21-06-2012 às 22:42

Até à 5ª Casa: Papel principal

Por Sérgio Diamantino

É ingrato culpar os outros pelos nossos fracassos. É tão fácil quanto inútil.

Haverá naturalmente uma quantidade enorme de pessoas cujo objectivo não é melhorar a sua vida mas, antes, boicotar o trabalho dos outros. Penso que haverá sempre gente assim na sociedade. Não estou a falar dos oportunistas – esses também há em demasia – estou a falar dos sabotadores.

Não sei se é algo intrínseco à sociedade portuguesa. Talvez exista nos outros países também, eventualmente em escalas diferentes. Mas vê-se muito em Portugal a vontade estragar os sonhos alheios. É como ver um carro topo de gama na estrada e o pensamento, em vez ser «vou trabalhar para ter um igual», é «canalha, o primeiro poste é teu».

Não adianta subir na vida a pisar os outros quando são exactamente esses outros que vão potenciar o negócio dos que acabaram de pisar neles. Se o dono de uma empresa der boas condições de trabalho aos seus funcionários, com certeza que estes produzirão mais e, consequentemente, mais lucros terá a empresa. É importante perceber que o egoísmo não é o caminho do sucesso. E a subserviência também não o é. Até porque a subserviência é um maná para os oportunistas.

E isto leva-me a abordar a importância do reconhecimento da motivação e da importância da motivação. É importante percebermos qual o nosso papel. Se nos cabe o papel de motivadores de uma equipa, então deveremos encará-lo como se o sucesso da missão dependesse disso. Ser motivador é como ser o actor secundário num filme blockbuster. E o reconhecimento da motivação é importante para que o protagonista perceba que o filme só foi um blockbuster porque teve uma quantidade de gente a motivar a equipa.

Se os actores secundários – uma espécie de motivadores – não derem as deixas certas, o protagonista não saberá qual a frase que deve ser dita nem o momento correcto para dizê-la. E o resultado é um mau filme. E a culpa pode ser apenas do protagonista ou do realizador, até porque no cinema, quem está na bancada não tem uma acção directa sobre o filme. Já no futebol, quem paga bilhete tem a oportunidade participar na película e ter um papel importante no desenrolar da estória... e da história.

Em jogo não está apenas uma bola na baliza, não está apenas o resultado do encontro, não estão apenas as boas vendas de uma empresa. Em campo está também toda uma imagem. Mostra-se a capacidade de superação de um povo. Em campo estão os novos gladiadores de cada país.

Se esses gladiadores ganham demasiado dinheiro para o desempenho que têm, isso é outra história. Mas quem veste as quinas e vai para a bancada tem como missão apoiar os gladiadores. Os castigos não se dão no campo de batalha, dão-se quando os gladiadores chegarem a casa. E quanto mais força dermos durante o encontro, mais moral teremos para aplicar o castigo se necessário. E isto é válido não apenas para o futebol.

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