| terça-feira, 28 de Outubro de 2008 | 08:16 |
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«Jazz Covers» é apresentado hoje na Fnac do Chiado
«Jazz Covers», um livro do coleccionador português Joaquim Paulo, será apresentado esta terça-feira na Fnac do Chiado, em Lisboa, após o lançamento na loja da Taschen em Los Angeles, nos EUA.
O livro, que reproduz cerca de 700 capas de vinis de jazz, dos anos 1940 a 1990, da discoteca pessoal do autor, é «um documento da história do jazz que revela que a componente gráfica teve uma ligação muito importante com a música», disse Joaquim Paulo.
De capa mole e com um formato aproximado de um LP, «Jazz Covers» reproduz, ao longo de 496 páginas, perto de 700 discos, acompanhados de ficha técnica, comentários e entrevistas que contextualizam historicamente cada vinil. Os discos foram escolhidos a partir da colecção pessoal de 25 mil títulos de Joaquim Paulo, profissional ligado à rádio em Portugal há mais de 20 anos e, mais recentemente, fundador da editora Mad About Records.
Considerando esta obra «um projecto de vida», Joaquim Paulo trabalhou neste livro ao longo dos últimos dois anos, seleccionando os discos e compilando testemunhos de personalidades-chave para contar a história do jazz, como é o caso de Rudy Van Gelder, o engenheiro de som que gravou álbuns para a Blue Note ou para a Prestige, ou do produtor de jazz Creed Taylor e o designer Bob Ciano.
Joaquim Paulo propôs o projecto à Taschen, porque queria uma editora «que tivesse um grande cuidado gráfico» e foi o próprio fundador da editora alemã, Benedict Taschen, que viabilizou a edição. Apesar do jazz remeter invariavelmente para os EUA, a escolha de Joaquim Paulo é geograficamente ampla, com a inclusão de discos da Argentina, Brasil, Polónia, Roménia ou Reino Unido.
Da galeria de eleitos fazem parte Miles Davis, Chet Baker, Thelonious Monk, John Coltrane, Ornette Coleman, Count Basie, Art Blakey, Bill Evans, Ella Fitzgerald e Chick Corea, mas também Stan Getz, Claus Ogerman, Teuo Nakamura, Vince Guaraldi, Moacir Santos e Maurice Vander. «A escolha dos discos foi muito difícil, ficaram muitos de fora, mas os critérios foram a importância histórica, o grafismo e a raridade, porque há muitos que não têm edição em CD», explicou o autor, que pondera realizar um segundo volume dedicado ao tema.
Muitos dos discos foram seleccionados também por revelarem uma «cumplicidade entre os designers e os músicos» comentou Joaquim Paulo, acrescentando que« há uma sintonia entre o que a capa mostra e a música», sobretudo dos anos 1950 e 1960.
A escolha, que exclui artistas portugueses, vai apenas até aos anos 90, por causa do declínio das edições de música em vinil e da rápida ascensão do digital, com o CD.
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