Movimento Precários Inflexíveis passa a associação para alargar intervenção a todo o país
O movimento Precários Inflexíveis transformou-se hoje na primeira associação nacional de combate ao trabalho precário para alargar «a capacidade de intervenção» a todo o país e dar «uma reposta organizada ao regime de austeridade».
Passado cinco anos de actividades, o movimento Precários Inflexíveis constitui-se como a primeira associação nacional de trabalhadores precários e desempregados, tendo a sessão pública de apresentação decorrido hoje ao fim da tarde, em Lisboa.
«A diferença agora é que nós propomos uma associação a nível nacional, que consiga formalizar o contacto com milhares de pessoas em todo o país e que permita a essas pessoas ter acesso à rede de contactos, de apoio e de informação da associação», explicou Marco Marques, membro da Associação de Combate à Precariedade.
Segundo Marco Marques, o objectivo é ter mais núcleos locais de luta contra a precariedade e contra situações de precariedade que os trabalhadores vivem nesses locais.
A associação vai arrancar com um núcleo em Lisboa e um outro no Porto, mas a intenção é expandir-se por todo o país.
Marco Marques adiantou também que «a associação surge em resposta a um regime de austeridade que é cada vez mais violento».
«É neste momento que a precariedade deixa de ser uma proposta e passa a ser regra, passando a ser o nivelamento por baixo de todas as relações laborais», disse, sublinhando que é necessário haver uma resposta por parte de todos os trabalhadores que vivem estas condições.
De acordo com a associação, actualmente há 900 mil falsos recibos verdes, 400 mil trabalhadores em empresas de trabalho temporário, mais de um milhão de trabalhadores a prazo e mais de 1,2 milhões de desempregados.
Marco Marques avançou que mais de metade dos trabalhadores portugueses, cerca de cinco milhões, são precários. «São pessoas que vivem hoje uma condição de novas exclusões criadas por este regime de austeridade», sustentou.
A primeira iniciativa da associação é o lançamento de um guia das empresas de trabalho temporário que será distribuído em todo o país e tem como objectivo fornecer informação sobre estas empresas e a «exploração» que criam em Portugal, afirmou.
Marco Marques disse ainda que a associação nasce «não como oposição aos sindicatos, mas sim como complemento e aliado das forças sindicais», sendo intenção trabalhar em conjunto na defesa dos trabalhadores precários.
Presente na sessão pública de lançamento da associação, o investigador e sociólogo Nuno de Almeida Alves defendeu uma fiscalização às empresas que contratam pessoas de uma forma ilegal.
Segundo o docente do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE), há pessoas que estão a trabalhar com contratos de três meses vários anos, com contratos ao dia e até há quem não tenha contrato de trabalho.
«As autoridades devem estar atentas e devem perseguir se for uma situação de trabalho ilegal. Às vezes é o próprio Estado que engloba dentro das suas agências algumas modalidades de trabalho com este cariz e que deve ser perseguido no contexto atual», disse ainda.
Diário Digital com Lusa




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