Alergias podem ter surgido para proteger de toxinas
A maioria dos especialistas vê as alergias como reacções imunes equivocadas contra substâncias inócuas como pólen ou amendoim. Alguns, no entanto, propõem uma teoria de alergias fundamentalmente diferente: nariz irritado, tosse e comichão podem ter evoluído para proteger-nos de produtos químicos tóxicos presentes no ambiente e nos alimentos.
Há muito tempo imunologistas acreditam que quem tem alergia é vítima de uma resposta tipo 2 equivocada, que se acredita ter evoluído para nos proteger de parasitas. Essa reacção fortalece as barreiras protectoras do corpo e promove a expulsão de invasores.
O nosso corpo luta também contra substâncias nocivas usando a resposta tipo 1, que elimina directamente elementos patogénicos como vírus, bactérias e células infectadas. A ideia é que estes elementos patogénicos menores podem ser mortos, mas é mais eficiente enfrentar os maiores defensivamente.
Ruslan Medzhitov, imunobiólogo da Yale University, nunca aceitou a ideia de que as alergias são «soldados anónimos do exército antiparasita do corpo». Os parasitas e as substâncias que provocam alergias, chamadas alergénicas, «não têm nada em comum». Primeiro porque existe um número quase ilimitado de alergénicos; segundo porque reacções alérgicas podem ser extremamente rápidas – da ordem de segundos – e «uma resposta a parasitas pode demorar um pouco mais», justifica o pesquisador.
Num artigo publicado na Nature, Medzhitov e os seus colegas argumentam que as alergias não são um erro, elas surgiram por uma razão: «Como defender-nos de algo que inalamos por acaso? Produzindo muco, ficando com o nariz a escorrer, espirrando e tossindo. Se estiver na nossa pele, evitamos a substância devido à irritação ou tentamos remover ao coçar», reforça o pesquisador. Da mesma maneira, se ingerimos algo alergénico o nosso corpo pode reagir com vómitos.
Entre as evidências citadas por Medzhitov está um estudo de 2006, publicado na Science, relatando que células-chave envolvidas em respostas alérgicas degradam-se e desintoxicam veneno de cobra e de abelha. Um estudo de 2010, publicado no Journal of Clinical Investigation, sugere que respostas alérgicas à saliva de carrapatos impedem que estes se fixem no corpo e alimentem-se.




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