05-03-2013 às 20:24

Ferroviários desocupam linhas no Entroncamento mas dizem não aceitar proposta da CP

Os trabalhadores do setor ferroviário concentrados hoje no Entroncamento desocuparam a estação pouco depois das 19:00, mas disseram que não aceitam a proposta da administração da CP de fazer um desconto de 25% nos bilhetes para funcionários e reformados.


Centenas de pessoas ocupavam desde as 16:14 as principais linhas ferroviárias na estação do Entroncamento, num protesto que imobilizou cerca de duas dezenas de comboios de passageiros e mercadorias, uma ação concertada entre o Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários e a Comissão Central de Reformados Ferroviários, ambos afetos à CGTP Intersindical.

A circulação dos comboios na estação do Entroncamento foi normalizada às 19:10.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da União de Sindicatos do Distrito de Santarém, Rui Aldeano, disse que a ação de luta visava a manutenção "na íntegra" dos direitos de passe gratuito adquiridos pelos ferroviários no ativo, pelos reformados e pelos seus familiares e a defesa da reposição das verbas cortadas em pensões e subsídios no setor.

"Apesar da chuva, estiveram hoje aqui cerca de 600 ferroviários que, com os seus familiares, quiseram mostrar a sua vontade em lutar pela defesa dos seus direitos e dizer ‘basta’ a uma política de um Governo que os quer espoliar de uma regalia conquistada há muitos anos e à custa de baixos salários", notou.

David Ribeiro, membro da Comissão Central de Reformados Ferroviários, afirmou que a manifestação de hoje resulta da "não evolução" das negociações com o conselho de administração da CP – Comboios de Portugal, afirmando que a proposta de desconto de 25% nos bilhetes "é um assalto" aos direitos adquiridos.

"Serão muitos os milhares de ferroviários que o Governo pretende espoliar, mas também serão muitos os milhares que virão para a rua dizer que não aceitam este assalto a direitos e regalias conquistadas há mais de 100 anos pelos trabalhadores", frisou.

João Azevedo, da secção do Sindicato dos Ferroviários do Entroncamento, recolhia assinaturas para uma petição que circula pelos trabalhadores do setor reclamando por uma "reposição do direito ao transporte" dos trabalhadores das empresas públicas de transportes.

Em declarações à Lusa, o dirigente sindical disse que este direito é um "vínculo contratual que existe desde os primórdios dos transportes públicos" e referiu que a figura do livre passe "foi criada como forma de cativar os trabalhadores para profissões que exigiam e continuam a exigir ausências prolongadas da residência familiar, piquetes, turnos e deslocações de serviço para locais distantes".

"O que nos propõem é inaceitável e inegociável", disse João Azevedo, notando que as ações de protesto "vão continuar, contra as medidas de redução de salários e pensões, destruição da contratação coletiva e a retirada de direitos.

Diário Digital com Lusa

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