06-12-2012 às 11:52

Deep web: Saiba o que acontece na parte obscura da Internet

Deep web: Saiba o que acontece na parte obscura da Internet

A chamada «deep Web» é a camada da Internet que não pode ser acedida através de uma simples consulta no Gooogle. Quando se diz que na Internet é possível aprender como construir bombas, comprar drogas e documentos falsificados, entre outras coisas, geralmente é sobre a deep web que se está a falar; assim como é lá também que surgem organizações como Wikileaks e Anonymous, e são essas pessoas que discutem a web como um organismo livre e democrático. Portanto, é uma via de duas mãos, em que a qualquer momento se pode tropeçar numa pedra e cair do lado contrário.

A deep web é considerada a camada real da rede mundial de computadores, vulgarmente explicada em analogia a um iceberg: a Internet indexada, que pode ser encontrada pelos sistemas de busca, seria apenas a ponta superficial, a «surface Web». Todo o resto é a deep web - não à toa o nome que, em inglês, significa algo como rede profunda. «Essa parte inferior do iceberg existe por causa das deficiências da parte de cima, por causa do uso comercial excessivo da parte de cima. As pessoas cansam-se», diz Jaime Orts Y. Lugo, presidente da Issa (Associação de Segurança em Sistemas da Informação). Há quem diga que a camada inferior é 5 mil vezes maior que a superior, mas não há consenso e uma corrente acredita justamente no contrário.


Em grande parte, a deep web existe, assim como a própria Internet, graças à força militar dos Estados Unidos. Neste caso, graças ao Laboratório de Pesquisas da Marinha do país, que desenvolveu algo chamado The Onion Routing para tratar de projectos de pesquisa, design e análise de sistemas anónimos de comunicação. A segunda geração dessa proposta foi libertada para uso não-governamental, apelidada de TOR e, desde então, tem evoluído.

Em 2006, TOR deixou de ser um acrónimo de The Onion Router para transformar-se numa ONG, a Tor Project, uma rede de túneis escondidos na Internet em que todos ficam quase invisíveis. Onion, em inglês, significa cebola, e é bem isso que a rede parece, porque às vezes é necessário atravessar várias camadas para se chegar ao conteúdo desejado.

Grupos pró-liberdade de expressão são os maiores defensores do Tor, já que pela rede é possível conversar anonimamente e, teoricamente, sem ser interceptado, dando voz a todos, passando por quem luta contra regimes ditatoriais, empregados insatisfeitos, vítimas que queiram denunciar os seus algozes...todos. A ONG já teve apoio da Electronic Frontier Foundation, da Human Rights Watch e até da National Christian Foundation, mas também recebeu dinheiro de empresas, como o Google, e de órgãos oficiais - o governo dos EUA, aliás, é um dos principais investidores.

Ao aceder a um site normalmente, o seu computador liga-se a um servidor que consegue identificar o IP; com o Tor isso não acontece, pois, antes que a sua requisição chegue ao servidor, entra em cena uma rede anónima de computadores que fazem pontes encriptadas até ao site desejado. Por isso, é possível identificar o IP que chegou ao destinatário, mas não a máquina anterior, nem a anterior, nem a anterior etc. Chegar ao utilizador é praticamente impossível.

Também há serviços de hospedagem e armazenamento invisíveis. Assim, o dono da página está seguro se não quiser ser encontrado.

O Tor Project conta com ferramentas para que qualquer um possa ter contacto com o espaço, inclusive uma compilação de produtos que inclui a versão portátil do Fiferox já configurada para o acesso anónimo e que nem sequer exige instalação. Tanta preocupação com segurança faz com que a navegação seja muito lenta.

Um programador que usa a rede Tor explicou que isso ocorre principalmente por causa da triangulação do acesso. «Às vezes ele manda um pedido para um desvio noutro país e redirecciona para o site», disse.

É preciso cautela para se aventurar nesse mundo. Em primeiro lugar, tenha em mente que os principais caminhos estão em inglês, e é essencial compreender exactamente o que está escrito antes de clicar num link. Além disso, a deep web é feia, porque ninguém ali está preocupado com o layout, então o inglês é duas vezes mais importante, já que não há imagens que levem a entender o contexto. É tudo muito directo.

O programador alertou que alguns dos vírus mais arrojados são testados na deep web, portanto, antivírus e firewall têm de ser bons e estar actualizados.

A maioria dos sites tem o .onion no meio por conta do Tor, mas há, porém, scripts que configuram o navegador para que este abra outras extensões, pois essa não é a única forma de driblar a monitorização da surface web. No ano passado, por exemplo, quatro investigadores das universidades de Michigan e Waterloo criaram o Telex, que permite acesso a páginas bloqueadas, embora a tecnologia dependa de aprovação do governo ou fornecedor para funcionar. Outra alternativa é a Freenet, uma plataforma pela qual se pode partilhar arquivos, navegar e publicar «freesites» - estes, assim como os .onion, só são acessíveis com o programa específico.

Uma vez na deep web, basta «caçar» conteúdos.

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