma
Perdido na continuidade do meu corpo feito esperança-luz
Entre as trevas
Bamboleando um sorriso estampado nas vestes
Transborda sede inefável de coragem
Escorrendo limites de loucura azul
Conversa duas falas com dois monólogos
Arrepiando-se na leitura
Da vanglória de soprar sucessos
Vorazes no seu voo mental
Através da raridade da confiança
Apesar da acidez reinar
Confronto-a com a minha doçura
Enternecida no corpo endoidecido na brisa
Fugidia
Existo furacão na beleza
Acendida em flecha tocando incendios de ardor
Desejo que não desaparece na bruma
Vasos de mercúrio ardem
Ecoando chamas de Mil-Fogos-Vermelhos
Ideando foices e martelos
Na ousadia de sonhar
Mundos de Giocondas sorrindo enigmas
Acordando para os desencantos
Deste mundo de preconceitos e discriminação
Escondida nas entranhas dos Outros
Nas entranhas dos Infernos-Acesos
Prenhes de tambores
Sem ritmo, sem som, sem razão de Ser
Sem nada que os façam tocar
Batidas de vida
Presas nas melodias da compreensão
Refugiada no súbito interesse
Feito humanização
Resgatando Luas-ladras
De ladrares e luares
Enfeitiçando o canto da Sereia
Pura sedução
Buscando companhia na perfuração da existência
Corrompida pelo clã de Mil-Lobos
Arreganhando os dentes-foices na tua frente
Perscrutando a não-alma
Tornando-a fé de ateu no revolver do túmulo de Lilith
Deusa demoníaca do fruto da tentação
Alcançada com uma só nota
Vivida no acorde de uma guitarra
Chorando uivos de tristeza-arrependida
Confusão emocional na cratera
Do meu Eu-vulcão
Explode
Cinzas martelando a vontade inerte
De movimento periclitante
Lava incandescendo a visão de uma fada oriana
Perdida na floresta-memória
Duma criança outrora feliz
Gritando laivos de terror
Assustada com o tamanho do mundo
Que lhe cresce no corpo
Fervendo deslumbrando a natureza-mãe
De mil-hostes-apagadas
Com a perda da inocência da mente
Experienciando o não-amor
No infinito do Ser
Embandeirando bebedeiras de vermelho e preto
Na estupidez de existir
Revolta por escrever-viver
Denúncia de Quem-Não-Quis-Ser
Nulidade de raiva prometida na sombra da voz-formigueiro
Cofres de segredos-azedos de tanto tempo escondidos
Abrem-se com a boca escancarada
Esfomeada de sangue
Enlamecido de neologismos paradoxais
Da esquizofrenia imaginária que me acompanha
Definindo nuvens de pensamentos
Assim como se desenham esquemas em branco-papel
Esquecido
Sufoco de verde fraquejar do meu Ser
Flameja campos de energia positiva
Entre nós
Uma lista de tarefas por cumprir
Cresce como um monstro que implora pelo golpe de misericórdia
Almejando o fim

7/06/2003
Dedicatória

Traz-me cores de cacofonia desenfreada
Viajando através da Magia de Criar
Certidões de serenidade feita alegria
Viver sem preocupações ou generalizações
Sabores estereotipados com a certeza ignorante de chocolate saber a algo doce
e não ao que é: chocolate!
- Mais nada!-
Voado beijo que alcanço na beleza de existir
Nem perfeição nem imperfeição
Apenas existir
Dedico-te a minha existência
A ti, que nela vives!



7/06/2003










Dedico-me a ti,
Que vives no lento existir da minha infância
Escondida nas brumas da memória
Pintando mares de lilás-destino
Raiado de sombras-riso da fragilidade humana
Erguendo o seu rubor na ingenuidade
Traída pelo seu consorte.
Dedico-me a ti,
Que bebes da taça mágica da loucura prateada
Encadeando Elfos, duendes, fadas, gnomos...
Todos o seres mágicos
Vivendo na Gruta-mistério da minha Entidade-Mito
Derretida por Mil-Ternuras
Burilando estrelas-do-mar na sua Não-imperfeição.
Dedico-me a ti,
Que dormes no Sentimento de quem se dá
Amando o escorregar da poesia
Através da caneta como um rio
Fluindo de uma nascente-inspiração divina.
Dedico-me a ti,
Que inspiras o mais inspirados dos seres
Expirando frémitos de paixão
- em permanente convulsão-
Suspirando por uma Oportunidade de tudo arruinar para depois poder
Recomeçar.
Dedico-me a ti,
Que devoras uma quantidade incomensurável de saudades
Como se nada fosse, como se o céus fosse azul e o inferno encarnado,
Como se eu fosse mulher e tu nada fosses...
Dedico-me a ti,
Que cresces no grito de um novo alvor
Gota de céu neste mar de nuvens
Ideias que nunca nos abandonarão, Musa!
Musa?
Estás aí?
Dedico-me a ti, Musa!
Dedico-me a ti,
Que Amo!
7/06/2003

















O meu Amor enchia a Lua de uma bruma bruxuleante nessa noite
Caiada de níveo alvor
A menina dançava nos meus olhos
Borboleteando o cintilar num suspiro animado pelas fadas Orianas
Pairando à sua volta
Perfazendo uma aura de paz e magia
Oniricamente matando a fome, a dor e a solidão do mundo
Num rasgar de foice, num bater de martelo
Até que a Igualdade chegue num batel de Irmandade
A Flor da Morte abre-se à meia-noite
Das horas dum relógio que não existe na Vida-Monotonia
Assim como não pode existir na Alegria
Surrealizada pelos Elfos de nomes sonantes
Cantando o sonho e a loucura no seu dia-a-dia
Enfeitado de amarelo
Bruxulear de imagens recorrentes na minha memória
Leva-me a viajar na intimidade da Noite, da Lua e das Estrelas
Que hoje estão mais belas que nunca
Maquilhadas pelo pintor do Pôr-do-sol
Observo a Lua a dizer-me adeus
Cansada de existir,
Cansada de inspirar Mil-Poetas-Esquecidos
Cansada de iluminar,
Cansada de guiar crianças perdidas no bosque quais Hansel e Gretel
Cansada de entreter,
Cansada de ser cantada por trovadores de tempo-infinito
Cansada!
10/06/2003
Que horas são estas?

Que horas são estas que nos separam o Ter do Dar e o Ser do Fazer?
Que horas são estas que nos transportam para outro mundo?
- Um mundo sem cor, sem amor...-
Que horas são estas que nos maquilham de viúvas-alegres no momento mais irrequieto das nossas vidas?
Que horas são estas que nos fazem chorar o Tejo e o Guadiana num só pranto?
- Um pranto sem cor, sem dor... –
Que horas são estas que nos escondem do resto do mundo atrás duma janela de intrigas, medos e mentiras?
Que horas são estas que nos raptam do nosso seio para uma floresta de elfos traquinas?
- Uma floresta com cor, com amor... –
Que horas são estas que nos encantam as palavras e as vírgulas que não podemos mais usar?
Que horas são estas que nos chamam como sereias do fundo do mar?
- Um mar com cor, com dor... –
Que horas são estas que não se marcam em nenhum ponteiro do teu corpo?

11/06/2003









Era uma vez um anjo-poeta que voou no sonho do “para sempre”!

Era uma vez...
Um anjo sem asas querendo voar
Arrojou santo, ventos e promessas
Conseguindo brisas de sonho-esperança
Embalado por um doce cantar
Encoberto se quedou mudo
Quieto e adormecido
No seu sono de querubim
Esquecido pelos poetas do hoje e do agora!

Dedicado a anjo_poeta!
11/06/2003














A geografia do teu corpo coloca-me entre condições inversas
admiro-te figura que se desenha na minh'alma
colorindo cidades abandonadas por um Deus qualquer
bebendo saliva encadeada com a tua luz suprema
padrão tatuando a divindade que mora em ti
escondida nas nascentes de rios impetuosos
dirigindo-se na noite sem estrelas
accionando tua sede de mim em ti
amando-te sofrega do teu espírito-calmante
anestesia do meu Ser viciado
condenando Mil-deusas de véus rasgados
enfatizando a suavidade cruel da corte
profundidade de mil-facas-sangrentas de ódio
destilado no apagar de fogos-desejo
criando uma morfologia
namorando a visão sonhada no real da minha vida surreal
estar de infinita gratidão (plena de graça)
anseia o jubileu
incandescendendo Mil-sombras-viúvas de céu
chorando a diversão da sua prole
prenhe de patologias insanas de loucura azul
levitando na plenitude de saber existir
certeza que nos une como um poema
bebeda de amor...
Transpira, Musa, transpira-te!
deixa-me sorver-te,
deixa-me ter-te em mim
como orpheu nunca teve sua amada
Ninfa que reinas no meu mundo,
deixa-me possuir a tua essência!
Transpira-te!

























Si dó ré mi lá sol


Eis-nos na presença de uma criatura
abandonada pelo seu cruel criador
enquanto era castigada pelo amor
tatuando-lhe a alma outrora pura
liberta de medos e ressentimentos
inculcados pela imitação de Si
salvaguardando a vitória do pobre Dó
que o segure nem Ré nem Mi
Lá bem pra cima do Sol!
13/06/2003















Nada dormi, meu amor!

Palmilho teu alvor de Sereia - teu corpo de Ninfa virginal,
procurando por mim
entre a floresta e a montanha do teu espírito
adivinhando-te gemidos de prazer antecipado
excitando-te os botões rosáceos do teu Ser
Calma que não tenho na alma
dissipa-se por completo
tornando-se fogo que m'a consome
como se fora um punhado de papéis
atirados ao vento contra a parede
Murmuram murmúrios outrora
Murmurados no silêncio da noite que me engole
aconchegando-me no seu peito
velando por meu sono como mãe
Salpico teu corpo de Diana com feitiços de amor
Zumbindo incertezas eternas
apagando trevas que se formam em teu redor
procurando afogar-te nelas,
unindo tristeza e beleza num instante
erguendo uma nova madrugada
torno a dizer: "Nada dormi, meu amor!"

18-06-2003 18:59:00


Improvisos
Improviso

Fala...
Fala muito!
Fala até não poderes mais!
Fala até rebentares e todas as partículas
do teu ser espalharem-se em mil pós
de alegria e incendiarem a lua de desejo!

9/4/03


















sentimentos também sentem

Os sentimentos precisam de amigos
também sentem a tristeza da solidão
escondem-se deles próprios com máscaras!
Eles têm vida própria,
por isso que às vezes nos sentimos assaltados por uma força enorme
de alegria ou tristeza cuja causa desconhecemos...
São eles,
a partilharem a sua essência connosco!
E hoje é um desses dias:
A tristeza sentia-se triste
procurou em mim uma companheira
e eu estou triste com ela
e abraço-a...
Até que ela sinta que não precisa
mais de existir e se canse de ser UNA comigo!

15/04/03









Joke

- Perdoe-me Padre, porque pequei...
- Dize, minha filha...
- Cedi à tentação do demónio, comi um saco de chocolates...
- Mas, filha, isso não é pecado!!!
- Pois, Padre, mas se eles não forem seus é!




















Sai!

Sai! Sai! Sai! Três vezes: Sai!
Porque não sais? Porque não me abandonas,
Espectro imundo que foste?
Deixa-me,
Memória do que foi...
Que me assaltas o pensamento e a líbido
Sempre que me distraio,
Feito ladrão!
A imagem de nós dois unidos
(Sensualidade frenética)
assombra-me quando me aproximo do prazer...
Como uma maldição,
Sim, aquela que tanto invocas!
Corta-me a excitação, o feeling, o clímax
Ou o orgasmo, como lhe queiras chamar...
Deixando-me condenada a este frio
Que se apossa de mim mal pense
No que fomos,
Que fomos!!!
Quando penso que errei,
Que não tínhamos razão de existir,
Que se algumas vez houvesse sentido
Para esta nossa relação, que era mentira,
Negação da própria vida, da própria essência do sentir!
Não o era, nem nunca foi:
Magia? Não... Ilusão!!!

20/04/2003




























luz e sombra

Por vezes estamos tão ofuscados pela luz da felicidade que tanto almejamos, que não conseguimos apreciar a beleza que a escuridão nos oferece, nem a brincadeira das sombras que nos tocam no ombro e logo se escondem num canto!...

21/4/03























“Sublime”

Amanhã vou nascer gota cristalina que se dá! E quando o mundo me provar vou sentir-me sublime!
Escrevo-me amor no meio da cacofonia do medo! Far-me-ei bebida, estrela serena de abertura!
Serei eu, sem nada fazer!
Hoje sou Deus, amanhã serei Vida e depois de amanhã Puta!
E tudo permanece na mesma lentidão, até que o tempo exista... Acordado!

(24/04/03)

















“Vinte e Cinco de Abril”

Fiz-me Liberdade.
mas tudo era prisão!
Senti-me Amor,
mas ninguém me sabia!
Provei-me Experiência,
mas nada mais havia senão Dogma!
Hoje sou Fome de Saber,
E vivo na ânsia de me tornar Realidade!

25/04/03












“O nascimento das palavras”

Palavras novas de proveniência estranha, a velha rabugenta queixa-se das dores dos pontapés. As palavras sentem-se a sufocar naquele ambiente húmido e escuro, parece que estão presas, mas sem causa que justifique, pois ainda nem nasceram, como podem ter cometido um crime? Decidem que; mal se vejam livres daquele cordel estranho, que intervém sempre que têm fome e que as agarra mal elas tentam rodar à sua volta e ver se encontram buraco por onde fugir, se dirigem à autoridade mais próxima e fazem queixa! Estiveram presas até uma manhã em que se sentiram como que empurradas para um túnel apertado e escuro. No final desse túnel repararam que havia luz e umas figuras esquisitas, mas não fizeram caso e deixaram-se estar quietas. Então as figuras mexeram-se e viram uma delas aproximar-se com um objecto metálico, um intruso desconhecido para elas, que as raptou daquele aconchego a que já se tinham resignado e as fez sair pelo túnel.

