05-03-2013 às 09:58   actualizada às 12:17

Pesquisa sobre carbono promete mudar teoria sobre origem da vida

Pesquisa sobre carbono promete mudar teoria sobre origem da vida

Uma equipa internacional de cientistas divulgou os primeiros resultados de um amplo programa de pesquisa de 10 anos sobre o carbono que pode mudar teorias actuais sobre a origem da vida na Terra ou a busca de soluções para as alterações climáticas.

A iniciativa, conhecida como Deep Carbon Observatory (DCO), completa três anos de trabalhos com a publicação de um volume de 700 páginas que contém as principais descobertas, assim como as novas incógnitas geradas pelo trabalho de cerca de mil cientistas de 40 países.

O director-executivo do DCO e cientista da Instituição Carnegie, o Robert Hazen, disse durante uma visita a Toronto que um dos principais objectivos do programa, que tem um orçamento de 500 milhões de dólares, é saber com exactidão quanto carbono está armazenado nas profundezas da Terra e onde.

«Estamos interessados em saber quanto carbono há, onde está, como se movimenta de uma parte para outra do planeta, quais são as suas formas, estamos muito interessados no fenómeno da vida microbial em grandes profundidades e como afecta o ciclo do carbono», declarou Hazen.

«É realmente um esforço para entender o carbono em escala global, da superfície ao centro da Terra, não só o ciclo do carbono mais superficial e do qual a maioria das pessoas fala, mas um ciclo mais profundo que representa 90%, ou mais, do carbono no nosso planeta», acrescentou.

Hazen explicou que o carbono é «o elemento químico mais importante» no ser humano e no planeta. «É o elemento da vida, o que deu origem à vida. É um dos aspectos que estamos a tentar entender, de onde veio a vida», acrescentou.

Algumas das descobertas mais fascinantes que foram reveladas pelo DCO são precisamente as que dizem respeito à relação entre a vida e o carbono. As conclusões dos três primeiros anos do programa e detalhes dos próximos sete anos de trabalho estão a ser discutidos numa conferência internacional que acontece até esta terça-feira na Academia Nacional de Ciências em Washington.

Por exemplo, a de que há 4 mil milhões de anos os processos biológicos produzidos por micróbios começaram a alterar a mineralogia da Terra, criando minerais que nunca tinham existido no planeta. Ou que os cientistas estão a encontrar vírus em grandes profundidades no interior da Terra e que agem de forma diferente dos vírus da superfície: o seu material genético é transferido de forma passiva no genoma de micróbios e pode viver nele durante anos antes de se manifestar.

Segundo um dos cientistas, John Baross, da Universidade de Washington, «a profundidade debaixo da superfície pode ter agido como um laboratório natural da origem da vida no qual múltiplas experiências podem ter sido produzidas em dupla».

Relacionado com este achado é o chamado processo de «serpentinização», que está a originar uma teoria alternativa sobre a origem da vida na Terra.

Neste processo, a rocha basáltica que é expelida por vulcões subterrâneos reage quimicamente com a água de mar, o que produz hidrogénio e o mineral «serpentine».

Segundo os cientistas do DCO, o hidrogénio gerado por este processo pode ter sido o alimento que permitiu o aparecimento dos primeiros micróbios na Terra. Mas não na superfície do planeta, e sim em grandes profundidades.

De facto, como afirma Haze, «em qualquer lugar do mundo, se perfurar a vários quilómetros, encontrará vida em forma de micróbios».

A variedade de vida bacteriana que se encontra em grandes profundidades e com pressões extremas constitui um autêntico «Galápagos das profundezas», segundo o DCO.

O mais fascinante é que a vida em grandes profundidades exibe características incríveis.

Steven D´Hondt, da Universidade de Rhode Island, afirmou que esses micróbios «levam pelo menos centenas de milhares de anos para se reproduzir, e é concebível que vivam sem se dividir durante dezenas de milhões de anos».

Segundo Hazen, «embora seja questionável, há alguns cientistas que asseguram que há micróbios que têm centenas de milhões de anos, que estiveram a viver num estado estático, sem se dividir, em pequenos buracos nas rochas, e quando são expostos a um ambiente mais dinâmico, começam a dividir-se».

«É realmente extraordinário. Porque se a vida pode manter-se passiva durante grandes períodos de tempo é mais provável que quando grandes impactos lançam meteoritos de um planeta a outro, é possível que os micróbios possam transferir-se de um planeta para outro», disse.

«Isso pode ser uma forma de movimentar a vida de um planeta para outro», declarou.

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