19-01-2009 às 11:14

Hamas promete rearmar-se

O Hamas prometeu hoje rearmar-se, num desafio aos esforços israelitas e da comunidade internacional para evitar que o grupo islâmico recupere o seu arsenal de foguetes e de outras armas após a guerra de Gaza.

«Façam o que quiserem. Fabricar as armas santas é a nossa missão e sabemos como adquirir armas», disse Abu Ubaida, porta-voz do braço armado do Hamas, em conferência de imprensa.

Falando aos jornalistas com o rosto coberto por um lenço de xadrez, disse que «todas as opções estão abertas» se Israel não retirar as suas tropas da faixa de Gaza numa semana, exigência feita pelo Hamas quando o grupo anunciou um cessar-fogo no domingo, após três semanas de combates.

Em mensagem transmitida na televisão no domingo, o líder máximo do Hamas em Gaza, Ismael Haniyeh, disse que considerou o cessar-fogo de uma semana um «triunfo» que «tem que abrir uma porta para o diálogo e a reconciliação interna».

Apesar da trégua, no norte de Gaza foram registados combates entre os poucos milicianos que ainda não aceitaram o cessar-fogo e as tropas israelitas que continuam no território, segundo cadeias de rádio locais.

Israel, que já tinha declarado o seu próprio cessar-fogo unilateral, ameaçou renovar a acção militar se o Hamas tentar contrabandear armas e quer que o Egipto evite que as armas cheguem a militantes palestinianos através de túneis na região da fronteira com Gaza.

Na sexta-feira, Israel assinou um acordo de segurança com os Estados Unidos que pede um aumento na partilha das informações, assistência técnica e uso de vários «activos» norte-americanos para evitar que armas cheguem ao Hamas por terra, mar ou ar.

Israel quer que as suas tropas deixem totalmente a faixa de Gaza antes da posse de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos, que decorre terça-feira, avançou hoje o jornal Yedioth Ahronoth.

Se não se registar nenhum novo incidente, as forças israelitas terão completado a retirada da faixa palestina na terça-feira, assegura a versão digital do periódico, que cita fontes governamentais.

Domingo, as tropas israelitas começaram a sair do território palestiniano e abandonaram as posições ocupadas durante os últimos 14 dias.

Israel afirma ter morto mais de 500 activistas do Hamas durante a ofensiva em Gaza, iniciada a 27 de Dezembro, mas o Hamas disse hoje que perdeu apenas 48 durante as três semanas da ofensiva israelita.

«Nós anunciamos ao nosso povo o martírio de 48 combatentes do Qassam», declarou Abu Obeida, porta-voz das Brigadas Ezzedin Al-Qassam, o braço armado do Hamas, em conferência de imprensa.

Acrescentou que a capacidade do Hamas para lançar foguetes contra Israel não diminuiu durante a ofensiva do exército israelita, que tinha como objectivo acabar com os disparos destes projécteis.

«O nosso arsenal de foguetes não foi afectado e continuamos disparando durante a guerra, sem interrupção. Continuamos em condições de disparar e graças a Deus os nossos foguetes atingirão outros alvos em Israel», disse Obeida.

As forças policiais do Hamas retomaram hoje o controlo na faixa de Gaza, onde as tropas israelitas prosseguem a retirada.

Dezenas de agentes da polícia do Hamas, que foram alvo das tropas israelitas durante as últimas três semanas, regressaram esta manhã às ruas principais da Cidade de Gaza, onde tentavam organizar o trânsito.

Segundo o Ministério da Saúde, os combates deixaram 1.300 mortos e mais de 5.500 feridos. O Ministério da Habitação também apresentou os primeiros dados de danos, que apontam para 4.000 casas totalmente destruídas e mais de 20.000 danificadas.

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