25/04/03
















Lua estranha

A lua que vive na minha mente está a levar-me à loucura!
Chama-me com todo o seu esplendor luminoso,
suplica-me que lhe preste homenagem!
E eu uivo a essa lua imaginária demente, por todo o Momento Eterno.
Uivo em surdina, num silêncio gritante que só ela, a grande Musa sabe apreciar!

28/04/2003
















Sonhos de Clara


Capítulo I



Clara Estava sentada no sofá da loja de sua mãe a ver televisão quando, de repente, toca o telefone e Clara tem que atender :
- Está sim?
- Filha, é a mãe, fecha a loja, vem ter comigo ao banco e não te esqueças das chaves!
- Ok, até já!
Clara no seu habitual modo fleumático levanta-se do sofá, coloca o telemóvel no bolso e fecha a loja levando as chaves como de costume! Daí que se tenha surpreendido com a mãe, por esta ter dado especial entoação às chaves.
Quando chegou ao banco nem teve tempo de procurar a sua mãe, caíra logo zonza perto dela – um homem com uma máscara de ninja mandara-lhe uma cacetada, tirando-lhe de seguida as chaves.
Enquanto isso o seu comparsa segurava trémulamente um revólver na mão direita com a ajuda da esquerda assegurava que todos os reféns se quedavam ledos e mudos num dos cantos do edifício para que o outro pudesse assaltar tudo e todos à vontade e sem medos!
No entanto esqueceram-se dela estendida perto da entrada. Esqueceram-se também de lhe retirar o telemóvel – lembra-se! – e então começa a tentar alcançá-lo, muito devagarinho, para que os vilões não se apercebam e começa a marcar o 112, mas o som da mulher das emergências acaba por trair os seus propósitos e virar a atenção para si, fazendo com que o “ninja” lhe pegue pelos cabelos, a arraste até Florbela e mande esta acalmar a sua filha!
As duas abraçam-se e começam a soluçar enquanto um fio de lágrimas reluz das suas faces e cai como se fosse um rio que a certa altura se junta a outro para continuar a viagem até aos seus peitos…
- Calem-se senão espeto-vos um balázio – grita o das mãos trémulas!
Clara estremece e acorda, não foi mais além dum pesadelo que a fez pensar na morte e no facto de a não querer, por ser ainda tão nova nos seus doces dezasseis anos…



Capítulo II de Sonhos de Clara

Entretanto Florbela desvia o seu olhar da estrada para espreitar a sua filha e ouve-se um baque...
- Ai!, mãe, aquele barulho pareceu-me um guincho, como se algum caixote de cartão reciclado tivesse sido atropelado! Volta atrás, rápido... Não podemos deixar o pobre coitado morrer naquela agonia!!!
- Oh, ele safa-se!
- Mãe, se não o levarmos rápido a um centro de reciclagem ele vai perder a asa e depois é o fim... Ninguém quer um caixote que não fecha!, vai ser um rejeitado, um pedinte para o resto da vida dele por nossa culpa, mãe!!!
- Clara Maria, tu não me chateies!!! Queres chegar a tempo do jantar ou não!?
- Não, prefiro nem comer... Vou já chamar o 112, podes ir para casa da Nina comer descansada e ao quentinho que eu fico aqui a ajudar o caixote com as suas dores e a chegar a um lugar seguro até a ambulância o vir levar!!! – dito isto Clara sai imediatamente do automóvel da mãe, antes que esta pudesse refutar a sua decisão.
Era uma noite escura, sem estrelas e a Lua estava muito amarela, parecia estar a “chocar alguma”! Aquele dia não correra nada bem, de tal modo foi desde o início até ao fim que a “nossa amiguinha” já começara a pensar que rumo tomar...
Mal acorda, clara repara que está mais atrasada que nunca para a escola; chega à sala e a professora, não lhe retirando a falta, chumba-a imediatamente por faltas sem dó nem piedade. Ao almoço suja a roupa, à saída leva um estalo duma ex-namorada dum rapaz que ela nem sequer conhece e após o último toque perde o autocarro e, mais tarde, ouve um sermão do seu professor de Piano...
Como se não bastasse agora, à ida para um jantar, a sua mãe atropela um caixote e ela fica ali sozinha com ele, naquela curva estranha, ouvindo assobios dos paralelos e tiritando de frio...
Isto é demais para qualquer um e Clara não é excepção , vai entrar em colapso imediato consigo mesma e coma vida, a revolta, a melancolia, a depressão, a dor, o medo e o amor(?)!!!
Florbela deixa a filha sair e arranca. Mais uma das suas luas – pensa, mas desta vez não vai levar avante! Desta não recuo, ela vai aprender... Antes quebrar que torcer! – Resmunga um pouco alto demais, tanto que o seu rádio ouve e começa a tossir enquanto esta se dirige para casa de Nina!

Capitulo III

Enquanto isso Nina estava a preparar a mesa, aguardando o seu marido Jorge que lhe traz o jantar dum restaurante qualquer, só para ela não ter de cozinhar, como já vem sendo costume.
Nina é uma figura esguia e loura de olhos verdes que foi educada dentro dos costumes e, como tal, ligando imenso à etiqueta, que lhe diz que quem usa meias brancas e diz “raios” não pode ser pessoa de bem.
Jorge é alto, moreno e tem um olhar obscenamente expressivo e ama-a tanto que lhe perdoa todas as suas manias, mas não esquece as duas desavenças com Clara, a sua querida sobrinha, o que o leva a um estado de dilema de cada vez que as vê “pegadas”.
No momento em que Jorge chega a casa, com um excelente assado de comer e chorar por mais, ouve-se o telefone, do corredor estreito com uma mesinha e um “puff” ao fundo, tocar três vezes.
Nina ouvindo isto começa logo a resmungar entredentes qualquer coisa como: - Já sabia, não pode haver um dia em que convidemos aquelas duas para jantar em que o nos dêem o sinal de que por algum motivo qualquer de força maior vão chegar atrasadas... que será desta vez? Um elefante perdido na caixa de areia? Uma canção abandonada e melancólica a pedir boleia á frente dum café? Um travesseiro sem alcofa?
Já em voz alta ainda diz: - Oh, isto é com cada uma que elas me aparecem aqui... começo a duvidar se não serão desculpas só para não verem o programa habitual de TV connosco, Jorge!

(Abril, 2003)


Subcapítulo escondido: Clara e Pan


Clara e o caixote recém-atropelado pairavam no passeio da estrada nessa noite de Lua-desaparecida quando um carro se aproxima, o vidro desce e um Homem pergunta:
- Então? Que se passa? A precisar de boleia?
- Não, obrigada! Estamos à espera da ambulância e, mesmo que não estivéssemos, não poderia aceitar boleia de um estranho, desculpe-me, mas pode compreender?
- Sim, sim! Compreendo perfeitamente, ora essa! Então eu vou estacionar ali adiante, só para o caso...
- Por mim está livre de fazer o que quer, boa noite!
- Boa noite, Menina...
- Clara!
- Clara! – Clara? Mas, será a...? Não, não é possível, devo estar a sonhar, pensa o Homem - Boa noite, Clara!
E afasta-se, deveras, e estaciona na berma do doutro lado da curva e fica a observar os seus movimentos.
Clara pensa: “Mas que estranho Homem! E porque será que ficou absorto nos seus pensamentos quando lhe disse meu nome? Que saberá ele?” enquanto coloca as melenas do cabelo para trás das orelhas, daquelas belas orelhas de Elfo, tão frágeis e tão provocadoras, no mesmo instante o tempo muda e a Lua decide aparecer acompanhada das suas estrelas, mais alcoviteiras que nunca...
- Ai, Órion, aprecia-me aquela Bela Menina com orelhas de Elfo, porque será ela assim? Porque lhe faltarão as asas para completar a metamorfose? Não é costume, pois não? A metamorfose ficar a meio e as Meninas ficarem condenadas a um estado semi-élfico, semi-humano?
- Não, Ursa, de sobremaneira! Isto deve ser obra de Adónis, uma das suas traquinices quando acompanhado dos duendes e dos trolls, só pode! Mas, que é aquilo? Naquele carro... Ai!, que o mundo está perdido, olha, Órion, olha quem ali está bem perto dela, será que já...? Não, não pode, devo ter bebido demais hoje! De qualquer das maneiras, querida, acho melhor levarmos isto ao Conselho Estelar antes que algo aconteça, mesmo bebido de loucura azul vou lá, tem que ser...
- Mas, querido, estás bebido, não te vão acreditar... E sabes bem o que acontece quando não te acreditam...
- Pois, tens razão, então vai lá tu, eu fico aqui a vigiar e te garanto: usarei todos os meios disponíveis para evitar uma desgraça!
Enquanto isso o Homem começava a delirar na sua alegria, encontrara Clara! Mas, seria mesmo ela? Não seria um truque dos Deuses para o desmascarar e o levar ao Conselho? Ah, mas que fosse! Nada se compara àquele sentimento que o inunda neste momento, que lhe irrompe das entranhas para fora e transborda, através dos seus olhos de Deus Pan dançaricando no olhar como uma criança feliz por ter conseguido um vislumbre de Liberdade que lhe fora roubada pela Vida...
Chega a ambulância e leva Clara e o caixote. O Homem fica desesperado, não!, não lhe podem roubar a sua querida Clara, por quem ansiou conhecer toda a sua vida, por quem procurou desde a sua existência, aliás, mesmo antes de existir Ele a procurou! Clara, a sua filha com uma Mulher-comum que de comum nada tinha, mas também, Elfo não era Ela!
Clara, a sua filha, com quem ele sonhou desde que se permitiu sonhar, uma Filha!!!
Persegue a ambulância, agora que a encontrou não a pode perder mais... Tem, Ele tem de repor a verdade dos factos, mesmo que isso desequilibre a harmonia do planeta, mesmo que desequilibre o próprio Universo, ora bolas! Sabe que ao persegui-la se descobre do véu de mistério que o escondia do Conselho, mas nada o impedirá agora de dizer a Clara que tem Pai, que seu Pai é Pan, o poderoso! Que não é um homem qualquer que abandona a namorada após esta lhe dizer que está prenhe do seu Ser, que não a abandonou, que os separaram, que se viu forçado a encarnar esse homem maldito, que teve de fazer com que Ele as abandonasse ainda não eram elas uma em duas, mas duas numa! Dizer a Clara que sempre fora desejada, ainda nem o universo existia e ela era desejada, dizer-lhe que a Ama, que quer saber tudo dela, da sua vida, do seu sentimento... que lhe quer perscrutar a alma e que, por ser sua filha, a respeita de sobremaneira, que só o fará com sua autorização, que quer aprender a lidar com ela, que quer aprender com ela, ser feliz com ela, tornar-se ela!
Dizer-lhe que a culpa não é dela, nem da mãe, nem dele, que é do Conselho que, com as suas estúpidas regras e proibições que deveriam ser proibidas os condenaram à solidão! O conselho sim, o conselho é que os separou, o conselho e a sua mentalidade retrógrada, racista e xenófoba!
Entretanto Clara e o caixote na ambulância relatam o sucedido ao paramédico. Este acalma-os e diz que decerto era um tarado qualquer que estacionara para se masturbar a observá-la... Que de modo algum era um violador, que se o fosse Clara não estaria ali, apenas o caixote com mais uma história triste de crime para contar aos seus netos, pois sim, vai sobreviver, pois sim, não se preocupem!
Clara num suspiro detém o olhar sobre o ombro e sopra-lhe afastando sóis de poeira e estilhaços de cansaço cujos rasgos e restos apontam para o vidro da porta das traseiras da ambulância. Clara segue esse rasto com o olhar e, para seu mor-espanto, vê o Homem a segui-los, mas algo a impede de relatar tal acontecimento. Algo de maior, algo, diria, divinal, um sentimento misto de perdão pela afronta que lhe era dirigida e uma volúpia que se apoderara dela a certo momento, sentia-se dona do sexo, sentia-se poderosa, sentia-se deusa, sentia-se Vénus! Uma Lolita consciente de O ser, foi nisso que Clara se tornou, sentia-se bem ao saber que tinha sido objecto de desejo, que alguém se masturbara a observá-la, provavelmente a pensar nela a fazer-Lhe mil e um fogos-ardentes e que agora a perseguia, talvez para saber algo mais dela, talvez para a ter, talvez porque a deseja! E é grande e perigoso o sentimento de se saber desejada, cria grandeza, cria volúpia, cria maturidade, cria ardis...
O caixote e o paramédico não reparam no que se está a passar, Clara está a mudar, o seu corpo está a completar a sua metamorfose, era afinal isso que faltava para ela passar do reino do absurdo para o reino do imaginário, Clara, de belas orelhas élficas, Clara Menina e Moça borboleteou-se, é agora uma Elfo por completo! É mais do que Elfo é mais do que Humana, é Clara, a Lolita endeusada!
A ambulância segue caminho, chega ao Hospital e enquanto o caixote é levado para o bloco operatório, Clara fica no guichet, preenche a ficha de inscrição, paga e senta-se perto da sua irmã planta que murmura seu nome como se a estivesse a embalar no sonho do sono adormecido, como se “Clara” fosse a única palavra jamais dita ou ouvida, como se o seu nome servisse para nomear o Tudo e o Nada!
Clara, a Ninfa!, começa a ficar sonolenta, adormece num mundo de jardins sonhados de uma beleza surrealisticamente viva e, no seu sonho, passeia-se e enamora-se das borboletas, dos rouxinóis, dos gatos e das flores que a cumprimentam com uma vénia e muda de cores... Enquanto isso, Pan segue-a encarnando esses animais, esse gato que se enrosca nas pernas de Clara e lhe salta para o colo, no banco do jardim sonhado.
- Sonhei-te desde sempre, Clara!
- Sim? E quem és tu?
- Sou o Homem que te ofereceu boleia, quando estavas com o caixote naquela curva, sou o Deus Pan, que se aventurou pelas sete maravilhas do mundo e se apaixonou por uma mortal, por uma Mulher-comum que de comum nada tem, sou quem te Sonhou, sou teu Pai, que nunca te abandonou, que sempre te desejou, mas do qual foste separada, tu e tua bela mãe, pelo Conselho Estelar... E Amo-te, minha filha, amo-te!
Clara acorda nesse instante e sente-se estranha... Toca-se duvidando da própria existência... “Não é real, não foi real, foi um sonho, um estranho sonho, uma confissão, o seu pai! O seu pai está vivo e não, não a abandonou! Ah, mas porque se foi? Porque não lhe disse logo? Porque se esconde? E porque tem Ela um par de hastes na sua cabeça? Ah, ele é Deus Pan, e eu sou sua filha, é verdade... Já me esquecia!”
Nesse instante o seu olhar esmorece, o brilho daquela descoberta nos seus olhos passa a tristeza... Tristeza de saber que agora será ela que terá de abandonar a mãe, será ela, Clara que percorrerá as sete maravilhas do mundo, sonhando a sua mãe, na ânsia de A tocar, mas sem poder, vai ter seu Pai, é verdade, mas vão andar os dois como fugitivos, como criminosos... Quando o seu crime, se o é, é Amar!
- “Menina Clara é chamada à recepção! Menina Clara é chamada à recepção!”, ouve-se como uma voz cavernosa e omnisciente.
Clara vira-se, vê que o caixote a chama lá do outro lado do espelho e segue-o.
- Aqui estás a salvo. Tens de ter cuidado, agora que tens consciência dos crimes do Conselho e que sabes quem é teu Pai. Vá, sou um amigo, não tens nada que perguntar, ouve-me apenas, mas com atenção!
- Ok...
- Vai, foge com teu Pai, ele está no espelho do elevador do parque de estacionamento. És Sua Filha, és deusa, és Clara Pan, nunca te esqueças de quem és, nunca te esqueças de agir como quem és e o que serás virá a saber-te melhor! Agora vai, não te preocupes com a recepção, eu entretenho-os, eles querem apanhar-te e levar-te ao Conselho para te fazerem uma lavagem cerebral, tens de fugir, vai, agora!!!
Clara abraça o caixote, baixa as suas hastes para sair do espelho e obedece-lhe. Foge dele, foge deles, foge daquele sitio, daquela vida, de tudo... Sabe, ela sabe que nunca mais será a mesma, que nada voltará atrás, foi essa a dádiva de Zeus, o tempo não voltar atrás, à frente, apenas o Amanhã com seu lindo nascer do Sol.
Clara Pan ciente dos seus poderes, ciente de si, encontra-se com Deus Pan, seu Pai e reinventa a fuga dos tempos.
Juntos visitam a casa de Clara, numa última tentativa de reaver a sua vida, a sua mãe, mas esta está bem rodeada de guardas do Conselho e voltam para trás, com flores esmaecidas embalando o seu olhar...
- Adeus mãe, amo-te!





















