23-07-2012 às 12:59

Síria ameaça usar armas químicas em caso de intervenção estrangeira

O governo de Bashar al-Assad garantiu hoje que só usaria armas químicas em caso de «agressão externa», mas nunca contra civis, nas palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) sírio, Jihad Makdissi, numa conferência de imprensa em Damasco.

Antes, a Liga Árabe tinha oferecido a Assad e à sua família uma «saída segura», oferta que foi classificado por Makdissi como uma «interferência flagrante» nos assuntos internos da Síria.

Makdissi acrescentou que as armas químicas estão guardadas e são monitorizadas pelo exército, na primeira vez que um responsável sírio confirma publicamente a existência do arsenal. O ministro afirmou que a situação na capital estava a melhorar e que voltará ao normal dentro de alguns dias.

«Todos aqueles que pegarem em armas contra o Estado só podem levar a mesma resposta», disse Makdissi.

Após uma reunião com MNE da Liga Árabe, o grupo propôs uma «saída segura» para os Assad com a condição de que o ditador sírio abandone o país o mais depressa possível. Cresce na comunidade internacional o receio de que o conflito não termine pacificamente na Síria, mesmo com a saída de Assad do poder.

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil Elaraby, não avançou mais pormenores sobre a proposta na reunião dos MNE em Doha, no Qatar, hoje de manhã. Segundo o primeiro-ministro do Qatar, Hamad bin Jassim bin Jaber al-Thani, os ministros da Liga também pediram à oposição e ao Exército Livre da Síria (ELS) que formem um governo de unidade nacional, que teria como função promover uma transição pacífica no país.

A Liga Árabe também pediu à ONU que mude a missão do enviado especial para Síria, Kofi Annan. O grupo pede ao diplomata que se concentre na saída de Assad do poder e numa transição sem violência na Síria.

As conclusões da Liga seguem os passos sugeridos pela Rússia. No domingo, o embaixador russo em França disse que a saída de Assad era certa, mas era preciso «organizá-la de forma civilizada, como foi no Iémen».

O presidente da Tunísia, Moncef Marzouki, tinha oferecido asilo a Assad em fevereiro se este pusesse um fim ao conflito que começou em março de 2011, mas Assad mostra pouca disposição para deixar o cargo. No domingo, as suas forças retomaram bairros tomados por rebeldes na capital Damasco.

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