02-07-2012 às 15:07

Islamitas de Timbuktu continuam a derrubar mausoléus

Os islamitas que controlam Timbuktu (norte do Mali), onde destruíram sete dos 16 mausoléus de santos sufi, continuaram hoje a sua obra devastadora, que a promotora do Tribunal Penal Internacional (TPI) equiparou a «um crime de guerra».

«Os islamitas acabam de destruir a entrada da mesquita Sidi Yayia de Timbuktu», situada no sul da cidade. «Arrancaram a porta sagrada que nunca era aberta», disse uma testemunha.

Uma das testemunhas, que antes trabalhava como guia turístico da cidade, declarou: «Vieram com picaretas, começaram a gritar ´Alá` e arrombaram a porta. Isso é muito grave. Alguns dos civis que observavam choraram».

Um membro da família de um imã que disse ter falado com os islamitas do grupo armado Ansar Din (Defensores do Islão), que ocupam esta cidade há três meses, disse que agiram assim porque «alguns diziam que no dia em que esta porta se abrisse seria o fim do mundo e quiseram mostrar que não é o fim do mundo».

A porta de madeira situada na ala sul da mesquitas de Sidi Yayia estava fechada há décadas, já que, segundo as crenças locais, a sua eventual abertura provocaria uma desgraça. Esta porta conduz a um sepulcro de santos e, se os islamitas soubessem, «teriam destruído tudo», afirmou outra testemunha.

A cidade de Timbuktu e o Túmulo de Askia (norte do Mali), tomados pelos islamitas, foram incluídos na lista de património mundial em perigo a pedido do governo malinês, anunciou na quinta-feira a Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A destruição atual de mausoléus na cidade de Timbuktu é um «crime de guerra» que o Tribunal Penal Internacional (TPI) pode investigar, declarou no domingo a promotora deste tribunal, Fatu Bensuda.

Depois de atacar os mausoléus de santos, o Ansar Din ameaçou no último fim de semana destruir as mesquitas da cidade, afirmando que agia «em nome de Deus» e em represália pela decisão da Unesco, no dia 28 de junho, de inscrever Timbuktu na lista de património mundial em perigo.

A mesquita de Sidi Yayia é uma das três grandes mesquitas de Timbuktu, juntamente com as de Djingareyber e Sankore, jóias arquitetónicas do auge desta cidade.

A associação de líderes religiosos do Mali condenou «o crime de Timbuktu». «Até o profeta (Maomé) ia visitar os túmulos e os mausoléus. Isso é intolerância», considerou esta associação num comunicado publicado no domingo.

A Unesco considerou que a presença de islamitas colocava em perigo Timbuktu, uma cidade mítica designada por «Cidade dos 333 santos», em referência aos personagens venerados do seu passado cujos túmulos se encontram ali.

Os islamitas do Ansar Din, assim como os do Movimento pela Unidade e pela Jihad na África do Oeste, aliados da AQMI, aproveitaram um golpe de Estado militar a 22 de março em Bamako para acelerar o seu avanço em todo o norte do Mali. Atualmente dominam esta região, em detrimento dos rebeldes tuaregues. O seu objetivo é impor a sharia (lei islâmica) em todo o Mali.

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