Raposa

Uma travessura de criança atravessa o infinito de coisa NENHUMA.
A ARTE do PRAZER dança ao SOM de uma batida INITERRUPTA.
A vulgaridade BAMBOLEIA-SE na rua, SEMPRE FOI ASSIM!
No JARDIM da vontade estende-se toda uma PANÓPLIA de COISAS que se QUEREM,
Que se FAZEM, que se estão a BORRIFAR para NÓS.
As COISAS cantam para si mesmas, DANÇAM ao som de um BOLERO umas com as outras
E PARAM tudo mal nos aproximamos!
As COISAS, Ai, As Coisas... As Coisas OSTRACIZARAM-NOS, Amigo!
As Coisas Viraram-nos as COSTAS, Amiga!
A Emoção tem um irmão, o Sentimento...
Sim, AQUELE que nos faz SUSPIRAR e nos põe a SONHAR...
A Língua, ENTUMESCIDA vagueia desnorteada na bússola do TEMPO do ÉTER,
Unindo-se ao GRANDE VENTO que nos TRANSPORTA para outras viagens,
Por OUTROS Caminhos ainda VIRGENS até chegar ao calor da sensação IDEALIZADA
De uma PAIXÃO, de um SENTIMENTO FEITO OBJECTO,
de um AMOR FEITO COISA para depois nos EXORCIZAR, Amiga!
Para depois nos OSTRACIZAR, Amigo!
A RAPOSA sabe ESPERAR pela melhor altura para ATACAR,
Assim como a mulher sabe dar a volta às MODAS e fazer com que a DEUSA se PASME de ADORAÇÃO.
A VIDA encolhe e estica como um ELÁSTICO mas nunca QUEBRA,
O QUE NÃO TEM INICIO NÃO PODE TER FIM...
A Raposa SALTA na GINCANA e bamboleia-se ALTIVA e SABEDORA de DETER O PODER, O Verdadeiro PODER Feminino,
Ela sabe que CONSPIRA com as OUTRAS raposas contra os raposos,
Fazendo-os pensar que são FORTES, mas CHEGADA à HORA da Procriação ELA Revela-se Uma DOMINATRIX, Eles PAVONEIAM-SE, Ela ESCOLHE!
A RAPOSA prende-o com o OLHAR do PENSAMENTO,
Faz-se GUARDA PRISIONAL numa ronda habitual pelo CORREDOR das CELAS.
Lá podemos encontrar as VÍTIMAS desta RAPOSA-VIUVA-NEGRA que,
à FALTA de CAÇA para as suas CRIAS,
APRISIONA as suas conquistas para mais tarde colocar no CALDEIRÃO!

1/05/03



















Canta


ENCOSTO A MINHA LEVEZA NA TUA VERDADE E CHORO TODA A SAUDADE QUE TENHO DE MIM!
ENROSCO-ME NO CARNAVAL DO TEU PEITO FORTE E CONDOLENTE COMO UM FARAÓ...
FAÇO FÉRIAS NUM TAPETE VOADOR QUE ME ELEVA AOS CÉUS E FAZ VOO PICADO JUNTO AO FOGO ETERNO!
FAÇO DO SOFÁ VIRTUAL O MEU NINHO DE AMOR, ELEVO-O À MAIS ALTA POTÊNCIA DE LEITO DE SEDUÇÃO,
GIRO NAS CAIXAS OS TELEFONEMASN PSICOLÓGICOS QUE FIZ E FAÇO AO MEU SUBCONSCIENTE PERGUNTANDO POR KRISHNA!
APAIXONO-ME PELA PAIXÃO, VIRO AMANTE DA PROJECÇÃO DO PRÓPRIO AMOR,
ESTOU VACINADA CONTRA O CIÚME E O RANCOR DO VAMPIRO QUE ME PERSEGUE TODAS AS NOITES ANTES DE ENCERRAR AS PÁLPEBRAS DO DESGOSTO!
JUNTO-ME AOS QUE BEBEM A SEDE DE AMIZADE E PAZ INTERIOR...
COMEÇO A ENTOAR UMA MELODIA QUE PAIRAVA NO AR, DIZ-SE QUE QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA E ESSA CANTIGA PARECE SER A CRUZ E O ALHO DO DIABO PARA O MEU PERSEGUIDOR!
ROÇO NOS TEUS LÁBIOS, PESSOA DESEJADA QUE NÃO AMO, A MENTIRA DE TE AMAR...
E FAZEMOS AMOR COMO QUEM NUNCA CONHECEU OUTRO SENTIMENTO, OUTRO MODO DE SER E ESTAR...
OS TEUS OLHOS NOS MEUS, OS TEUS LÁBIOS NOS MEUS, E OS MEUS NOS TEUS... OS NOSSOS CORPORS CONFUNDEM-SE, NUM TROPEL DE TAL ORDEM QUE SE CHEGAM A FUNDIR CULMINANDO NUM PROFUNDO EXTASE!
OS NOSSOS CORAÇÕES FORAM UNOS A PALPITAR UM "PUM-PUM-PUM" AO MODO DE SEREM COMO QUE O DEUS E A DEUSA JUNTOS NO SEU JUBILEU!
1/05/03


























Os cadáveres do meu corpo

Os cadáveres do meu corpo estão insatisfeitos com a vaga de calor que os tem perpassado dia após dia, ano após ano, milénio após milénio!
Anseiam pelo Apocalipse, pelo Dia do Juízo Final em que não tenham mais de viver (e sofrer) esse Fogo interno que os sufoca... Até lá, fazem Greve!
Reivindicam melhores condições de trabalho, um aumento da qualidade de vida, paz para todos os Zombies e amor para todas as Putas!
Exigem a morte dos Deuses. Não descansarão até que Cristo desça à Terra e morra de uma vez por todas... Quantas vidas já ele viveu, quem o sabe? Quantos seguidores já ele teve, todos o sabemos, mas ninguém sabe quem foi o amor de sua vida e porque tinha ele cabelo comprido como uma menina!
“Amem o próximo!” - disse ele, querem mais provas de que Jesus reencarnou no século passado e iniciou os anos 60???
Por duas vezes nasceu e morreu Ele, que se tenha em conta, e no entanto continuamos a ignorar a sua mensagem! É tão triste como real; este Povo dá mais atenção a quem é o Mensageiro e à sua vida, do que à sua Mensagem e ao seu Exemplo; caso contrário este País, perdão, este Mundo não estaria como está!
Os Rebeldes que vivem no Eu marcham contra a Evolução...
A Evolução que fez com que se produzissem quatro vezes mais comida necessária para todo o planeta se alimentar e viver mas, no entanto, 80% desse mesmo planeta mal sobrevive. A Esperança está a morrer à Fome!
A Evolução que continua a criar os seus próprios inimigos e depois se vê aflita e em desunião em relação a como se expurgar e livrar dessas Pragas que ajudou a nascer!
A Evolução que perpetua com a desigualdade, a ganância, a intolerância, a discriminação e o preconceito aliando a uma moral castradora que vai contra os princípios defendidos aquando da Revolução!
Os Cadáveres do meu corpo são os Rebeldes do meu Eu que se viraram para o Não-Eu. São as duas facções reivindicadoras, uma não é melhor nem pior que a outra, apenas diferente!
3 de maio de 2003




























Marcha

Uns marcham com o pé esquerdo,
Outros com o pé direito!
Alguns marcham com os dois pés
E há até quem não marche sequer...
Eu sou a Marcha!

4/05/2003

















Compasso
Os teus desejos são fogo:
Bálsamo para o Eu,
Tortura para o Não-Eu!
Na miragem de te conhecer julguei ter-me descoberto, mas afinal apenas se desvendou o segredo do universo, e fiquei na mesma: sem me saber, sem te amar...
Soube o dia a um sabor amargo e a noite a um sabor doce!
Venham, duendes do paraíso, deslumbrar-vos-ei com a hora das horas no relógio dos relógios sem ponteiros de segundos ou minutos, apenas horas...
Já são horas de partir:
Para outro lugar,
Pra nunca mais voltar!
Pegar nas malas, entrar nelas e viajar... Dar a volta ao círculo pela circunferência, e o passo compassado no ritmo de um compasso que ora se abre ou fecha, mas nunca deixa de girar, “ o espectáculo tem de continuar!” mesmo que o passo ao ritmo do compasso se torne descompassado de tanto rodar e passe a descompassar e desconversar:
Não, não tenha compaixão:
Sou compasso,
Sem passo nem intuição!
A fonte de inspiração é sempre uma paixão, por vezes a Musa é a própria inspiração feita coração dentro da minh’alma que se expande irradiando uma luz imaginária que cega os que não são poetas, os outros!, sim esses outros que nos atingem com a lança afiada da discriminação, aparada pela rocha do desprezo e o aço do preconceito:
Fruto do medo e da ignorância:
Disso afinal não passo eu,
Exclama aflito o conceito que fez “pre”!
Fez ou não fez? Terá feito, realmente? Não no creio... Fizeram-no, pois que ele não tem culpa nenhuma! O preconceito não é, foi! Agora é apenas conceito perguntando ao mundo porque é que tudo tem de ser bom ou mau, não podendo apenas ser.. o que é!?
4/05/03

























Textura

Finjo ser quem sou no fumo que se evapora das cinzas de um cigarro.
A minha essência esfuma-se na velocidade da sublimação da alegria de uma folha.
Inerte como uma pedra tenho vida e essa é a Magia do Eu!
Um pardal procura a progénie e saltita ao ritmo do bater do coração cada vez mais acelerado à medida que se inunda na paixão e inventa o verbo Amar!
Uma onda que ama incondicionalmente, que celebra a Vida mesmo que esta se arrependa da loucura que é Ser!
Um zumbido intermitente como o de uma abelha, que gela com o vento na viagem dos sete mundos azucrina-me a cabeça...
- O meu ser divide-se –
As partículas do meu ser dançam à minha volta que nem pirilampos brilhando num dia em que o Sol e a Lua coabitam o mesmo céu, o mesmo tempo, o mesmo horizonte!
Mas só eu as consigo ver e as pessoas que por mim passam observam a aparência do que faço e logo me julgam estranha, louca, doida varrida!
Mas elas não sabem nem sonham o que é viver:
Como é viver com o vislumbre da profecia de um mundo melhor a acarinhar-nos a alma e a energia a vibrar por cada poro do nosso corpo e a bailar no olhar...
Por cada olhar! Por cada gota de contacto neste imenso mar de texturas que não se tocam, que não se cheiram, que são apenas para ver com os olhos, como se se tratassem de peças de um museu muito fashion!
Mas eu não quero (não quero!) ver com os olhos, eu quero ver com o paladar...
Quero lamber e passar suavemente a minha língua pela e na textura e senti-la, vê-la saboreando-a!
Quero ver com o tacto... quero poder passar as minhas mãos como tentáculos que se dispersariam pela textura e a acariciariam, sentindo-a a continuação do meu ser, como se fora carne da minha carne que eu mimo com muito amor...
Quero ver com o olfacto! Quero esfregar a minha cara na textura e inspirá-la até que não tenha mais odor nenhum, até que o seu aroma se misture, se confunda e se torne parte integrante de mim, se torne Eu!
Quero vê-la com a audição! Quero pegar nela e noutra e noutra e batê-las umas nas outras, umas com as outras e a partir daí fazer mil e uma combinações de batidas, para ver qual seu ritmo, para escutar a textura, ser a sua voz, o seu som... experimentar com mil e uma texturas mil e um sons até chegar ao som eterno e ele se tornar o meu!
Quero vê-la com a fala! Quero falá-la, falar com ela, do que ela é, de como ela é, tudo!
Quero ser a textura,
Que ela seja minha e eu dela...
Assim seja!


