21-02-2013 às 15:37

Até à 5ª Casa: Grândola, Portugal, Europa

Por Sérgio Diamantino

Os símbolos são fortes. Quase tão fortes como uma ideia. Uma ideia unida a um símbolo fazem uma dupla imbatível. E esta união é válida tanto para temas bons como para temas maus.

O mundo inteiro reconhece o símbolo nazi e a ideia que ele tem por trás de si. Aquilo que representa. Aquilo que ameaça. E, da mesma forma – e fugindo a comparações de grandeza mundial mas considerando que esta «batalha» Alemanha vs Portugal é particularmente curiosa nos dias que correm – no canto oposto do ringue, temos o tema português «Grândola, Vila Morena».

A canção fala mais alto que a própria letra. É mais audível que os seus acordes. E tem este poder porque é transversal a gerações e, como temos visto ultimamente, a nacionalidades. O que a «Grândola, Vila Morena» defende é a igualdade, a fraternidade e o companheirismo. O facto desta canção estar a ser novamente entoada é porque o povo está a sentir na pele que estes três valores já se extinguiram há muito tempo dentro da classe politica.

Ministros, que aparentam nem saber a letra deste tema, entoam com sorrisos alguns dos seus versos. E o interessante nem sequer é desafinar na letra e na música, o interessante é que desafinam no conceito.

Naturalmente que as pessoas que vão ouvir este tema quando quiserem ligar o microfone para falar – seja na Assembleia da República, em conferências ou colóquios – são os culpados deste tema estar a ser entoado novamente da mesma maneira que em 1974. Dizer-se que «se é para se ser interrompido, que seja com este tema» mostra desconhecimento pelo que esta música representa. Mostra ignorância pelo seu significado e mostra desprezo pela razão que fez esta música ecoar de novo.

E se em Portugal o significado tem proporções astronómicas, em Espanha e na Europa a música vai ganhar proporções ainda mais fortes. E torna-se preocupante que os governantes – principalmente os portugueses – não lhe estejam a dar a devida importância até porque, em 1974, a música foi o alerta de algo maior que estava prestes a acontecer.

Os exemplos de ter um ministro – logo qual – a querer discursar numa faculdade; um banqueiro que conta com os maiores lucros desde há cinco anos, que levou uma injecção de dinheiro do Estado, e ainda diz que os portugueses aguentam mais austeridade; e um primeiro-ministro que dorme pouco mas dorme com o aumento do número de desempregados, mostram que não há vergonha na cara de quem está com as rédeas deste país. As pessoas estão cansadas de ser insultadas.

Parece-me mesmo que a Europa – e o Mundo – esqueceram que quem mais ordena é o povo, principalmente quando é espezinhado.


 

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