| sábado, 11 de Novembro de 2006 | 13:39 |
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Roseta: PS deve despenalizar IVG se «não» ganhar sem maioria
A dirigente socialista Helena Roseta propôs hoje que o PS despenalize o aborto até às 10 semanas de gravidez mesmo se o «não» ganhar o referendo, caso este não tenha a participação da maioria dos eleitores.
«Se o resultado do referendo não for vinculativo, quer para um lado ou para o outro, proponho que o grupo parlamentar do PS assuma a responsabilidade de mudar a lei», declarou a ex-deputada, no congresso socialista de Santarém, recebendo palmas.
«Não vamos ficar mais quatro anos ou mais oito anos à espera não se sabe do quê. Vamos para a frente, temos maioria«, reforçou Roseta que, em conjunto com José Leitão, é a primeira subscritora da moção global ao congresso «Solidariedade e Cidadania».
Helena Roseta, apoiante das candidaturas de Manuel Alegre à liderança do PS em 2004 e às presidenciais deste ano, congratulou-se que o partido tenha agora uma posição oficial a favor da despenalização do aborto, ao contrário do que sucedeu no referendo de 1998, não vinculativo, em que o «não» venceu por escassa margem.
Num comentário à intervenção de Roseta, o dirigente do PS e ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, reiterou que, pessoalmente, defende que se deve respeitar o resultado do referendo, ganhe o «sim» ou o «não» à despenalização, mesmo que votem menos de 50% dos eleitores.
José Leitão discursou a seguir a Roseta, destacando o empenho de «milhares de militantes» em sindicatos ou movimentos cívicos espalhados por todo o país, que «sentem de forma mais intensa os sinais dos cidadãos sobre as políticas do Governo».
José Leitão mostrou-se preocupado com a «ausência de uma estratégia no que respeita à reforma da Administração Pública», considerando que «o corte da despesa devia estar sujeito a uma avaliação política global» prévia do PS sobre o «papel do Estado» nas sociedades actuais.
«Não faz sentido cortar só por cortar», até porque a «classe média e os trabalhadores em geral esperam mais serviços do Estado e não menos», afirmou, apelando aos socialistas para não serem «insensíveis aos sinais de crispação» de «sectores que são habitualmente a base de apoio» do partido.
«Muitas das ditas corporações nada mais são que grupos sociais que temos de associar às nossas políticas reformistas», sustentou José Leitão, que lamentou também não serem discutidas na reunião magna dos socialistas as alterações estatutárias do partido.
Diário Digital / Lusa
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