10/5/2003












A QUEM POSSA INTERESSAR:

Ontem ninguém sonhou o alarme que tocava para o amor sentir o abraço da história de um qualquer “je ne sais quoi” que, febril, atracou na gratidão do esclarecimento de um sorriso que correu o fim inteiro até descobrir a timidez do esquecimento.
Quando a perdição se riu da passageira do bote para a ilha da via láctea, logo a Andrómeda decidiu pregar uma partida – essa matreira – e entrou em rota de colisão com a nossa galáxia, mais cedo do que devia!
Todas as reacções foram normais:
O Sol engoliu a Terra, guloso que é; a Lua escondeu-se atrás de Vénus, romântica que sempre foi, e as fadas choravam o choro e o desconsolo do futuro!
Se o embaraço tivesse vida seria certamente o subir e o descer, o cair do Sol como um yo-yo!
As estrelas desfeitas fizeram-se sementes de um outro universo numa outra dimensão...
Disseram que a banalidade era a regra daquele planeta quadrado que, volta e meia, se encontra escondido atrás duma rocha, completamente embriagado a cantarolar:
If there’s a way you could
be everything you want to be
Would you complain that it come
Too easy?
E a rir-se das desgraças da vida de um saco de plástico branco!
Juntaram a conta dos anéis da diferença e viram que eram mais caros que os da indiferença e, por isso, deixaram-na passar sem pagar!
À espera de um sim, o olhar pairava anormal no salto da mão que abalou e se atirou de cabeça numa relação sem rumo, sem esperança... O que acabou por abolir a vontade que lhe restava naquela alma – se é que tal coisa exista! – deixando-a cheia de mazelas por tratar que, fustigadas pelo passar do tempo - pelo seu envelhecer, foram tornando-se profundamente fundas com, até mesmo, personalidade de velha rabugenta parideira de novas e estranhas palavras que se consomem na lembrança do esquecimento de lembrar!

10/5/03


18-06-2003 18:48:00


amores e desamores
“Amo-te”

Dizem que não compreendem
Porque te amo,
Que não sabem o que vejo
Em ti!
Não sabem amar e,
Se lhes perguntado dizem
Que não acreditam em
Amor à primeira vista!
O amor é cego, lá diz o ditado!
Não preciso de ver algo em ti,
Visto que te amo!
Se em ti visse algo,
Não te estaria a amar,
Mas a admirar!
E eu não te admiro,
Ricardo, amo-te!
11/01/03










“O 1º Amor”

Acordo o sabor do sal
Na minha essência
Quando se acaba a paciência!
Abrigada da vida muito
Tempo rastejei
Até que de surpresa
Fui tomada pela presença
Da chama da paixão!
Vendera a alma à Razão;
Subjugara o coração,
Desprezando a minha intuição!
Da Terra ao Mar;
Do fogo ao Ar,
Foste tu quem me veio
Para o Amor acordar
Como teu expressivo olhar,
Meu doce Ricardo!










“Despedida”

Abraço que se não quer último
Funde-se com a desconfiança
Numa amálgama de sentimentos
Que torna pesada a atmosfera!

Beijo que se quer primeiro
Confunde-se com a sombra
Numa bruma de misticismo
Que se liberta da fera!

Enlevo que o não é
Da maturidade foge,
Desaparece na névoa
Tal qual D. Sebastião!

23/01/03











Vivi afogada na Razão
Até ter conhecido um coração:
O do meu amor,
Que me inflige tanta dor!
Aflige-me o seu temperamento
que lhe tenta a mente:
Que o não amo e desdenho
Quando lhe dou tudo o que tenho!

23/01/03


















"Uma lágrima"

No meio da escuridão uma luz esvaindo-se sobre a queda duma lágrima revela o sentimento profundo, como um precipício abismal que nos persegue, fazendo ao mesmo tempo caretas supostamente assustadoras com o propósito de nos conduzir e influenciar as nossas decisões; não tendo, no entanto, sucesso!
À medida que a lágrima rola o desespero vai dando lugar à auto-comiseração e à reflexão que é como um colega que mesmo sem querer nos dá um empurrão e aí caímos em desgraça, quais Lucifer disfarçados de seres alados!
Pouco antes dela completar a sua metamorfose, no nosso gesto reflecte-se um suspiro de tristeza e uma enorme vontade de ganhar coragem e fugir, mas o medo limita-nos a (maquinalmente, de uma forma deveras apática e sonolenta) erguer a nossa mão e castrar aquela lágrima de modo definitivo e indolor, passando logo de seguida à terapia que é escrever um poema!

23/01/03














"EUA"

Ao estalar da ameaça
ergue-se uma luz negra
abrinda a órbita da morte
dando luz à nossa desgraça
tendo a guerra como seu consorte!

(imagine-se lá a sorte!)

25/01/03






















"Durão"

Controla a opinião pública
Atrás daquele olhar de predador
Caça o pobre trabalhador,
Vítima da sua súplica!
Fá-lo peão pela comunicação
Usada sem escrúpulos ou castração...
Pelo temido (argh!) e usurpador durão!

25/01/03


















"Henriqueta"

Uma filha angelical,
Som que atravessa o espaço
Ódio que destrói o Ser
Dum branco sideral...
Incita a ignorância
Estupidez a florescer,
Desiludindo o mestre ancestral
revelando-se uma marginal:
Rouba, pilha e rapta
A Moral e a Etiqueta
Presas na saia de Henriqueta!

29/01/03















"Meaningless"

As palavras são fúteis
Obtusas, sem algum sentido!
Os objectos vivos,
Seres sensíveis aos actos
que encarnam a designação,
Mas nunca a definição!

(Porque: "A palavra designa, mas não define!")

29/01/03











utopia....

O
silêncio
é
uma
utopia... !


















"Não desistas camarada"

O caminho para a mudança
parece tardar
mas é com toda a pujança
que a malta continua a lutar!
apesar da pressão
da força reaccionária
que nos tenta impingir a globalização!
as vitorias serão varias
nunca desistas, camarada!
o Novo Homem aí vem
com a Liberdade na alvorada
e a Revolução também!

7/02/03
















"Desemprego"

Senhor, Senhora...
Quem nos penhora?




















"A Queda de Zaratustra"

Um apanhado de expressão
experimenta a subida,
toma o sabor ao vento
revolta-se num turbilhão,
deliciando-se com a descida!
"33centimos é o que custa
libertar o Homem de Zaratustra!",
Grita ao passo que na
escuridão se embrenha
torna-se Um com o Mundo,
com a loucura...!























"Revolução colorida"

E o Mundo Verde se tornou
Em Palácio que a cor arrancou
Sem hesitar ou roncar!
De cores assim precisamos nós,
Que ao Mundo Negro
Não lhe falta a voz!
Há que ser exacto:
Acabar com o Imperialismo
num só acto!















"Sou"

Sou a filha do vento e da cor!
A melodia que desencanta,
a verdade que não é mentira,
um pião que se atira...
Sou aquela que chora
quando desaparece a Alegria!
Quando a neblina por ora
os raios-de-sol encanta
e no ar paira o rancor!
Sou o ciclo que não acaba
nem mesmo quando muda
a condição...!
pois não acabou ainda
a lição!!!






Paixão

Com a minha vida
vendo-te os olhos
a porta dos 7 Infernos
e dos 9 Céus!

O fruto de tal acto
é vil e viscoso,
mas doce e amoroso
ao mesmo tempo!

Junto o meu olhar
na distância dum beijo
à tua eterna Jura
De eu ser só tua!

18/02/03
















"O mesmo"

O mesmo olhar,
o mesmo toque,
o mesmo amor
que me comove...
...Não é o mesmo que:
O doce sabor,
o agradável aroma,
o melódico som
que me alenta!
Mas que importa isso
quando se tem paz e liberdade?
Que nos importa,
quando nos amamos?

21/02/03










"Pestana"

Bebo incessamente
o sabor do teu amor,
Sonho com o dia
que não seja ilusão,
Anseio pelo momento
no qual nossos destinos
se cruzarão...
...para sempre!

23/02/03











Fantasma I

Diz-se que um dia
a Deusa morreu!
- Quem a condenou?
(pergunta o Povo)
- O Estranho viajante
e sua espada flamejante
(responde o fantasma do passado)!

20/02/03


Fantasma II

-E agora? Que fazer...
sem ninguém a quem adorar?
Como viver sem subordinação?
(Queixa-se o Povo)
-Eis o Ópio a que Marx se referia:
Aquele que adormece e debilita,
com ele a vontade desaparece!
(Exalta o fantasma!)

27/02/03


Fantasma III

Aparece o Estranho viajante,
agitam-se as massas
as ideias entram em ebulição,
todos juntos gritam:
"Viva a Revolução!"
Concretizam a teoria pela actividade,
promovem a Evolução
e condenam a Exploração!

27/02/03
















Suicídio

Prisioneira de quatro paredes
Pelos seus seios correm-lhe
Dois rios imensos
Que a afundam na escuridão!
Tem melodia no ar,
Que a impede de gritar
Levando-a para o interior
Dum negro altar!
Deita-se no seu leito de madeira
Sem chorar ou gritar,
Sem pensamento nem respiração...
Já não sente dor, deixou de Ser!
Eis o que fazer...
Quando a dor ultrapassa a Razão!
4/03/03












Ia a passear na rua
E tropeço num coração...
Pergunto-lhe se doeu,
Porque ali estava!?
Disse que mais o não podiam magoar,
Que estava despedaçado,
Que ali aguardava a morte!
Ajudo-o a levantar-se,
Levo-o à enfermaria
Onde me raptam a esperança!
Alojo-o em minha casa,
Mimo-o e cuido dele,
Dou-lhe cama e comida
E sobretudo muito amor...
Qual não é meu espanto
Quando o vejo num canto
Envolvido no seu triste entoar!
Canta, canta para mim...
E ele cantou.. e encantou!!!
Logo, logo os vizinhos chegaram
E gentes de todo o reino e além-mar,
Só para o poderem escutar...
Quedaram-se mudos e
Extasiados com a melodia
E eu adormeci...
E eles desapareceram...
Apenas restou o (meu) coração,
Grito vivo e faces rubras,
Que me cobriu o corpo todo
De beijos e carícias,
Adormecendo dentro de mim...!
12/03/03
























O futuro da Humanidade está
Enterrado nas cinzas da morte
Sepultado nos poços do Iraque
E na ganância de G.W. Bush!
Falam de despeito,
Que não se lhe deram ao respeito,
No entanto o pobre tem-no e eles não!
O governo, tal como Bush,
não nos respeita...
E muito menos a nossa privacidade
E nem sequer auscultam a vontade
Da nação, do mundo inteiro!
O medo é o nosso inimigo fatal...
E o medo último é perdermos
A capacidade de fazermos!
12/03/03












“Vida de um saco de plástico branco!”

