15-09-2012 às 12:44   actualizada às 22:59

Andrew Zolli: «Sem justiça e sem equidade não pode haver crescimento»

Por Fátima Moura da Silva
Andrew Zolli: «Sem justiça e sem equidade não pode haver crescimento»

Criatividade, Justiça e, sobretudo, Verdade são os principais ingredientes para construir um futuro melhor, um futuro de sucesso feito de «bits», moléculas, energia verde e ideias, na opinião de Andrew Zolli, especialista norte-americano em visão global e inovação. Quanto ao futuro português, disse: «Não há nada de mal em Portugal que não possa ser resolvido com o que há de bom no país.»

Além disso, «sem justiça e sem equidade não pode haver crescimento», disse à plateia que o ouvia no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no segundo dia do ciclo de conferências «Presente no futuro - Os portugueses em 2030», organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

«Verdade e justiça», respondeu quando interpelado sobre soluções para o momento de profunda crise em que Portugal está mergulhado. «Todos temos uma aversão profunda à desigualdade, mas não vou falar das vossas instituições, sou vosso convidado. Esse é o vosso papel», disse, defendendo que os que estão no topo das organizações devem ser responsabilizados pelos seus actos e que se for utilizado o potencial criativo das sociedades será possível ultrapassar as dificuldades.

A pergunta sobre Portugal surgiu depois de Zolli falar sobre o exemplo da Islândia, o primeiro país a ser abalado pela crise financeira mundial, que praticamente o mergulhou na bancarrota.

Um país com uma economia criativa e cidadãos empenhados, resistente (resiliente), que percebeu que a civilidade tinha acabado quando o então primeiro-ministro foi à televisão dizer «Não se preocupem». «Ele estava a mentir e não se pode viver na verdade se os nossos líderes não nos disserem a verdade», sublinhou.


Na continuação, bancos e primeiro-ministro foram criminalizados – não como castigo, mas para chegar à Verdade - os cidadãos disseram não à escravatura dos bancos, e empenharam-se profundamente em salvar o país. Começou-se a fazer uma nova Constituição cujos progressos as pessoas acompanhavam através dos media sociais, em que opinavam e que irão agora aprovar ou não em referendo. 

Servirá a receita de um país com 300 mil habitantes ao Portugal de 10 milhões? Na plateia houve quem considerasse que não,  mas Zolli respondeu que a receita a encontrar não é à medida da Islândia, mas à medida portuguesa, adequada às características próprias do país. Verdade, justiça e equidade são, porém, universais, e a criatividade e empenho na intervenção todos os povos as podem ter e desenvolver.

Além disso, há a memória. Não longe, na década de 1970, a Islândia era um país pobre, sem infraestruturas, onde metade da população era analfabeta. A memória do que pode ser um fracasso serve para se ser cauteloso em relação às consequências dos actos e, por outro lado, ter em mente que quem «já lá esteve» sabe também que irá sobreviver. Resiliência, para a qual contribui fortemente a memória do fracasso, usada como forma de sabedoria.

«Também Portugal teve 40 anos disso», lembrou uma participante.


Numa intervenção cheia de histórias e humor, Andrew Zolli confessou-se rendido à gastronomia portuguesa – o pastel de nata mereceu várias menções e teve honra de fotografia em ecrã gigante – e à Comporta, onde disse ter sentido um bem estar total. Tão total que lhe serviu de referência a um «estudo» que fez (ressalvando que não foi científico) entre os portugueses que via na rua.


«Parecia um maluco, mas ia até às pessoas e perguntava como achavam que a sociedade portuguesa se sentia: Comporta (nível 1 – bem, tranquilo) ou completamente stressada (nível 10)», explicou. A média das respostas foi elucidativa, nível 8, disse. Quanto a si próprios, os mais jovens, na casa dos 20 anos, disseram sentir-se no nível 7, enquanto os mais velhos consideraram estar no nível 5, mas quando pensavam no futuro dos filhos «saltavam» para o nível 9.

«Nesta corrida entre os nossos desafios e as nossas capacidades temos que tomar o futuro a sério». «O futuro começa agora», concluiu.

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