Cuidar dos vivos, enterrar os mortos
Há perto de duzentos e cinquenta anos, numa das mais dificeis situações que esta terra viveu, foi emitida a grande ordem: cuidar dos vivos, enterrar os mortos. Imagine-se, se nessa época existisse televisão, o que nós veríamos como notícia.
Felizmente a situação actual, apesar de toda a sua gravidade, não se pode comparar. No entanto a atitude mantem-se: é preciso enterrar os mortos, com respeito e dignidade e esse respeito e dignidade inclui a recuperação e, se possivel, melhoria de tudo o que foi a sua vida e a sua obra.
É igualmente preciso cuidar dos vivos e os vivos precisam de mais do que aqueles socorros iniciais da caridade e do choque emocional dos primeiros momentos. Muitos dos vivos perderam o trabalho, perderam o emprego, perderam a profissão, perderam o capital, perderam o alojamento, perderam a perspectiva de vida. É preciso recuperar tudo isso: a casa, os utensílios, os animais, as pastagens, a floresta. Até é preciso recuperar o solo e, sobretudo, não deixar que ele se degrade com as próximas chuvas. Toda a gente está avisada: será que vai servir para alguma coisa?
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19-08-2003 15:08:00 |
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E daqui a um mês, a um ano?
Por fim o fogo acabou ou, pelo menos, parou. Parou onde já era uma surpresa não aparecer. Parou, tambem, onde se começou a ver uma integração sistemática, supõe-se que deliberada e planeada, dos vários intervenientes indispensaveis nestas circunstâncias, nomeadamente bombeiros e INEM.
O facto de noutras zonas as pessoas se queixarem que isso não acontecia, fazendo fé nas notícias, parece indiciar que houve, de início, um grosseiro erro de avaliação e uma censuravel falta de preparação previsional, em matéria de lançamento de acções e coordenação de meios, para fazer face a situações concretas de gravidade apreciavel. Se foi assim aí temos o exemplo perfeito da aplicação da lei do “desenrasca”, do “na altura a gente vê”.
Agora são “minutos de silêncio às vitimas”, elogios aos bombeiros e outros intervenientes, algumas medidas imediatas de apoio ou de promessas de apoio imediato, as afirmações enfáticas de que se vai estudar o problema e implementar uma solução adequada. Certo, tudo bem! O problema é de como estarão as coisas daqui a um mês, a três meses, a um ano, quando passar este primeiro impacte emocional e mediático. Será que os media ainda se vão lembrar disto nessa altura? Será que os interesses ilegítimos ou imorais foram completamente bloqueados? Ou será que as dificuldades orçamentais vão queimar as próprias cinzas?
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18-08-2003 12:27:00 |
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Fogo: sobre as cinzas quentes
Parece que as autoridades tomaram a iniciativa e começaram a decidir medidas acertadas mesmo na hora. As medidas sobre a comercialização da madeira queimada, tomadas sobre as cinzas ainda quentes, parecem oportunas sobretudo se envolverem todas as partes interessadas. É uma forma de evitar que os abutres, sempre presentes nestas alturas, desçam impiedosos sobre as vítimas indefesas.
Mas estas vítimas não estão apenas fragilizadas no aspecto económico, talvez estejam ainda mais nos aspectos social, humano, psicológico e animico.
Qual é e qual tem sido a intervenção dos serviços de saude e de segurança social? Na hora e a quente? Quando fazem qualquer coisa os políticos levantam logo um enorme alarido. O facto de não se ouvir nada será sinónimo de nada feito?
É verdade que a época é má, mas é uma calamidade, não é? Pode haver férias em calamidades? Quem é que admite férias nas urgências dos hospitais?
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14-08-2003 14:10:00 |
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Fogo e Política
Apesar dos esforços do politicamente correcto a realidade acaba por vir ao de cima. Afinal já será "sorte" se a área queimada ficar "só" pela monstruosidade dos 300 mil hectares.
É uma boa peça de humor negro comparar a situação actual com as atitudes e afirmações balofas de alguns responsaveis semanas atrás. Parece que há quem se esqueça que ser responsavel é assumir competentemente a responsabilidade e não imaginar-se um Harry Potter encartado, de varinha mágica na mão, a deslumbrar os basbaques aparvalhados.
Alem do mais parece haver uma certa confusão: ninguem pediu aos senhores governantes, autarcas, etc., para irem para lá. Foram eles que nos pediram os nossos votos. Portanto, senhores governantes, autarcas, etc., façam o favor de fazer o vosso trabalho bem feito. Infelizmente aí está uma excelente ocasião de mostrarem o que valem, de mostrarem que merecem a nossa confiança.
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13-08-2003 17:11:00 |
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FOGO! FOGO!
É o que mais se ouve por esse país fora: Uns porque são vitimas e sofrem, outros porque se comovem e são solidários.
Há tambem aqueles que não gostam que se fale disso porque têm a consciência pesada.
Há, ainda, os que jogam à defesa e dizem que não é a altura de falar. Talvez tenham razão do seu ponto de vista: há coisas que se dizem a quente mas que vão perdendo força quando começam a arrefecer. Depois até esquecem, o que pode ser um alívio.
Sem deixar arrefecer e sem incendiar vamos agarrar o assunto, a pouco e pouco, porque há muito a dizer e muito mais a fazer.
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13-08-2003 17:10:00 |
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