Eu era muito pequeno, mas ainda me lembro da primeira vez que senti algo… Era uma mão que me abria e me levava a conhecer o mundo e a maravilha da natureza que nos faz querer voar: o vento!
Com essa mão eu ia a todo o lado e por vezes ela balouçava-me ou deixava-me ir ao sabor do vento e eu planava e deixava-me ir, todo contente... era lindo de se ver, digno de um filme! Aliás, até tive um pequeno papel de figurino num filme chamado “American Pie”!
Após a estreia desse filme eu era muito procurado, toda a gente me queria nas suas festas, todos eram meus amigos, todos me conheciam...
Vim a descobrir que afinal era só por eu ser famoso e novo... e que ser novo e famoso era sinónimo de beleza... Afinal só eram meus amigos porque ficavam atraídos pela minha beleza e pela minha dança... Quando fiquei velho e enrugado, com as asas a dar de si e a pele a ceder já ninguém me queria! A não ser a mão... sim, aquela que me acordou para a vida e para o vento!
E porque me deixou ela sozinho e abandonado à minha sorte? Já lá vamos...!
Essa mão e eu éramos inseparáveis e acabámos por sofrer devido a isso, havia quem tivesse ciúmes de nos ver assim e até mesmo quem tivesse inveja, apesar do desdenho: “Larga lá esse saco estúpido que isso não é vida!” – gritaram uma vez à mão, mas ela não largou e continuou sempre a levar-me ao êxtase total com seus movimentos suaves...
Ora num desses magníficos dias, eu e a mão fomos avistados por um caça-talentos e um realizador de cinema que, ao ver a minha dança estacou por completo no meio da rua e com suas mão enquadrou-me e à minha...
Quando dou por mim está ele a agarrar-me, a dizer à mão que não devia brincar comigo, que eu podia estar infectado com o VIH e que ela podia ficar com SIDA!!!
Eu quis protestar, que não tinha nada Sida e que mesmo que tivesse que não tenho nenhuma ferida, que tomo todas as precauções de segurança e que não há mal nenhum em a mão brincar comigo, mas o caça-talentos raptou-me para a sua mala e tapou-me de forma que não se podia ouvir nenhum som que eu alguma vez efectuasse!!!
E a mão foi-se embora, cabisbaixa e com desalento suspirou...
Ai, só de contar até me emociono todo, se tal fosse possível diria que no canto duma das minhas asas está uma lágrima a despontar...!
Depois todos sabem o que aconteceu, puseram-me a dançar e gravaram-me, mas a mão que me punha no vento não era a mesma, não o fazia por amor, não sei como, mas aí, nessas alturas, tinha muitas saudades da minha mão... Sempre as tive, mas efectuar a nossa dança com outra era como que a estivesse a trair, sentia-me sempre mal, sujo, abusado, violado..!
Depois do filme ainda me usaram para promoções de discotecas, bebidas, papel higiénico... Enfim, quando esgotaram todo e qualquer anúncio de TV em que eu pudesse entrar fui abandonado, plantado num sitio horrível...
Ah, nem sabes o que me faziam, nunca mais voltei a voar, estava ali preso e nenhuma mão que por lá passava me soltava sequer... Chegava a rogar a qualquer uma, até às mais sujas e inábeis que me soltasse e me pusesse a provar o vento, depois claro está vinham os remorsos...
Mas o desespero era imenso, não imaginas o que sofri, de cada vez que passava uma mão por lá em vez de me soltar ainda ,me prendia mais, atiravam para dentro de mim coisas, como se eu fosse uma lixeira!!!
Bem, mais tarde fui parar a uma, só o sei porque lá encontrei meus semelhantes que me disseram ter passado pela mesma experiência que eu e que tinha um nome, desempenhar aquela função era ser um “saco-do-lixo”!
Não gostei do termo, não gostei de o ser e muito menos gostei de estar numa lixeira, mas do que eu mais senti falta foi da Mão!
Oh, o que eu daria para estar com ela outra vez... Oh, uma asa... não, duas!!!
Eis senão quando se aproxima uma mão de mim, me desaperta as asas, vasculha dentro de mim, me esvazia... Oh, dei-lhe tudo... tudo o que ela queria... se ao menos ela me levasse... seria dar-me quase tudo..! e ela deu, ela levou-me, aquela mão suja e encardida... e pôs-me a dançar... pegou em mim, abriu-me e lançou-me ao vento.. tal e qual como a minha mão fazia!!!
Aha!, ela era a minha Mão!!! “Mão, que fazes aqui, como me encontraste? Que te aconteceu, porque estás tão suja e encardida??” – perguntei.
Ela levanta um dedo e eleva-se ao nível do nariz num gesto de meter respeito e a boca pronuncia-se: “shhhiu...!”.
Mas um shhhiu muito doce, como quem diz que nada disso interessa, que o que importa é estarmos juntos de novo e que embora a nossa beleza física tenha ido dar uma volta, a verdadeira e única beleza continua lá...!
Olho-a, calo-me enternecido e, cheio de saudades, envolvo-a num abraço eterno... Pelo menos assim me pareceu... Até nos separarem de novo, mas isso agora, meus amigos, é outra história, que fica para outro encontro!
15/03/03


















“Somos tão pequenos”

Uma gota cai e salpica
A ela se seguem tantas outras
Mas para onde vais tu,
Para quê tanto esmero e cuidado?
Para quê tanta pressa,
Se a vida é efémera
E a nossa imagem és tu
Um Universo feito rio
Que nasce no Sol que morre
E desagua numa Lua imensa
Que a vista não consegue abarcar
Nem a imaginação avistar!!!
19/03/03














“Atrofio na auto-estrada”

É triste ver um transporte de animais mortos,
Mas ainda mais é um de animais vivos!!!
O sofrimento, a dor e a confusão
Que os animais infligem uns aos outros
É crime e como tal devia ser penalizado...
Infelizmente vivemos numa sociedade
Que aparenta não ter valores que celebrem a vida,
Mas apenas a exploração!!!
Se o chamado animal irracional
Se explorasse na horizontal
Era um explorador na vertical,
Traduzindo: exploraria todo e qualquer animal...
Tal como faz o Homem, Animal chamado racional!
25/03/03











Brinquedos I

As crianças entretêm-se
com uma folha em branco
enchem-na de brinquedo
pintam com a ingenuidade
de acreditar que o mundo é belo
e quem o habita são amigos
e nada mais senão bondade e complacência...


Brinquedos II

Ouvem-se risos estridentes
de alguém que brinca lá em cima
com o nosso destino,
como se fossemos uma experiência
de filosofia, quimica e biologia...!

25/03/03








“Break-up”
Quando vejo um homem chorar
Comovo-me,
Sinto que de repente ele passou
A um ser humano sensível,
Que nunca me fora tão sincero...
Mais tarde descubro que estava errada,
Que o não governa a emoção,
Mas o egoísmo e o medo de perder
Algo que nunca possuiu e nunca,
Mas nunca terá na sua vida...
Medo de me perder e nunca mais
Ser capaz de inspirar neste mundo!
26/03/03









“Uma paixão – uma relação – um amor”
Tudo começa com uma rapariga
À procura de si, do amor e da felicidade.
Conhece um rapaz que lhe oferece
Um ramo de quatro rosas vermelhas...
Ela beija-o e no dia seguinte dá-se,
Entrega-se completamente à paixão
Diz-lhe que o ama e que sem ele
Não pode viver jamais...
Mais tarde sussurra-lhe como que numa
Doce confidência que sem ele nem teria nascido!!!
Da primeira à segunda vista temos um mês
E o ramo de rosas parece ser mágico,
Pois nem sequer começara a murchar,
Parecia ser uma metáfora viva
Para a chama da paixão que se acendera...
À medida que se amavam ela estremecia:
Nunca sentira nada assim ou semelhante!
Tão lindo, tão grande, quão repentino, aquele seu amor!
Outro mês passado e fazem amor inspirando o aroma
Da leve brisa que se mexera junto com a lua cheia
E uivaram ao comboio,
Como se este fosse um demónio que os matava
De cada vez que os afastava!...
Ao terceiro mês sentem-se ansiosos e quase sem dar conta
Ela faz as malas,
Quer ir para junto daquele a quem chama
O amor da sua vida!!!
No entretanto as rosas começam a murchar e ela,
Incapaz de as secar – mais parece feitiço ou maldição! –
Coloca-as no exterior de sua janela,
Expondo-as ao clima agreste e ás influências dos astros,
Nunca mais reparando nelas com atenção...
À medida que as intimidades aumentaram
E ele lhe falava em compromisso sério
Ela assusta-se, começa a pensar e a
Sentir de novo aquela ânsia de dúvidas...
Ao quarto mês acordou e a depressão voltou
Desta vez mais forte que mil comboios-demónio
Que lhe perguntavam se:
“Era Amor ou Paixão...
Aquilo que deixara de sentir?”
Tal como as rosas a paixão também murcha,
Por mais que façamos, só o amor permanece!
No entanto esse amor não existe
Numa relação a dois...
Apenas numa relação com a vida, numa união com o Mundo!
Da forma que começou veio a ser a forma como acabou...!
27/03/03






Sala de Espera

Entro numa sala de espera de cores pastel, posters de prevenção tabaquista e cadeiras dispostas em fila, encostadas á parede e sento-me numa delas.
Começo a observar as pessoas que já lá estavam, tentando imaginar o que estão a pensar, porque ali estão, o que sentem no momento...
Analiso qualquer gesto e expressão a que algum se atreva.
Reparo num par de mulheres que pela aparência e disposição me levam a crer serem mãe e filha.
A filha, chamemo-lhe Maria, tinha no rosto sinais de aborrecimento, talvez ira ou frustração; o seu gesto leva-me a crer que tenha discutido com a mãe na ida para a clinica, está sentada com os braços cruzados!
Imagico logo uma catástrofe, dramática como sou, penso que tenha ido fazer um exame ginecológico pois já não é virgem e que a mãe está chateada com ela; até mesmo despeitada, pois não considera a sua filha madura o suficiente e acha sexo antes do casamento uma indecência e além disso detesta o futuro genro!
Sinto-as ansiosas, incapazes de esperar mais tempo sem rebentar, batem os pés e não falam, como se fossem simples desconhecidas...! (no entanto são-no, desconhecidas, sabem? mas não são simples...)
E será bom uma pessoa não falar com desconhecidos nestas situações?
e desde quando são os desconhecidos simples, porque são assim encarados? porque nos incutiu a sociedade essa noção? Creio que devido à crescente insegurança com que vivemos no meio urbano no qual, contrastando com o campo, as pessoas mal se falam e ninguém cumprimenta quem passa por si na rua se não conhecer...
Uma cidade na qual ninguém se conhece, vivendo numa autêntica corrida de ratos, em que aquele que chega ao final do labirinto continua a ser um rato!
Mais à frente vejo outro par de pessoas impacientes, parece que o "bater o pé" torna-se consistente e contagia-se à medida que o tempo passa...
É um casal e a rapariga a dada altura corre para a casa-de-banho, mas este já se fala e estão calmos...
Imagico que estejam à espera de terem um filho e que esta consulta apenas lhes vá confirmar o que os sentidos e o instinto já lhes disse!
Há duas reacções diferentes no jovens de hoje em dia. Há quem acredite que ter filhos antes dos 25 anos lhes seja prejudicial e à carreira, perspectiva que é fomentada em casa, na escola, no trabalho e até mesmo nos momentos de lazer, através dos média, por exemplo. Por outro lado há quem ainda acredite no amor e que este “move montanhas”, há quem tenha como auto-realização a propagação da espécie!
Do meu outro lado vejo outro casal, este já de certa idade, já pais, já experientes e com a candura dos 40... Neles vejo uma postura de complacência e reconheço aquele olhar terno e carinhoso, o mesmo com que a minha avó me costumava prendar e surpreender até há bem pouco tempo!
Imagico que a médica lhes diz que para resolver o seu problema só recorrendo a uma sexóloga...
Mexo-me, já estou há uma hora à espera de ser chamada! Para mim não imagico nada, temo e espero o pior, embora preferisse que assim não fosse, que estas dores insuportáveis me dessem um momento de calma e paz...
Uma calma como a de Buda já não peço, mas como a da Senhora de Vermelho sentada na última cadeira já era suficiente... Para ela nada de grave ou de maior transtorno em que o médico lhe faz um exame oftalmológico e lhe diz que está tudo OK! Coisa que comigo é o oposto total...
A funcionária abriu o guichet e chamou Maria!
Ela e a mão entram. Olho para o relógio e por uns instantes julgo ver os seus olhos cravados nos meus, através do mostruário, num pedido silencioso de ajuda que quase me estoura os tímpanos!
Passado um bocado entram os dois casais e sai Maria com um envelope grande daqueles castanhos que costumam conter ecografias... Confirmo aí as minhas suspeitas: ela já não é virgem. Mais, ela está grávida a flita! A mãe aproveita e ao sair dá-lhe mais um raspanete, não sabe como reagir pois ainda não está preparada para ser avó e ver a sua menina abandonar o ninho em breve...!
“Tack!”, a porta abre-se e sai o casal mais novo, todo alegre e luminoso... Ao sair, o rapaz beija a namorada e mais adiante pede-a em casamento.
Contorço-me na cadeira ainda mais e juro que nunca mais quero algo com rapazes, só raparigas, doravante!
Sai o segundo casal, meio consternado e desiludido. A mulher não sabe o que fazer às mãos, aperta-as, mete-as no bolso, tira e aperta a do marido... O homem é mais calmo, ajeita os óculos, dá a mão à esposa, coloca a outra no bolso e saca das chaves do carro, e mais não vi... imagico que em casa lá se decidam a recorrer ao n.º que lhe recomendaram!
Entretanto vão chegando mais pessoas. Vejo uma mãe, um pai, dois filhos e uma filha. Ah, crianças... se por um lado me apoquentam, por outro fazem-me lembrar a inocência, a magia, a ingenuidade... Ah, uma criança comunicativa isola-se de várias formas, e a primeira é ir ao encontro dos outros, para, na verdade, não ter de ir ao encontro de si própria!!! Ah, as crianças... são o símbolo da mais bela e pura forma de sabedoria, como um diamante em estado bruto o é da beleza e fortuna!
Mas essa mãe que tem, que me parece tão descuidada? Sinto-me tentada a ceder aos meus instintos maternais quando a vejo espirrar para cima dos seus filhos, repetidamente, sem mostrar sinal de preocupação em relação a um possível contágio para as crianças, que são tão sensíveis... É nestes casos que esse meu instinto que é tão recalcado e reprimido vem ao de cima!
O guichet abre-se outra vez, desta feita para eu deixar de me remoer ainda mais: chamam-me! Lá vou eu... Ah, sim, mãe, porto-me bem... Sim, não digo nada inconveniente... Só quero que isto passe...!
Ahhh, abençoada medicina! Hoje, quatro dias passados não tenho absolutamente dor nenhuma!

(5/04/03)

18-06-2003 18:43:00


desencantamento
“Acontecem lágrimas”

Desprezo,
Que rola sedento de sangue
Gota-a-gota, cristalino!

Hipocrisia,
Que salpica o chão decrépito
Ensanguentando-o, mórbido!
Intriga,
Que impregna a essência precedente
Colando os pés à Terra!

Influência,
Que torna pegajosos os fracos!

Infantilidade,
Que estagna a mentalidade
Arrastando o mundo com ela!

Morte,
É tudo o que nos espera
Sem esperar
Pois é somente ilusória!!!
(14/10/02)



“Censura”

Exalta-se a vitória,
Sente-se o nacionalismo
Exacerbado pela glória
E pelo furor do orgulho!

Ladram o capitalismo,
Acenando a solidariedade
E lei da oportunidade
Enaltecido pelo materialismo!

Riem-se do trabalhador,
Fingindo grande preocupação
Recusando o merecido pão
Atiram-no ao seu cão!

