21-11-2006 às 09:27

Sites disfarçam endereços de e-mail para evitar spam

Texto em formato de imagem, mensagens distorcidas e endereços electrónicos disfarçados são alguns dos truques a que instituições e particulares recorrem para lutar contra o crescente bombardeamento da publicidade electrónica não solicitada.

O também designado spam cresceu 67% desde Agosto, segundo um estudo recente, e é considerado um dos aspectos mais negativos da correspondência via e-mail.

Albano Serrano, engenheiro do departamento de informática da Universida de do Minho, explicou à Lusa que os endereços disfarçados «começaram a surgir há cinco ou seis anos, para evitar a acção de robots que percorrem a Internet em busca de endereços para integrarem bases de dados gigantes que são, depois, vendidas a empresas».

Em algumas páginas do site da Universidade do Minho, é possível ver que, nos endereços, o símbolo «@» foi substituído por «» e o vulgar «.» figura ali enquanto «ponto», como mostra o e-mail aproencadiuminhopt, disponível online.

«Se se tratar de um endereço novo, os truques podem reduzir significativamente o nível de spam mas se o endereço tiver sido divulgado antes, já pouco pode ser feito para evitar o bombardeamento por publicidade não solicitada», assegurou Albano Serrano.

Um problema que foi sentido na pele por Ana Noronha, da direcção da Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica.

«Chegámos a ter todos os endereços electrónicos na Net mas a publicidade era tanta que os retirámos e até pedimos a outras entidades que os tinham nas suas páginas para fazerem o mesmo mas já era demasiado tarde», lamentou a responsável.

«Agora usamos formulários para que as pessoas contactem connosco e evitamos disponibilizar online os endereços», acrescentou, indicando que outros endereços do sítio foram alterados, nomeadamente com a substituição do «@» por «(arroba)».

Uma precaução que se estende a um número cada vez maior de sites, como explicou Pedro Custódio, webdeveloper do Sapo, cujos mecanismos de defesa conhece por dentro.

«Nos mails do Sapo temos filtros anti-spam que reconhecem os endereços já apontados como remetentes de publicidade não solicitada e os designados filtros bayesianos, que detectam determinados padrões nas mensagens publicitárias e as excluem», revelou à Lusa.

Segundo Pedro Custódio, «nos blogs e nas fotos do Sapo é usado o Captcha, que permite distorcer uma imagem de modo a que ela apenas possa ser lida por uma pessoa, uma vez que um computador não tem a capacidade de converter a informação deformada em dados correctos».

As engenhocas são mais do que muitas mas têm o seu reverso, como admitiu o programador, para quem «pessoas pouco familiarizadas com a Net podem não saber transformar um endereço camuflado num endereço normal, o que afecta a designada acessibilidade para todos».

Apesar dos senãos, quem tem um espaço online tenta sempre encontrar uma técnica para reduzir o número de mensagens indesejadas, como fez António Granado, editor do blog Ponto Media, que colocou os seus endereços electrónicos dentro de uma imagem.

«Cheguei a ter o e-mail exposto mas depois escolhi o sistema actual», revelou, lamentando, no entanto, que «agora coloquem spam na zona dos comentários, enchendo a área com mensagens em poucos minutos».

António Granado, que possui «um software que detecta palavras como «sex» ou «finances»» e que, em função disso, ou da presença de determinados links, « filtra os comentários», lamentou todavia que, por erro, os filtros apanhem também «mensagens não publicitárias».

João Paulo Antunes, da equipa que mantém o sítio da Ciência Viva, alertou, no entanto, que «pôr o endereço numa imagem não resulta, pois já há robots que as sabem ler e retirar o endereço».

«Neste momento, não creio no efeito da maioria das contra-medidas, pois nós avançamos com um truque hoje e, amanhã, quem captura os endereços já sabe como contorná-lo, até porque esses mecanismos estão cada vez mais sofisticados», afirmou.

Segundo João Paulo Antunes, «muitas vezes os robots nem recorrem aos sites», infectando os computadores «remotamente».

«Nesses casos, e sem que o proprietário se dê conta, um programa é instalado no computador, percorre-o em busca de todos os endereços aí guardados e depois envia-os para fora via Internet», explicou.

Diário Digital / Lusa

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