| terça-feira, 4 de Agosto de 2009 | 15:26 |
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Lojistas admitem barricar-se em Centro Comercial de Faro
Os lojistas do centro comercial Atrium, em Faro, admitem barricar-se esta noite junto às suas lojas e vão apresentar uma providência cautelar contra a administração do espaço comercial, que encerrou hoje as portas sem pré-aviso.
A administração do centro comercial Atrium encerrou portas, impedindo os acessos aos lojistas que dizem não ter sido avisados e estão impedidos de aceder aos seus estabelecimentos.
Em declarações à Lusa, Susana Reis, proprietária do Quiosque-Café, lamentou não ter recebido qualquer aviso de encerramento do Atrium e admite barricar-se dentro do centro comercial até ver aberto o seu negócio.
"Além das três pessoas que tenho a trabalhar no café, perco a receita do dia e tive de mandar embora os fornecedores", lança Susana Reis, acrescentando que paga uma renda mensal de 1.200 euros.
Segundo Susana Reis, a administração já tinha, no início do Verão, mandado encerrar o ar condicionado do centro comercial e tinha desligado algumas escadas rolantes interiores e exteriores.
A falta de limpeza das casas de banho e a falta de sabonete para os utentes lavarem as mãos também já se verificava nos últimos tempos, lamentou a lojista, adiantando que mesmo assim fazia um esforço para ter o café aberto e pagar a renda mensal.
Também o proprietário da tabacaria, Vítor Pedro, declarou à Lusa que esta noite se vai barricar no centro comercial até que a administração decida abrir o espaço comercial.
"Esta noite vou ficar cá dentro. Não saio daqui", disse à comunicação social Vítor Pedro, acrescentando que o prejuízo que está a ter hoje na tabacaria é enorme.
"Quando uma tabacaria fecha o prejuízo é sempre grande, pois é grão a grão… e se os clientes vão embora aborrecidos não voltam amanhã, porque não sabem se a loja vai estar aberta ou fechada", justifica o empresário, acusando a administração de má gestão na venda das lojas, nomeadamente colocando os "preços elevadíssimos das rendas".
Tal como todos os lojistas, também Deolinda Ferreirinha, responsável pela ourivesaria do Atrium, admite barricar-se, nem que seja por solidariedade, e acusa a administração de "má gestão do espaço" e de nunca ter explicado os problemas financeiros que o Atrium estava a vive.
A advogada dos lojistas, Ana Pedro, adiantou à Lusa que entre hoje e quarta-feira vão apresentar uma providência cautelar contra a administração.
Contactado pela Agência Lusa, Élio Bolas, administrador do centro comercial, limitou-se a dizer que "quando se acaba o dinheiro a uma empresa ela tem que fechar".
O autarca de Faro, José Apolinário, apresenta hoje às 16:30, na Baixa de Faro, as propostas do município para o Atrium.
Situado na principal artéria da baixa de Faro e erguido sobre o antigo Cine-Teatro Santo António, o Atrium Faro, inaugurado há mais de dois anos, tem 30 lojas, mas apenas três estão ocupadas, tendo as salas de cinema encerrado há cerca de mês e meio.
Com o objectivo de salvar o projecto comercial, a Câmara de Faro anunciou que pretende adquirir o "Atrium Faro" através de uma parceria público-privada e adaptar o espaço com uma área cultural e outra comercial.
A autarquia reuniu-se segunda-feira com agentes culturais algarvios para definir o programa funcional do centro.
Diário Digital / Lusa
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