Fábricas de artigos olímpicos da China são acusadas de abusos
Um grupo de direitos laborais sediado em Hong Kong criticou hoje os organizadores dos Jogos Olímpicos por não impedirem os abusos «escandalosos» em duas fábricas de artigos olímpicos da China.
.Na mais recente investigação de fábricas na China, o grupo Sacom ( estudantes contra o mau comportamento corporativo) analisou dois fornecedores olímpicos e disse ter detectado segurança precária no local de trabalho, salários exíguos e horas extras em excesso.
O grupo disse que a Locog (organizadora dos Jogos) não conseguiu reforçar a monitorização dos fornecedores chineses, mesmo depois de uma reportagem de grande destaque da campanha Playfair, sediada na Grã-Bretanha, em janeiro.
«As violações escandalosas de direitos revelam que os códigos da Locog não são mais que conversa fiada, sem compromisso com a aplicação de padrões de direitos laborais», disse a Sacom, grupo que advoga direitos laborais na China, num relatório sobre a investigação que fez em maio e junho.
Nas duas fábricas, os trabalhadores tinham turnos de 11 a 12 horas seis dias por semana e até 120 horas extras por mês. Numa delas, trabalhadores que dormitassem durante o trabalho perdiam o pagamento de duas horas, e noutra um atraso de cinco minutos era punido com metade do salário de um dia.
«Os trabalhadores estão expostos a um ambiente de trabalho perigoso, sem equipamento de proteção adequado», apontou o documento. «Numa das fábricas, alguns trabalhadores têm que levar as suas próprias máscaras ao trabalho».


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