Exigem-nos mais dinamismo,
Mas somos logo censurados
Quando a cidadania tentamos exercer,
Que não sabemos o que estamos a dizer!!!
(18/10/02)











“Lembranças de Y”

Apaguei todas as lembranças,
Mensagens, palavras e gestos!
Mas todos os meus esforços
Parecem em vão, esquecer-te
E, porventura eliminar-te
Não é possível!!!
Porque a tua lembrança
No meu sentimento continua presente,
Não na minha mente,
Mas no meu coração!!!
Não consigo perceber-me,
Ora amo ora odeio!
Tudo me destabiliza:
Tu, o ar, a terra, o Mundo!!!
19/10/02





“Palhaço triste”

As lágrimas dum sorriso,
Com muito ou pouco siso
Fazem-me lembrar-te
E pensar: Porque não amar?

A entrada da rua da amargura
Está permanentemente aberta,
Cada vez mais se aproxima
Tanto quanto mais se afasta!

As palavras já tão gastas
Que me ecoam constantemente
E me irritam na mente,
Não me deixam em paz...

Conceitos podres e fedorentos
Que perseguem a voz e as lágrimas
Daquele palhaço triste alimentam!

Ele, que é o actor desta peça
Em que minha vida se tornou,
Acordou sem hora marcada
Para a leitura do guião...

Ele, que chora com um sorriso
E ri com uma lágrima, - sem saber porquê!-
Decidiu abandonar o palco:
Fonte da tanta pena e salva!!!
19/10/02

























“Ela”

Num sussurro ela acorda,
Chora cheia de dores e
Pena de si própria!
Toda a vida dormira
numa estufa enclausurada
e pseudo-protegida!
Afasta-se da sua fada,
Rosna-lhe que a deixe em paz:
“Existir ou não?” – para ela,
Deixou de ser uma questão!!!
19/10/02















"Desencantada"

Desencantei-me de mim e da vida!
Perdida,
Procuro-a vagueando pelos escombros
Do que de mim sobrou...
Chamo-me com o que
Das minhas forças resta,
Grito pelo silêncio que não existe
E me atormenta,
Da vida me escondendo rodeando
A morte sufocada,
Que se suicidou engasgada...
Presa ao cordel da ganância
E ao nó da corrupção
Que a desonra!
Ela, que tão fiel me fora
Verdadeira e única...
Não passa dum desilusão iludida,
Uma ilusão desiludida
Para me afastar e,
Descontente me ver perdida!
Tendo-me ri-se...
Porque se livrou de mim,
Deste ciclo contínuo,
Por fim!!!
19/10/02




"Ocas"

Decora-se o ornamento
cheio de vaidade,
vazio de tudo!

(4/11/02)


















"Graal"

Sedimenta-se o Eu
Quando se o busca
tal como Rei Artur
demandando pelo Graal!

4/11/02





















"Eucalipto ariano"

É pela selecção
que se institui a discriminação!
É pelo nacionalismo
que se incute o fascismo...
E se chega à raça pura!!!

(10/12/02)
























"Fugir contigo"

A ideia assalta-me de repente
em clarão: Fugir!
Quero fugir contigo,
mala às costas carregada de
expectativa, emoção e esperança
nos desígnios do instante eterno...
Solidão?? Nunca mais!!!

(17/11/02)


















"Amenus"

Quais as flores que nascem
sem sol?]
Qual a chuva que cai
sem sol?]
Qual a criança que nasce
sem amor?]

10/12/02

















"Polémica"

um assunto é polémico
quando nos obriga a pensar!
Uma polémica só é util
quando nos faz falar!
E só é necessária
quando algo é preciso mudar!

11/12/02



















"Mote"

Não é a Letra que faz
o Homem!]
Mas o Homem que faz
a Letra!]
Não te deixes dominar
por Ela!]

11/12/02












"PSD"
Para o paraíso do consumo
Espreme-se o povo num sumo,
Sobrevivendo com as cascas
duma laranja!]

16/12/02




















”Capitalismo utópico"

Dizem que o comunismo
é uma utopia,
Mas ao capitalismo
não lhe falta a Casa Pia!

Dizem que o comunismo
não resulta,
Mas ao capitalismo não lhe falta a p***!

Capitalismo utópico,
rico paraíso de prazer de consumo!
Prazer como?
Se lhe aplicam a moral judeo-cristã!
Estado laico?
Só em sonhos!
Consumo?
Mas claro! E que se consome?
A carne e a alma do povo!
E ainda têm a lata
de me chamar utópica??

16/12/02




“Natal”
Na lareira um cepo
Morre em angústia
Enquanto as crianças
Brincam às guerras!
Negligenciando o mórbido
Assassínio que perto delas ocorre!
E a isto atrevem-se a chamar
De noite de paz e amor!
Impávida e serena
A tudo assistindo,
Mera espectadora duma peça,
Diverte-se e analisa,
Entristece-se e chora
Com toda esta hipocrisia!
Chora ainda mais quando
Se apercebe de que é
Tudo real e não uma peça!
24/12/02












“Brilha”
Acorda e vê como brilhas,
Levanta-te e aprecia
Cada raio de sol...
Como se fora teu!!!
02/01/03





















“Chave da vida”

Adorava ser a portadora
De grande delícia
Sem rasgos de malícia!
Seria assim o instante
Em que começa
A minha história!
Abrem-se portas e janelas,
Fecham-se cicatrizes de querelas
Num dia tanto brutal
Como doce!
No desejado momento em que
Me entregam a chave
Com a qual abro a minha vida!
















“Esquizofrénica”
Resgatei a dor em que me via
Com esta espada de alegria...
Bebi a memória num cálice de Porto,
Onde afoguei o meu peito,
Rodeada de nostalgia,
Donde, possuída, esvaziei
Minha coragem e dignidade!
Eis o brinde à Vitória,
Da pequena maioria!














“Poeta”
Borboleta de mil luzes
Que brilha para mim,
Desatina a sê estrela
Na coroa dum poeta!
Movimento de sabores alado
Chega-te mais pra este lado,
Pousa num suspiro deserto,
Arco-íris indefinido!
Batalha com data marcada
Para o futuro,
És a cor da cerimónia,
Nem triste nem ilusória,
Ó, Poeta!













“No fundo da vida”
No corpo de uma onda
Distinguem-se os escombros
Do fundo do mar,
Do fundo da vida!
Ventre espelhado divino
Que na Sereia se manifesta,
Escolhe o retrato dum beijo
Que a pouco soube
E a muitos sabe!


















“Madrugada”
Guardei uma mira de loucuras,
Caleidoscópio de criança,
Quadrante de navegador,
Níveo véu de noiva...!
Agitei as cores do vento
Mostrei-lhe o caminho
Para o Mundo!
Errei pela praia da bonança
Avistando ilhas de esperança,
Sofrendo de espiritual miopia
Na madrugada caída!
















“Feira”
Lambi as feridas da alma
Na madrugada caída,
Que cinzas de ilusões trazia!
Vendi juras de amor
Fui poço de amargura,
Regateei fogo e lastro,
Paz e abandono madrasto!




















“Até que ponto?”
Até que ponto será benéfico
Interferir no rumo da vida?
Até que ponto será bom
Devolvermos à vida alguém
Que dela quis desistir,
Pois que não encontra senão
Dor, doença e dificuldade?
Até que ponto podemos considerar
Que estar vivo é bom e morto é mau?
Até que ponto o devemos supor?
Como nos atrevemos a decidir
Por outrém o que lhe será melhor?














“Pseudo-deus”

Porque dão nomes àquilo
que nunca viram, ouviram,
sentiram ou tocaram...
muito menos?
Porque insistem em adorar
o inexistente?
O que a palavra designa
o coração sente,
mas a alma não define!



















“Alma”
A alma não existe,
pois não?
Onde a podemos alojar,
Como nos aperceber
De sua presença?
Que faz ela, caso exista?
E porque assim se chama?
Quem foi que a inventou?
11/01/03


18-06-2003 18:43:00


viagens koloridas
“Dor”

Como um rio de gritos
Meu peito em agonia
Num delírio de fantasia
Revolta crentes infinitos...

Na inexistência de sonhos benditos
Meu gesto em alegria
Num abandono de cotovia
Indigna os crentes infinitos...

Olho o horizonte meu,
Que também é teu,
Na esperança de ser nosso!

Cheiro as flores deste jardim,
Lembrando teus lábios de carmim...
Resumir meu amor não posso!










“Um Mural”

Dispo a minha febre
Que te enlouqueceu
E fez cair do céu...
Chamo a mim sombra,
Na solidão de um poema!
Adormeço e sonho,
Com teu sorriso fatal...
Quando acordo é noite,
Escuridão total...
Minha doce e silenciosa amiga,
Ergue-te e risca a vida!!!















“Inverno”

Fiz girar o desconhecido,
vi-me num tempo ido!
Tropecei nas lentes,
Algumas haviam falecido!
De faces doentes,
No mar de Vigo...
Eram muito pacientes!!!
Minha última acção
Fora um acto de perdão,
Em face àquela revelação...
















“Será?”

Será o talento nato
De outro formato?
Estará o Universo
Compactado num verso,
Virado do avesso?
Ou será um antibiótico,
Um mero hipnótico?
Ou será um pensamento,
Nada mais que um
Simples movimento?
Ao vento...!














“Tempo”

Na fogueira de uma vil discussão
Vi eterna e vil percussão!
Ouvi a resplandecente foz,
Após a perfídia da voz...
Senti algo sobrenatural,
Ao penetrá-la...
Descobri o mundano!
A fogueira apagou
E a discussão cessou...
Nas cinzas pude ler
Quem estava a sofrer,
Por não poder viver!!!














“Sangue”

Em meu corpo convulso...
O silêncio derrama
Seu panorama,
De sangue avulso!

Em meu sangrento pulso...
Prova o ruído,
Seu sabor metálico,
Jamais dito ou ouvido!

















“Fuga”

Vasculho no concreto;
O que seria do abstracto,
Faço do domínio um acto!
Crio meu guetto...
Enclausuro-me no objecto;
Escondo-me da inocência,
Fugindo da minha consciência!
Qual Montéquio perseguindo Capuleto...
Refugio-me da solidão,
No amor do silêncio...
Na esperança do perdão!

















“Marginal”

Mente de rua
Que vive à luz da Lua,
Morrendo à sombra do Sol
Acusam-me de um rol...
Atrocidades!!!
Em teu redor
Nem uma réstia de amor,
Recusa de inocência
Face à violência...
Destino de lamentos,
Que deflagram nas Catedrais!!!
Fruto de negligência
Em prol da sobrevivência!
(junho/2002)







Viagens coloridas

Sinto-me a viajar num carrossel, os acontecimentos giram e rodopiam a uma velocidade vertiginosa, estonteante, quase como a prosa que me conduz até ao fim do início desta sorte teimosa e gostosa que me seduz...
Não sei bem o que sinto, se sinto, tinha medo de desiludir os que me assistiam, mas agora sei que estão lá para me apoiar, caso me sinta tonta ou vá desmaiar, a meio da volta, da corrida multicolorida, neste louco carrossel...
Tenho a cabeça a andar à roda, não resisto muito mais, começo a duvidar se não será melhor deixar de resistir, deixar andar, deixar fluir, me deixar... Simplesmente deixar tudo, a vida, a roda, a viagem, o ciclo em que me encontro emaranhada, mas sossegada, confusa, alegre e desesperada, sempre mudada e misturada, a partir do tudo e do nada!!!
Pergunto-me onde andará o tempo perdido, se longínquo do que foi, se perto do que é e não é... Pergunto-me por onde passará ele, se estará bem, se feliz, se contente... Pergunto-me se algum dia me encontrarei, perdida ou achada, mal ou bem, triste ou feliz, desde que seja eu verdadeira!!!
E o carrossel dá voltas e voltas, pelo meio de gritos alucinantes, assustados, calados e sonoros sinto ouvir um sussurro colorido e gritante de uma mansidão irrequieta; como quando uma criança quer um chocolate ou uma bolacha e está na loja, a pedir à mãe, numa suplica indigente, com aquele olhar meigo e indecente; como quando vejo um cãozinho abandonado no meio da rua, a olhar para mim fixamente, com aqueles olhinhos bem abertos, ansiosos por um trejeito, uma palavra de consentimento, de amor, de chamamento, apoio, abrigo e carinho; como quando olho para a minha gatinha que me arranha e lambe os dedos, lembrando-me os bebés, quando apertam bem forte os dedos dos papás conquistando-lhes assim imediatamente um lugar no seu coração; como quando pegamos numa bola e no nosso irmão e o levamos para um campo qualquer e jogamos, a expressão de felicidade e gratidão, de reconhecimento e amor...
Chega então a imitação da hora de abandonar o carrossel pelo meio da rua, abrindo os olhos de um estranho de Atlanta, o prazer de pintar mil sensações diferentes, jovens, velhas, inocentes, deliciosas e sedutoras representar nas ruínas do jogo de saber ser a ingenuidade a correr na margem dum rio de imagem nenhuma e ver que o rio se confunde com o céu e que já não há margem nem areia, nem terra, apenas aquela doce e terna imagem de promessas que nos largam de novo no dia primeiro, para gritarmos em silêncio o canto do chamamento da beleza diurna da noite!!!
Lembra-se da história dos castelos de férias profundas e insondáveis que respiravam a espuma azul do desejo sujo que avança boiando e balançando-se num remo ao sabor das ondas até lhe chegar o cheiro das muralhas feitas de conchas, búzios e pequenas pedras húmidas que brincam com as crianças abandonadas e maltratadas derretidas pelo gelo do Verão...
Onde reinava a curiosidade e a beleza, a instabilidade gravitacional pertencia ao centro das preocupações banais dos graúdos. Os miúdos; esses pegavam naquelas preocupações tontas e atiravam-nas para uma caixa qualquer, fazendo companhia às mentiras e à maldade.
Levantam o olhar, antes de fecharem para sempre essa caixa e olham à volta, a verificar se estão sozinhos e seguros para esconderem a caixa:

- A curiosidade matou o gato, não podemos permitir que mais gatos morram!

