17-02-2013 às 16:20

INE guarda pedaços da História de Portugal e do mundo em publicações únicas

Edições únicas com séculos da história de Portugal, das trocas comerciais do Império ao censo de Pina Manique, guardam-se no Instituto Nacional de Estatística (INE), entre centenas de volumes com registos estatísticos dos quatro cantos do mundo.

Muitas destas obras «raramente saem do sítio». Estão recolhidas na biblioteca e só esporadicamente são consultadas por estudiosos.

«Historiadores, demógrafos, pessoal da arquitetura e do planeamento, por vezes, procuram estas obras, pelo interesse pelo conteúdo. Pelos livros, aparecem poucos, só alguns esquisitos», conta à agência Lusa o responsável pela biblioteca, Albano Vinhais.

Uma destas raridades regista a população em 1527 para as comarcas de Entre Tejo e Odiana e da Beira: «Não é o país todo, é uma parte e é uma contagem simples porque só tem uma variável, ou seja, moradores», explica. É a primeira encomenda real sobre a matéria.

Noutra antiga encadernação inscreve-se a segunda contagem da população, em 1732. Está descrita num extenso texto de um clérigo, Luiz Caetano de Lima, mais precisamente no tomo II de Geografia Histórica dos Todos os Povos da Europa, editado em 1736.

Albano Vinhais conhece de cor a informação contida nas páginas amareladas de cada livro. Vai indicando pormenores – «A página 400 tem uma contagem da população. Ainda é uma contagem simples, mas já tem duas variáveis: casas e almas».

O chamado censo de Pina Manique, de 1798, é outra das preciosidades que a biblioteca encerra num livro que contém as freguesias de Lisboa e as diversas terras do reino.

Porém, o intendente não contou pessoas, mas fogos. «O problema dele era recompor o exército e em função das casas determinou o número de recrutas que queria. Estávamos muito perto das invasões francesas», relata.

Mas não só de pessoas tratam os livros históricos guardados no INE. Um dos mais curiosos é o 1.º Recenseamento Geral dos Gados e o Atlas Pecuário que se lhe seguiu, com a identificação dos animais por distritos e concelhos, na sequência de um decreto de 1870.

O «Portugal Vinícola» está retratado num portentoso livro, ilustrado pelo realismo de Roque Gameiro. Quase se consegue sentir o cheiro das uvas, como diz Albano Vinhais.

A obra, de Cincinnato da Costa, foi elaborada para a Exposição Universal de 1900, sob edição da Imprensa Nacional.

Dois dos livros mais curiosos têm assinatura de Charles Bonnet, um naturalista suíço, que se dedicou à «Estatística da Fruta do Reino do Algarve» e a elaborar o «Mapa Estatístico dos Cereais e Legumes Líquidos», no reinado de D. Maria II.

A abertura destes álbuns revela metros de tabelas feitas à mão, com o rigor da régua e de uma caligrafia apurada.

Entre a biblioteca e o Salão Nobre, junto à escadaria, estão visíveis os manuscritos em que se registam as trocas comerciais, numa coleção que começa em 1796. Abrange tudo o que era comercializado com outros países, desde lãs a armas, frutas, pregos, martelos e ouro.

No piso superior, as paredes do Salão Nobre estão forradas com publicações oriundas de outros países.

É aqui que se guarda um dos primeiros compêndios de ensino da estatística em Portugal e na Europa, datado de 1858. A disciplina «começa a ser ensinada na Universidade de Coimbra», explica o guardião.

No mesmo lugar, guarda-se a Conta Geral do Estado, de 1835, e o 1.º Anuário Estatístico da ONU, então Sociedade das Nações, de 1926, onde já figura Portugal.

Dar a volta ao Salão Nobre, é dar a volta ao mundo, num percurso alfabético que começa na Alemanha e em que cada país se ilustra com números.

Diário Digital / Lusa

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