05-03-2013 às 17:05

Autocarros separados para palestinianos geram polémica em Israel

A decisão do Ministério dos Transportes de Israel de criar autocarros separados para trabalhadores palestinianos da Cisjordânia que vão trabalhar dentro do território israelita está a causar enorme polémica, com acusações de «apartheid e segregação» contra o governo.

Segunda-feira, o Ministério dos Transportes inaugurou novas linhas de autocarros especiais, destinado a trabalhadores palestinianos que têm autorização para trabalhar em Israel. As linhas têm origem em diversos check points militares na Cisjordânia em direção a Telavive.

A iniciativa é o resultado de pressões por parte de líderes de colonos israelitas que moram em colonatos na Cisjordânia e alegaram que a viagem de israelitas e palestinianos nos mesmos autocarros constitui um «risco para a segurança» dos colonos.

Até hoje, os trabalhadores palestinianos apanhavam os autocarros em paragens na estrada no norte da Cisjordânia.

Esses autocarros, destinados principalmente aos colonos israelitas que moram na região, também têm paragens dentro dos colonatos, mas os palestinianos não têm autorização para entrar nessas áreas.

A inauguração das novas linhas foi divulgada através de panfletos, distribuídos nas paragens da Cisjordânia, apenas no idioma árabe, informou o site de notícias Ynet.

De acordo com o jornal Haaretz, a polícia prepara-se para implementar a separação entre as populações e, se um palestiniano for identificado dentro de um autocarro «normal», os polícias pedir-lhe-ão para descer e esperar o autocarro «especial».

O Ministério dos Transportes israelita afirmou que «não há qualquer instrução para impedir os trabalhadores palestinianos de viajar nas linhas de transportes públicos em Israel ou na Judeia e Samária (nome bíblico para Cisjordânia)».

«As novas linhas de autocarros têm o objectivo de melhorar o serviço para os trabalhadores palestinianos que entram (em Israel) pelo check point de Eyal (perto da cidade de Qalqylia, no norte da Cisjordânia)», lê-se na nota do Ministério.

O professor de Direito da Universidade de Tel Aviv Eyal Gross afirma que a decisão de instituir autocarros separados para palestinianos e colonos «lembra a segregação racial nos Estados Unidos em 1896 e aproxima Israel do apartheid (da Africa do Sul)».

«Em Israel estamos a voltar no tempo para 1896: palestinianos são instruídos para descer dos autocarros na Cisjordânia, e o Ministério dos Transportes institui linhas de autocarros separadas para palestinianos», afirma o jurista num artigo no Haaretz.

Na Cisjordânia já existe uma rede de estradas exclusivas para a circulação de carros com placas israelitas e nas quais veículos com placas palestinianas não podem transitar.

Cerca de 380 mil colonos israelenses que moram em assentamentos na Cisjordânia estão subordinados à lei civil de Israel. Já os 2,5 milhões de palestinos dessa região estão sujeitos à lei militar que vigora no território, no qual a autoridade principal é o Exército de Israel.

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