Procuram com a mente e a imaginação, mas cedo desistem pois apercebem-se que sitio nenhum é realmente seguro, pois se eles próprios lá chegam!...
Criam então um mundo paralelo ao seu e mandam para lá a caixa; camuflando de seguida, a porta do "Universo novo".

- Só quem for puro a conseguirá alcançar e passar.

Ora, este universo novo era habitado por uns seres curiosos, possuídos pelo demónio do medo. Qualquer coisa que lhes fosse estranha e desconhecida era logo tomada com algo potencialmente perigoso e hostil; sendo de seguida atacado, como forma de "defesa". nadaram até à caixa, ameaçaram-na de morte caso não os levasse ao seu líder e ela nada fez senão sentar-se e pacientemente quedar-se, sem se abrir, pois sabia que tinha nas suas entranhas algo poderoso demais para se saber, que corrompia o mundo e destruía tudo que lhe tocasse, como Midas com seu toque dourado.
Mas os seres como de costume não ouviram os avisos e calculando tratar-se de uma ladra egoísta e até mesmo terrorista trataram-na mal, até porque... "ela podia possuir conhecimentos ou algo valioso" para eles!
Espancaram-na, gritaram-lhe nomes cujo significado era vazio e banal; alvejaram-na e, por fim, atiraram-na dum penhasco abaixo, nada disso fazendo com que se demovesse do seu objectivo...
Desistindo da tortura deixaram-na no meio da praça ao alcance de todos, como a Excalibur no meio da pedra... Só um ser puro, loiro, de olhos claros como a alma, a conseguiu abrir; mas sem querer, pois tocara num botão camuflado ao esconder-se do seu padrasto cruel!!!
Maldita a hora; soltou a mentira, a maldade e a instabilidade gravítica no seu mundo. Os seres ficaram pesados, já não se conseguia voar nem sair de casa nu sem ter vergonha ou dar sem esperar receber algo e muito menos concordar com o bem comum. Ávidos de poder e sentindo-o ameaçado pelo regime em que viviam conspiraram, inventando o capital e a hipocrisia!!!
esses eram os que mais perto estavam da caixa, quando esta se abriu, chamam-se GATOS e são cadáveres espirituais! Quanto aos restantes, os CÃES, foram-se habituando ao Novo Regime e, simplistas e comodistas como são, tomaram-no por certo e vão sobrevivendo às crises, alimentando os GATOS com seu próprio corpo, alma e suor; restando-lhes a mente que, de tão pobre que é, nem os GATOS a querem!!!
No meio de tudo isto estava o ser que abriu a caixa; cheio de remorsos e revolta, tentando desculpar-se do que fizera, pois não tinha sido sua intenção... Ele só queria viver, ser livre sem ninguém a moralizá-lo!!! este ser era o UTOPI e não morrera como os CÃES e muito menos embarcara na tirania dos GATOS!...
Idealizou um plano para remediar tudo, mas como era jovem e pequeno ninguém o ouviu nem acreditou nele, chegando mesmo a vaiá-lo e escorraçá-lo do seu habitat, cortando-lhe todo o contacto!
Entregou-se à montanha da floresta da solidão, confortando-se na sua biblioteca na busca de um Novo Mundo! Mal sonhara que esse mundo existia entrou nele, quando tornou a adormecer junto à árvore da inocência, encostando mais uma vez o cotovelo a um botão camuflado.
Sentiu-se cair no vazio, acordou com um esticão e vozes irrequietas mas amáveis a perguntar-lhe quem era e se abrira a caixa.

- Sou UTOPI, escondi-me do meu padrasto atrás dela e de repente abri-a e tudo mudou: Ergueram-se bancos, inventaram-se máquinas poeirentas, veio a gravidade e a vergonha e, finalmente, uma divisão de classes; gatos para um lado, cães para outro e eu no meio... Não sei porque não mudei, mas baniram-me e quando adormeci vim aqui cair...

- Pois, tu és um RATO, os nossos são muito fiéis e insatisfeitos, mas com bom coração!

Utopi ri-se num trejeito e levanta-se com dores e cheio de fome, ainda preocupado com o seu mundo; querendo para lá voltar pede ajuda aos miúdos, que lhe dão comida, tratam as feridas e segredam que a única cura é o AMOR!
Utopi abraça-os com ternura e beija-os cheio de esperança e expectativa perguntando a si próprio se algum dia iria conseguir encontrá-lo, esse Graal!... Solta uma breve e límpida lágrima de saudades da sua mamã... revira o olhar e encontra um escadote amarelo às manchas castanhas e começa a subir...



[Sinto que o carrossel parece estar parado, no entanto continua a rodar, mas para mim o tempo fez uma pausa!]



Lá em cima encontra-se num céu castanho com nuvens-doces esponjosas e rosas sendo comidas por um PIU-PIU. Vem, come a manifestação da alegria perdida do rei Leão! - exclama o pássaro.
Utopi agradece, guarda uma nuvem no bolso enquanto come outra e dirige-se para um Pirulito gigante que avistara! Quando chega ao centro da espiral adormece e mais tarde acorda com a chuva a roçar-lhe as pálpebras e acariciar-lhe a alma. Não consegue ver nem se distinguir de nada, parece estar em câmara lenta, Uno com o Tudo e o Nada deixa de ser ele e passa a ser a vida quando o tempo não existia... Quando pensa árvore logo se vê ramo, pensa mar passa a gota... Utopi acha aquilo tudo muito estranho, não tem ninguém a quem perguntar onde está a sua mãe; de quem cada vez mais tem saudades, vê que fica aflito e rodopia no ar e sobe-lhe um arrepio pela espinha acima: Não percebia nada, estava a ver uns quantos seres voadores emitindo uns sons esquisitos por umas varinhas que brilhavam e sussurravam:

- Utopi, somos as FADAS DO AMOR e decidimos que já aprendeste a Amar, vamos mandar-te de volta ao teu mundo, onde poderás espalhar essa delícia de sentimento.

Mais tarde, já no seu mundo, cambaleia meio estremunhado até à gruta da eternidade procurar uma ABELHA que o deixe sacar o seu mel, anunciando-o depois como uma nova bebida refrigerante!
Quando os GATOS se aperceberam do que aquele mel fazia já era tarde demais, pois eles próprios começaram a ficar bondosos e tudo voltou ao MOMENTO ETERNO em que UTOPI se encontra a fugir do padrasto...



E o carrossel gira e gira sem parar e nunca o fará! Quem quiser sair terá de saltar em andamento... Mesmo sendo cíclica, a vida nunca se repete; passa pelas mesmas paisagens, terras, caras, pessoas e raças, mas são as nossas acções que vão mudar os resultados. Apesar de tudo ter o mesmo fim não o tem, porque não há fim...!





























“A noite”

Todas as noites se desafiam susceptibilidades e surgem novas lutas...
Rugidos de leões,
Gatos selvagens combatendo!
Quando o galo canta a batalha acaba,
Mas a luta continua!!!
Até que, de noite, surgem fantasmas e ruídos de novo!
Há que Ter esperança:
O final pode parecer incerto,
Mas é impossível combater o inevitável...
Basta-nos apenas acordar
E desejar um mundo melhor,
Ficarmos conscientes de que a ignorância e a injustiça têm de ser combatidas...
E é de noite que o mar discute com a lua...
Aproveita a vida e o milagre que é poder acordar no dia seguinte...
E fá-lo, para que todas as lutas,
Noites, mortes e vitórias valham a pena!!!

(fins de julho/2002)







“Emaranhada”

A minha mente vagueia
Pelo espaço até ficar
De barriga cheia,
Aguardando a sua estreia!

O astronauta navega
Dentro do novelo
Até dizer chega,
Não quero vê-lo!

A caneta transpira
O que a tinta escreve
E a confusão respira,
Como um almocreve!
(4/09/02)










"Corrente-Pêndulo"

Necessidade de gritar
de novo aquele brilho,
sentir o toque suave
da nossa paixão interior...
A poesia é algo que nos une
como uma corda,
que nos prende e fascina...
Um poema segura-nos,
faz-nos rodopiar e dançar
ao sabor do vento,
que assobia de contentamento...
Não passa dum pêndulo
de uma corrente dourada
sob o tornozelo pousada
de forma estrelada...
Motivo de rejubilo dum gândulo!!!

02/08/26








“Tik-tak”

Mais uma vez me perco e encontro nesta vida, neste ponto!
Acorda o vulcão desejoso de destruição,
Cheio de esperança de Ter vingança!
Vai lava quente, a escorrer e quem quiser viver,
Que se ponha a mexer!
Corre, foge!!!
Foge de mim, enquanto é tempo!!!

Tik-tak, tik-tak...

O cuco aguarda a hora,
O relógio gira o ponteiro,
A bomba está prestes a rebentar...
Vai dar-lhe a mostrar a sujidade das tuas vestes,
A tua podridão!!!
A lascívia da senhora,
Sempre que vê o carteiro,
O desespero que lhe bate no coração,
Sempre que o vê abandoná-la...
O desgosto que forte bate,
Com um baque!!!

26/08/02




"Rasgos de Outrora"

São sempre para mim
Palácios idos,
Vividos...
Rasgos de cetim!

Foram outrora para mim
Recintos de luz,
Hoje a minha cruz...
Rasgos de carmim!

Espelho milagroso
Ecrã desprezado,
Desgraçado e humilhado...

Pujantes veias
Confusas estreias,
Rasgo doloroso...

(aos 16)






“Árvore”

Se eu fosse uma árvore
Não pensava,
Apenas existia, seria!
Não quero pensar,
Quero deixar de ser racional...
Quero sentir e viver!
Se eu fosse uma árvore
Não me preocupava,
Em agradar, em segui-los...
Não teria “conhecido” Deus,
Não teria ouvido ninguém
Me dizer o que
Devo ou não fazer!!!
Apenas seria, eu,
Uma árvore,
A ser... Eu e mais ninguém!
(29/9/02)









“Vazio (caixão)”

Se calhar é por Ter tido um vislumbre do mundo e da liberdade; mesmo que por momentos breves, que tanto anseio por isso de novo e estou entretanto a sufocar!
Dou por mim a atravessar a janela, em vez de apenas olhar através dela, a pensar, sonhar e questionar: Porque tem de ser tão “inútil” sonhar? Porque é tão absurda a ideia de que a vida é mágica e cíclica e que pode haver lugar para o comunismo neste país, de que o dinheiro nada vale e de que o heroísmo não tem de ser sinónimo de mártir? Que morre para salvar algo ou alguém e que chega mesmo a matar, com exactamente os mesmos propósitos...
Ser herói é saber perdoar, é essa a verdadeira coragem!!! (“Um herói serve-se morto!”)
Há vários tipos de morte, qual é a tua? Não assisto impávida e serena ao rumo que estou a dar à minha vida; não o quero assim, luto e resisto à morte mental, à dor e ao sofrimento! No meu caso, ao contrário dos mártires, não sou uma suicida; a morte em mim não é, de todo, voluntária!!!
Ainda agora comecei a sufocar; poucas brechas sobram no meu caixão a preencher por pregos, que ouço martelar no meu corpo... Pouco tempo me resta grito: ESTOU VIVA!!!
Esgravato, esmurro e tento empurrar e levantar a tampa até que, de repente, acordo: era só um pesadelo...!
(3/10/02)

18-06-2003 18:42:00


"O despertar" os meus primeiros poemas
“Amar”


Amar é viver numa angústia constante

É sofrer e Ter alegrias,

Mas tudo passa num instante

E se te descuidas só te ficam estrias...




Amar é justiça popular,

Sempre pronta atacar!!!

Amar é uma sede inesgotável

Uma certeza incerta, noite solitária...




Amar é guardar dentro de nós

Num nó, uma voz...

E apenas a pessoa amada

A poder soltar dos nós!!!























“Enigma(?)”




Uma vez te disse:

“A vida é um enigma!”

E uma vez ousaste perguntar:

“Fazes parte do meu, então?”

E agora pergunto eu:

“Farei!?

Ou és mais um fariseu

Que não quer que se lhe

Complique a vida?”

Tu disseste:

“Não!!!”

“Apaixonei-me”


Apaixonei-me...

E agora!?

Sem ti, o que sou?

Nada!!!

Sem ti não quero ser,

Conto-o à noite e às estrelas...

Elas acariciam a minha pele

Se não fores tu!

Sorria, mas agora choro...

Sem ti se fecham os meus olhos,

Ai! Se tu me tocasses...

Ai! Se fosse aqui!...

“Amor...”



Amor!

Será uma palavra, um sentimento, o quê?

Amor!

Será viver aprisionada à alma duma pessoa?

E dela, para sempre, depender?

Amor!

É tudo em que consigo pensar:

No meu amor por Romeu;

Serás tu o meu... Amor?







“Loucura”


O destino não existe,

Nem acasos ou coincidências!

Tal como o nome indica,

Coincidências:

Uma incidência em comum...

Gostos iguais,

roupas parecidas,

sonhos idênticos,

desejos mútuos!!!

Deus não existe,

Não acredito que haja algo divino,

Superior a mim só eu mesma,

Ou seja, a minha consciência,

O meu ser mais profundo

Que me acorda

quando faço algo errado,

quando não me respeito,

nem aos meus critérios

ou à minha filosofia de vida...


No fundo,

Mas mesmo lá muito

Nas profundezas do meu ser

Habita e se esconde

A minha vida,

Personalidade e o meu eu!!!

Debaixo de inúmeras camadas

Vai sobrevivendo a minha magia,

A minha razão, a força cada vez

Mais forte que me impulsiona

A continuar a viver,

A ser fiel aos meus ideais

E a não me deixar levar,

Pelos estúpidos!


