Técnica dos cones chineses promete diminuir crises de rinite, sinusite e dores no ouvido
Esta técnica milenar é indicada para eliminar o zumbido, diminuir os sintomas de sinusite, rinite e dor de ouvido. Imagine um conta-gotas de vidro gigante que traz numa das extremidades um pavio feito de tecido e um pequeno reservatório onde são colocados azeite extra-virgem ou uma mistura de óleos essenciais. Agora, imagine uma pessoa deitada de lado com a ponta mais fina desse acessório dentro do ouvido, a haste totalmente na vertical e, na outra ponta, o pavio aceso.
Assim é a sessão dos cones chineses, técnica milenar que já foi usado por índios para combater a dor de ouvidos e hoje é indicada para eliminar o zumbido, diminuir os sintomas de sinusite, rinite, labirintite ou aumentar o intervalo entre as crises.
Segundo a terapeuta holística Susi Kelly Benevides, autora do livro Cones Chineses (editora Madras), isso é possível porque a queima do pavio reduz a quantidade de oxigénio dentro do cone, gerando uma pequena pressão capaz de movimentar a cera ou o muco no canal auditivo.
«Com isso, o ouvido fica limpo, o que consequentemente beneficia o nariz e a garganta, já que estão todos interligados», conta a especialista, que apresentou a técnica na 1ª Expo Saúde Alternativa, que aconteceu nos dias 23 e 24 de Junho no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo.
Para o otorrinolaringologista Arthur Castilho, do Hospital Bandeirantes, em São Paulo, o alívio da dor de ouvido prometido pelos cones está relacionado com o calor. «É que, ao promover uma vasodilatação, há melhoria na circulação e redução do edema, efeito semelhante ao obtido com uma botija de água quente ou a toalha aquecida com o ferro de passar roupa», diz o médico, que não vê com bom olhos a mobilização da cera pelos cones chineses.
«Ao contrário do que muita gente pensa, o cerume protege o ouvido de infecções, bloqueando a entrada de microrganismos, e não precisa de ser removido, já que o excesso sai naturalmente com os movimentos de mastigação. Somente em pouquíssimos casos, como excesso de produção de cera ou quando ela é empurrada com cotonetes, por exemplo, é que a retirada é recomendada», completa o médico.
Originalmente, os cones chineses eram feitos de vários tipos de materiais, como tecido de algodão e folha de bananeira seca, e conhecidos como vela de ouvido, cones de hindu, canudos de ouvido ou de hopi.
De acordo com a terapeuta, durante a sessão, que dura 30 minutos, a pessoa pode sentir um ligeiro calor, ter a sensação de líquido escorrendo pelo ouvido ou sentir gosto de fumo na boca. Assim que o cone de vidro é retirado, tem-se a impressão de que o som está mais alto e o ouvido mais ventilado e uma nítida sensação de bem-estar.
«Isso porque tanto os nervos auditivos quanto o labirinto, que é responsável pelo equilíbrio, foram sensibilizados pelo calor dos fumos oleosos», diz Susi, que só não recomenda a terapia para quem perfurou o tímpano, passou por algum tipo de cirurgia ou fez lavagem dos ouvidos há menos de três meses.
Segundo a terapeuta, uma sessão é suficiente para conter a dor de ouvido e, entre três e sete, sendo uma por semana, para aliviar os sintomas da sinusite, rinite e labirintite.


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