Test Drive

10-05-2013 às 17:26

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Renault Mégane 1.6 dCi GT Line Premium: A ternura da idade

Por Francisco Cruz; Fotos: Renault
Renault Mégane 1.6 dCi <i>GT Line Premium</i>: A ternura da idade

Dado a conhecer, na geração actual, no já distante ano de 2008, foi já durante o último ano de 2012 que foi submetido a um importante restyling, visando dotá-lo de melhores argumentos para os últimos anos de vida. Entretanto e porque a concorrência não dá descanso, o Mégane voltou a ser alvo da atenção da Renault, agora disponibilizando uma nova versão topo-de-gama, GT Line Premium, mais equipada e completa, mas também com um preço quase inalterado face às hoje em dia mais populares GT Line e Bose. Trata-se, por assim dizer, de valorizar a ternura que a idade muitas vezes provoca…

Marcado por uma estética exterior já um pouco… gasta, hoje em dia longe da linguagem de design irreverente criada com a entrada em cena do holandês Laurens van der Acker (responsável pelas novas linhas estreadas com modelos como, por exemplo, o Clio ou o Captur), é no equipamento, reforçado, que a nova versão de topo na família Mégane procura marcar a diferença. Combinando, inclusivamente, equipamentos até aqui disponíveis apenas com os níveis GT Line e Bose, sem que isso represente, por outro lado, uma subida acentuada no preço – na verdade, nem a mil euros chega o aumento!

Optando pelo novo nível de equipamento, o leitor passa a dispor, por exemplo, do excelente Bose Sound System com 9 altifalantes/2 surrounds/subwoofer/Bluetooth/Plug&Music, estofos em couro Cool Grey, sistema de aquecimento dos bancos dianteiros, acabamentos em carbono na faixa decorativa do tablier, cintos de segurança em cinzento Cool Grey e apoio de braços traseiros, sem esquecer outros equipamentos partilhados com as duas versões atrás citadas, como os faróis bi-direccionais com lava-faróis de alta pressão, jantes em liga leve de 17”, personalização GT Line, chassis desportivo (com afinação idêntica ao Mégane Coupé), ar condicionado automático bi-zona, bancos dianteiros reguláveis em altura (também lombar, no caso do banco do condutor) e ambiente interior específico da série especial Bose. Já para não falar nos cinco anos ou 150.000 km de garantia geral, com intervalos de manutenção de 30.000 km ou 2 anos (o que acontecer primeiro), que hoje em dia abrange toda a gama Renault.

E se, no caso da unidade por nós testada, mais-valias como o Pack Sensor+Câmara (composto por sensor de estacionamento dianteiro + sensor de controlo da pressão dos pneus + câmara de marcha-atrás, tudo por 590 euros) ou – inesperadamente! - o pneu sobressalente (70€) surgiam como opcionais incluídos, já quando comparado com uma das versões mais apreciadas do momento, a série especial Bose, esta GT Line Premium apenas fica para trás nos retrovisores de accionamento eléctrico e rebatíveis, e nos espelhos de cortesia iluminados. Dois items que o novo topo-de-gama não tem.

Mantendo a qualidade de construção já conhecida da família Mégane (globalmente positiva, ainda que a pedir já uma revisão em aspectos como a fixação do revestimento do tejadilho junto ao pára-brisas…), valorizada neste caso por um cuidado maior na escolha dos revestimentos, o Mégane GT Line Premium oferece assim um melhor ambiente a bordo, onde é possível acomodar cinco adultos (atrás, pedindo alguma boa-vontade dos passageiros acomodados nos lugares laterais…), com um bom nível de conforto, mas também alguma preocupação com a ergonomia e funcionalidade. Demonstrada, de resto, no bom acesso ao habitáculo, melhor, inclusivamente, que a oferta de espaços de arrumação abertos (a prateleira, na base da consola central, só se torna melhor aproveitável caso se abdique do cinzeiro, amovível) ou até mesmo do que o accionamento (pouco preciso) de alguns comandos. Nomeadamente, os da consola central.

Quanto à bagageira, de capacidade suficiente (372 litros), tem no acesso alto e na inexistência de soluções como os ganchos porta-sacos os aspectos menos conseguidos. Atenuados, ainda assim, não somente pelo aproveitamento proporcionado por laterais lisas, mas também pela possibilidade de rebatimento 60/40 das costas do banco traseiros. Passando assim o condutor a dispor de uma continuação do piso da bagageira praticamente na horizontal, ainda que num plano ligeiramente mais alto… mas ainda assim bastante aproveitável.

Já quanto ao motor, a unidade por nós testada exibia um dos elementos da mais recente família de propulsores à disposição na marca francesa, o já conhecido Energy 1.6 dCi de 130 cv, quatro cilindros capaz de proporcionar, conjuntamente com um binário máximo de 320 Nm, prestações que passam pelos 200 km/h de velocidade máxima anunciada e pelos 9,8 segundos no cumprir dos 0 aos 100 km/h. Tudo com consumos que, segundo os dados divulgados pelo construtor, “deveriam” rondar os 4 l/100 km em circuito misto, com emissões de CO2 de 104 g/km.

No entanto e dispondo da ajuda-extra de um Stop&Start suficientemente suave no operar, assim como de uma caixa manual de seis velocidades agradável no operar e bem adaptada ao motor, a verdade é que, nas nossas mãos, o Mégane 1.6 dCi 130 cv GT Line Premium de 5 portas nunca conseguiu exibir consumos tão baixos quanto os prometidos. Não deixando, mesmo assim, de surpreender – é que, 5,3 l/100 km, num bloco com 130 cv e após um ensaio também com muita cidade pelo meio, dificilmente poderá ser considerado um mau valor…

Igualmente convincente é a posição de condução, resultado da boa amplitude de regulação em altura e profundidade de volante e banco, ambos revestidos (de série) a couro, bicolor (cinza e preto), o primeiro de óptima pega, mercê do revestimento em picotado, e o segundo com bom apoio lateral e encosto de cabeça. Mas também a oferecer um acesso não muito conseguido a alguns comandos (botões dos vidros na porta do condutor ou até mesmo o joystick do sistema de navegação surgem um pouco atrasados…), além de uma visibilidade traseira que não enjeita a inclusão de sensores de ajuda ao estacionamento.

E se quer a direcção, quer o sistema de travagem, primam acima de tudo pela competência, sem alardes… ou momentos de elevado prazer (acima de tudo, regem-se pelo conforto e agradabilidade na utilização), já quanto ao comportamento, o Mégane 1.6 dCi GT Line Premium segue a mesma tendência, assumindo-se, mesmo com um chassis promissoramente mais desportivo, uma proposta acima de tudo confortável e competente, quer numa utilização do dia-a-dia, quer em viagens mais longas. É verdade que, para os mais exigentes, poderá faltar-lhe um pouco mais de emoção, mas, para isso, a própria marca tem várias outras opções…

Afinal e um pouco como acontece com os seres humanos, é a ternura e a postura ponderada que, quase sempre, mais facilmente sobressaem com o avançar da idade…

Mais

  • Conforto
  • Equipamento
  • Motor

Menos

  • Comandos do rádio pouco precisos
  • Pneu sobressalente como opcional
  • Bagageira com acesso alto
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Comentários

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