Ignorantes são aqueles

que se deixam “levar”,

por drogas, vícios

que são depois fortes demais,

para se combater,

que na maior parte das vezes

sucumbem à dor do mal causado

pelos seus erros cometidos,

sem sequer pensarem duas vezes!!!

A magia do meu ser,

Cada vez mais esclarecido,

Vai-se submetendo a

Várias metamorfoses,

Tal como a larva transformando-se

Numa linda borboleta,

A magia vai-se tornando cada vez

Mais bela e sábia,

Podendo então proteger-me

Das mentes clinicamente saudáveis,

Mas que no fundo dessa sanidade

está alojada uma profunda irresponsabilidade

para com a sua magia,

negando-a estão a matá-la!!!

Ao matá-la deixam de raciocinar por si mesmos,

Tornando-se dependentes das frequentes

Lavagens cerebrais na catequese, igreja

E até mesmo no trabalho, enfim...

A sociedade de hoje em dia!!!

Sociedade essa muito superficial e,

No fundo, hipócrita!!!

Tal como Jim Morrison uma vez disse.

“Loucos são os loucos que não conseguem

compreender a minha loucura!!!”...

É preciso ser-se “louco” para compreender

A vida e poder ser-se naturalmente dotado

De uma visão pura,

Sem nenhum par de óculos cor-de-rosa,

Que nos dão a tal “fé” nos Homens!

Essa visão é tão realista que ninguém quer

Aceitá-la devido à dor que causaria!!!

Cobardes, encobrem a verdade,

Chamando-lhe insanidade...

Mentirosos, “Deus” é cada um,

Eu sou o meu “Deus”,

Tal como espero que tu sejas o teu,

Vivas pelas tuas regras,

Sem te deixares influenciar pelos ignorantes,

Os verdadeiros loucos!!!

Sê único como cada um deveria ser,

Não ocultes o teu lado mágico,

Assume o teu mais obscuro desejo...

Vive cada dia como se fosse o 1º,

Deixando-te surpreender pela natureza das coisas,

Pasmado ficarás,

ao descobrires a verdade sobre ti mesmo,

ainda mais encantado...

verás que ao observares a tua magia,

libertas a tua essência,

tal e qual uma BORBOLETA,

ao sair da gaiola dum coleccionador qualquer

do ELIXIR DA VERDADE!!!


(98/99)


“Perdida”



Estou arrependida!

Abusei,

O risco do sonho passei

E pisei!!!



Sou rebelde e selvagem,

Persistente na minha busca

Pela liberdade,

A realidade!!!




Voei longe,

Demais até!

Tão nua e cruel

Essa liberdade...




A vida foi a minha prisão

O sonho foi a morte!!!















“Fénix”

Sou como a fénix,
Flamejante!
Com vontade de viver,
Quando te beijo!
Ai! Até fico para morrer,
Se não te vejo!
Apetece-me gritar,
Mas só ouço falar...
E é esta pressão
Que me afoga a alma,
Me dá uma arma
Arrancada do coração :
O Dom de ouvir...
Para mais tarde o substituir
Pelo sublime poder...
Das cinzas renascer!!!
Quero paz e muita calma,
Fogo é a essência da minha alma...
E assim me vou libertar
Desta prisão que é amar!!!

“Sem ninguém para me compreender, acabarei por morrer...”
“Escorrendo, ele mostra-me a beleza da morte...
Saboreio-o, seu sabor é metálico! “

“Melancolia Perfeita”
Estado de estar e não estar,

Querer sair e querer ficar...

Gritar, abraçar!!!

Apetece-me dormir,

Mas não consigo...

Tenho medo de não acordar,

Tenho o coração num farrapo...

Queimo-me, corto-me, minto!

Só quero um abraço,

Um beijo...

Sentir-me viva e amada!

Mas o amor e a dor não se possuem,

Sentem-se!!!

Atacam-nos pelas costas,

Como o doce sabor do sal,

Como mel, amargo...

Medo, tenho medo de mim...

De me vir a arrepender,

De algo muito precioso perder!

Para mim basta isso...

Esta sensação de calma falsa,

Semelhante ao efeito do tabaco!!!

No entanto, não estou saciada,

Quero tudo e não quero nada!

Percebo e vejo tudo à minha volta,

Exceptuando à minha frente...

Estou cega!
Não sinto a dor,

Preciso de a ver...

Vejo a prova da sua existência

Cortando-me, vendo o sangue

Escorrer, sem resistência!

Queimando-me sinto-a...

Agora, mesmo que me destrua,

Não a vejo nem sinto...

Estou numa perfeita melancolia,

À procura da razão de existir,

Do meu eu...

Entretanto,

Vou-me tornando num farrapo!

Já não sinto nada,

Nem a droga da nicotina!!!

“Lua (a mia alma)”



Lua,

Só tu me consegues ouvir,

Só tu a consegues ouvir...

Só tu, lua!!!



És a mia alma,

Ouve-me com calma!

És a mia amiga,

Tenta compreender,

Não sejas inimiga

Pelo que vou dizer!!!



Lua,
Escuta-me :
O bater dum coração,
Acabou de perder a razão!!!
Perdoa-me por desejos,
Lânguidos,
E sempre rejeitados...

Lua,
Tenta perceber,
Não me abandones,
Pelo que quero ser...

Foram apenas desejos,
Sem ensejos...

Lua,
Ajuda-me!

Tu,
Que ouves meus suspiros...
Que me deixas sonhar
E desejos formular...

Ajuda-me,
A meu sonho realizar!!!

Lua;
Só tu e eu sabemos,
Diz-me,
Que fazemos!??

Tu,
Que conheces o segredo da eternidade
E o peso vulnerável da verdade,
Alivia o meu coração :
Não me digas que não!!!

Lua,
Que és como o Amor
Que cura a dor,
Como fogo, consumindo a alma!

Lua,
Só tu a consegues ouvir :
A mia alma...!








“Desejos”

Toco...
E sinto!
Toco em mim própria,
Sinto a suavidade da excitação!
Experiencio o doce sabor,
Do desejo,
O sabor da minha língua,
Quente e húmida ao mesmo tempo...
Humedeço a ponta dos meus dedos,
Saboreio bem e depois estimulo-me,
Dou uma visita guiada às minhas mãos!
E fico mais excitada,
Cada vez mais sinto...
O desejo a palpitar e a aumentar!!!
As batidas do meu coração
Exaltam-se de desejo e excitação,
Ofegante a respiração...
Gemo baixinho,
O silêncio grita por mim!
Os meus gemidos são sentidos
Por mim e pela minha pele...
Toco...
E sinto!
Toco em mim própria,
Sinto a suavidade do gelo!
Abraço-o,
Saboreio-o sobre meus mamilos,
Sinto o frio, gelado...
Observo-os a ficarem erectos,
A minha respiração descontrola-se...
Estou a Ter um ataque,
De prazer!!!
Começa com espasmos,
Penso como seria,
Se me tocasses...
A minha vagina contorce-se
De desejos carnais!!!
Entro numa apoplexia total...
A minha alma abandona-me,
Tenho uma sensação inenarrável
De prazer...
O máximo, o clímax,
Um orgasmo!!!











“Refugiada”

Provocante,
De olhar penetrante
Selvagem maresia,
Da praia sorria!

Sentimental,
Desconcertante perdição
Anseio por aquela expressão
Cultivada no quintal!

Fulminante,
Espero pelo olhar
Para em ti poder tocar,
Finalmente!

Consentimento,
Chego a duvidar
Se meu coração o sente
Se me permitirá sonhar!

Embriagada,
Só de te olhar,
Contigo quero ficar
De tudo refugiada!
(remake de “massagens”, a dia 3 de setembro de 2002)

“Um Novo Mundo”

Eu queria um novo mundo!
Um mundo como este...
Como este antes da praga humana!!!
Um mundo que eu pudesse proteger!
Um mundo onde se pudesse viver!
Um mundo onde se pudesse crescer!
Eu tenho um mundo!
Um mundo como este...
Mas está infectado e poluído!!!
Um mundo que, sozinha,
Não consigo proteger!
Um mundo que também quer viver!
Um mundo que está a morrer!
No entanto,
Esse mundo ama-me!
Esse mundo, que é meu,
Deixa-me viver em paz!!!
Esse mundo, que é teu
Deixa-te ser feliz!!!
Esse mundo, que é nosso
Deixa-nos crescer!!!
Apesar do que lhe estamos a fazer...-
Eu tenho um mundo!
Um mundo como este,
Doente, a implorar ajuda...
A nossa diferença
É que faço algo pelo meu,
Ajuda o teu também...
Faz com que o nosso mundo
Seja Um novo Mundo!!!























“Parem!!!”

Parem de destruir a Terra
E a Floresta, que é nosso pulmão!
Parem de matar a Terra
E os animais,
Eles também sentem...
Parem, parem, parem!!!
Deixem-me em paz!
Ass: Universo!



















Pensa!
Mas pensa mesmo...
Não faças como o resto do mundo:
Fazem que pensam!
Pensa!
Mas pensa por ti próprio...
Cria os teus valores,
Deixa os preconceitos!!!



















"Somos"

Somos...
A nossa história,
O que vivemos!
Sê feliz,
Faz o que queres,
Não tenhas medo!!!
Não sintas rancor,
Perdoa...
Sabes o que queres!?
Luta, então!!!
(aos 16)















"Ama-te"

Repara nos pormenores,
O que correu mal?
Deixa o medo e a expectativa,
Ama!!!
Muda e deixa-os partir...
Não critiques nem negues Amor,
Cria-te a ti mesmo...
Sê o que quiseres,
A vida deu-te essa Oportunidade!
Sempre que quiseres voltar atrás
Lembra-te da dor sentida...
Sê positivo e verdadeiro
E assim o serão contigo!
Ama-te!!!













"Felicidade"

Sensação de paz,
Realidade irreal
Efémera, mas possível!

Apetece gritar,
Saltar e brincar
Fazer do céu um amigo!

Gratidão,
Perdão,
Paz no coração!














"Deus"

Deus é linda!
Olhos de lua,
Sardas de estrelas...
Face ora escura,
Ora clara!
Corpo de arco-íris,
Voz de cantar de galo...
A sua mente é o sol,
A alma o amanhecer!
Sangue de mar,
Cabelo pôr-do-sol...
A sua beleza é a Natureza
E a vida a dádiva sublime!
E lá vai ela,
Serena e sem rancor...
Simplesmente sendo Amor!










"Amiga"

A rapariga inocente só quer paz,
Um cantinho sossegado...
Ser feliz!!!
A rapariga inocente só quer verdade,
Ela não tem culpa...
Deixem-na voar!!!
A rapariga inocente só quer um rapaz,
Que a ame e proteja...
Parem de a sufocar!!!
A rapariga inocente quer amar
E ser amada,
Como uma pomba!!!














"Ser Perfeito"

Dorme bem,
Meu ser perfeito...
Humano!
Quem dera possuir-te,
Ter-te só para mim...
E mais ninguém!
Por ti abdicava de tudo,
De todos...
De mim!!!
Boa noite,
Beijinho à vampira...
Humana!
De ti,
Tiro vida e força...
Ofereço em troca,
Imortalidade
No meu coração!!!









"Fui, Sou, Serei!"

Fui criança,
Sou adolescente...
Serei adulta!?
Fui triste,
Sou instável...
Serei feliz!?
Fui má,
Sou boa...
Serei melhor!?
Fui inconsciente,
Sou consciente...
Serei consciência!?
Fui humana,
Sou humana...
Serei humana!!!







"Sempre"

Sempre mudei,
Sempre chorei
E gritei...






"Tudo"

No início...
Tudo era bom e novo!
Depois...
Tudo não chegava, era monótono!
Agora...
Tudo é mau e tem de mudar!
Amanhã...
Tudo será melhor e terá desaparecido!



"Passado"

Estive mal,
Por muito passei
E ultrapassei...
Sem nenhum hospital!
Estava receosa,
Sentia-me revoltada
Com necessidade de gritar:
Por amar estou ansiosa!!!
Queria amar
E ser amada,
Quem não quer?
Queria me acalmar
E a raiva matar,
Quem não quer?
Queria voar
E ser feliz!
Quem não quis?
Queria a mágoa queimar
E a dor assassinar,
Mas só pensava em me suicidar!
Não para fugir,
Mas para desistir...
Obrigada!
Por me teres acalmado
E, talvez, Ter amado!!!
10/05/02

“Coração lindo”

Coração lindo,
Solitário e confuso...
Coitado de ti!
Habituado à rejeição,
Outrora certo,
Agora duvidoso...
Pobre coração!
Coração lindo, diz-me:
Qual teu dilema???
“–Não sei que fazer:
Continuar minha eterna busca
Ou render-me a quem aqui buscou!”
Coração lindo,
Segue teu instinto
De amar...
E deixa de ser coitado!




“Rapaz”

Olhos doces,
Castanho-aveludado;
Pele macia,
Clareza divina...
- Assim é o rapaz! –
Boca bela, de pura seda;
Mãos lindas, de quem ama...
- Assim ele é! –
Seu estilo
É perfeito;
Recordo seu olhar:
Giro!
Inteligente a sua mente,
Orgásmica a sua energia!
- Quem ele é! (?) –
- É ele, O Tal!!! -



“Sentimentos”

Quando somos jovens tudo é beleza!
A vida é como o mar, a amizade uma flor!
O amor é nossa preocupação, irresistível mistério!
Sentimentos confusos, vida num turbilhão...
Coração afogado, junto de um berbigão!
Problema superficial, a aparência...
Dilema profundo, o sentimento...
Ora queremos ou não,
Ora sabemos que queremos
E o quê ou quem ora não!
Sentimentos:
Belos e terríveis ao mesmo tempo...
Serenos provocadores,
Angustiantes e doces!!!

18-06-2003 18:31:00