14-06-2012 às 19:38

Até à 5ª Casa: Rocky Balboa

Por Sérgio Diamantino

Há-de haver toda uma geração que não sabe nada sobre o Rocky Balboa. Mais do que nunca terem-no visto, talvez nunca tenham ouvido falar dele. E parece-me ser uma falha importante.

Todos sabem – ou deveriam saber – que a vida não é um assunto fácil. E talvez esteja ai a sua beleza. É na adversidade que se vê qual a fibra das pessoas. É na adversidade que as pessoas se revelam, é aí que elas se mostram e que se percebe se uma pessoa é boa ou má.

E é interessante verificar que nestes tempos de crise está a separar-se o trigo do joio. Começa a ver-se claramente uma fronteira entre aqueles que têm honra e aqueles que, além de não a terem, até desconhecem o termo. O problema – ou pelo menos a gravidade do mesmo – é que quem não a tem não são pessoas que desconhecem o Rocky Balboa. Grande parte dos que se esqueceram de ler sobre a honra são pessoas que viram o Rocky dentro dos ringues de boxe e viram-no ganhar um Óscar. São pessoas que conhecem as lutas que esta personagem teve de travar na tela de cinema e tiveram contacto com a sua humildade.

Aliás, a humildade não é amiga da soberba e é exactamente a humildade que nos faz levantar mais fortes quando a vida nos bate. Quem não é humilde encontra sempre uma forma menos própria de se levantar. E levanta-se sempre mais fraco. Essas pessoas têm os socos contados até cair no tapete.

Mas mais problemático do que os sobranceiros terem visto o Rocky levantar-se e não o recordarem – ou não lhe terem dado a devida importância didáctica – é terem-se esquecido que o Rocky, um dia mais tarde, tornou-se no Rambo. E o Rambo não reduz a sua batalha aos ringues. Para o Rambo, a vida é por si só um campo de batalha.

E, tal como o Rocky, o Rambo também tem duas palavras escritas na mente: «honra» e «humildade». E mesmo que estas duas palavras comecem com uma consoante muda, a verdade é que o seu significado é bem sonoro.

E, lá está, por todos aqueles que se esqueceram destas duas personagens – e destas duas palavras – há umas quantas pessoas que as têm bem vívidas na mente. Tanto as personagens como as palavras.

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